Quarta, 14 Março 2018 10:46

O impeachment (7)

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Raposas em ação

(31/8/2016)

Se o surpreendente salvamento dos direitos políticos da ex-presidente Dilma Rousseff não foi obra do acaso, natural e de momento, o acordo de bastidores que o possibilitou deve ter sido produzido pelo PT e o PMDB. Significativamente, o encaminhamento da votação final do impeachment começou (com Kátia Abreu) e terminou (com Renan Soares), senadores peemedebistas.

Por que o PMDB faria o acerto? Porque na véspera os petistas anteciparam o que fariam no dia seguinte à destituição da correligionária: ajudariam a parte da população que não aceita Michel Temer a tumultuar o ambiente e – literalmente – botar fogo no país, como fizeram militantes de organizações ligadas ao partido em várias cidades, a partir de São Paulo.

Os discursos dos defensores de Dilma de ontem eram irados e ameaçadores. Temer não teria trégua, seu governo seria fustigado e o PT tudo faria para arrastá-lo em sua desgraça. Motivos para tanto não faltariam. O PMDB é o segundo partido mais atingido pela Operação Lava-Jato, depois do próprio PT.

Uma trégua por ora, de interesse de ambos, talvez tenha sido o componente novo, que inovou e desfigurou, em seu final, o processo do impedimento de Dilma Rousseff. Fazer alianças não é novidade para os dois partidos. Desfazê-las também faz parte da sua rotina. Se a trégua foi realmente urdida, quanto tempo ela irá durar? Qual a sua consistência? Quais serão os seus efeitos?

Ao que parece, os russos não foram avisados dessa tática. Como irão reagir? Dançando conforme a música? Tomando parte no novo baile da ilha Fiscal?

Ler 91 vezes

Comments fornecido por CComment