Segunda, 05 Fevereiro 2018 14:53

O público e o privado

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Em 2011, no final dos seus oito anos de mandato como prefeito de Belém, Duciomar Costa inaugurou com festa aquela que considerou como uma das suas maiores obras: o Pórtico Metrópole. Na época, a um custo de sete milhões de reais (hoje, 10 milhões), tinha como maior beneficiado o shopping Castanheira, do grupo Líder, em Ananindeua.

O pórtico era, na verdade, uma passarela ligando o estabelecimento comercial a um dos pontos de mais intensa circulação diária de milhares de pessoas na BR-316, parada de todas as linhas de ônibus que por ali passam. O poder público municipal facilitando a vida de uma empresa privada.

A dois meses de completar sete anos de inaugurado, o pórtico é um retrato patético do que foi, Diferentemente de outras passarelas, construções rústicas, expondo os seus usuários ao sol e à chuva, o pórtico era fechado, dispunha de elevadores e escadas rolantes. Essas comodidades desapareceram, deterioradas pelo tempo e o descaso da prefeitura.

Oscar Rodrigues, um dos donos do grupo Líder, ocupou uma página do Diário do Pará de ontem para denunciar a situação de abandono das instalações, que já serviram de cena até para um homicídio e é fonte de incômodos para quem precisa passar por ali,

Oscar, que assumiu diretamente a administração do Castanheira, no final do ano passado, substituindo a filha, diz ter procurado o prefeito Zenaldo Coutinho para lhe expor o problema e lhe apresentar uma solução: o Líder assumiria a operação da passarela, ao custo de R$ 150 mil ao mês, desde que a prefeitura fizesse a recuperação da construção e garantisse a sua segurança, além de  dar desconto de IPTU sobre o terreno, que foi desapropriado por Duciomar, mas não pago.

Oscar se queixa de jamais ter tido uma resposta do prefeito ou dos seus auxiliares, indiferentes ao oferecimento da empresa, que tem, a seu crédito, haver concordado com a desapropriação de seu terreno para a instalação de uma das extremidades do pórtico.

A iniciativa é saudável, mas está atrasada quase sete anos. O Líder devia ter tomado consciência do benefício que o poder público lhe estava trazendo, com a melhor das seis passarelas de então ao longo da BR-316, já na inauguração. Ao invés de partilhar essa conquista, agregando a sua parte para a consolidação do investimento, preferiu se omitir e poupar seu capital.

Só reage porque o acesso ao seu shopping foi sendo dificultado para quem não mora às proximidades, o faturamento caiu e há agora a concorrência de outro shopping na estrada, por ironia chamado Metrópole. Ao invés de ficar esperando pelo prefeito, toda população de Belém, carente de obras, Oscar Rodrigues deveria fazer o que pede de Zenaldo para o bem de todos e não só do Líder.

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