Sábado, 03 Fevereiro 2018 14:33

Cristina: go home!

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Quantos patrões já não foram injustiçados pela justiça do trabalho? Principalmente aqueles patrões de si mesmos ou contratantes de empregados domésticos. E quantos dos atos de justiça não se consumaram por constranger as partes a um acordo no qual estava embutido um pedágio, a reforçar a sabedoria popular, de que o pior acordo é melhor do que a melhor demanda judicial?

A justiça é sublime, o mais elevado dos poderes institucionais, quando acerta. É o pior dos castigos, independentemente de acertar ou errar, quando submete as partes do contencioso à tortura psicológica do tempo perdido (que só mesmo Proust seria capaz de recuperar – só que às barras do tribunal ele jamais iria de moto próprio).

Assim, não é por ter sido levada à justiça do trabalho por seus empregados, não assinar carteira e ser condenada que Cristina Brasil está impossibilitada de assumir o Ministério do Trabalho. É por abuso de poder que a justiça a está mantendo congelada. O presidente Michel Temer estava na plenitude do seu poder, com amparo na lei e na constituição, quando aceitou a indicação do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, não por acaso o pai da cidadã.

O país já estaria no rumo certo se a justiça liberasse Michel Temer para consumar o ato, nomeando a deputada federal para o cargo. Só então, cumprida a regra legal, o Brasil inteiro poderia dar vazão à sua repulsa a que Cristina Brasil seja ministra, seja lá em qualquer ministério que se lhe ofereça. Falta-lhe dignidade moral para exercer qualquer cargo público. Nem parlamentar podia ser, se o povo votasse certo.

Chegar a essa conclusão é tarefa simples: basta percorrer os discursos da deputada, ver o seu comportamento público e terminar com o vídeo gravado numa lancha, ao lado de  quatro cidadãos sem camisa (não são descamisados: estão nus da cintura para cima, como se dizia antigamente, quando se podia tal coisa dizer), cúmplices das declarações ditas pela deputada no fogo da situação – fogo em todos os sentidos do vernáculo.

O pai, famoso cantor de óperas durante a novela do mensalão, condenou a atitude da filha. Correto: deveria levá-la para o seio da família, no refúgio do sacrossanto lar, e dar-lhe a competente reprimenda. É assunto de foro íntimo. Quanto ao público, devia retirar o desastrado nome da filha e se recolher ao banheiro com a companhia de Mozart e Don Giovanni.

Talvez os céus o perdoariam por dar início a mais um capítulo vergonhoso da história de um Brasil torto e sem saída.

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