Sexta, 29 Março 2019 08:42

O viver perigoso

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O primeiro a ser preso, desta vez, foi o mandante do crime, que costuma permanecer desconhecido ou ficar impune. Os quatro executores ainda estão foragidos, mas já foram identificados e com mandado de prisão expedido. A prisão do mandante, o fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho, foi anunciada pelo próprio governador do Pará, Helder Barbalho, no dia 25, quatro dias depois do assassinato de Dilma Ferreira Silva, coordenadora regional do Movimento de Atingidos por Barragens em Tucuruí, na região central do Estado.

Tudo foi muito rápido, considerado o padrão desse tipo de acontecimento no Pará, o campeão nacional dos crimes de encomenda na zona rural. O governo organizou uma força-tarefa com múltiplos integrantes, identificou os personagens do crime e obteve a ordem judicial para agir imediatamente.

Foi uma tripla execução. Além de Dilma, de 48 anos, seu marido, Amado da Silva, de 42, e um amigo do casal, Milton Lopes, de 38, foram amordaçados e executados com golpes de arma branca no interior da residência, no assentamento rural Salvador Allende, em homenagem ao presidente do Chile, derrubado por um golpe militar em 1973, no município de Baião.

Estavam reunidos os ingredientes das execuções contra líderes populares. Pela condição de Dilma, de integrante do MAB, a primeira suposição foi de que sua morte tivesse alguma relação com a hidrelétrica de Tucuruí, a segunda maior do Brasil, que começou a funcionar em 1984, no rio Tocantins, uma das principais obras do regime militar. A construção da usina provocou remanejamentos de moradores e muitos conflitos, com a participação do MAB na defesa dos expropriados.

Em seguida, os crimes foram relacionados à disputa pela terra entre posseiros, proprietários e grileiros. O assentamento fica próximo à área reivindicada pelo mandante.

Quando as buscas já estavam em andamento, neste fim de semana, três corpos carbonizados foram encontrados a 20 quilômetros do local do triplo homicídio, no que poderia ser uma “queima de arquivo”.

Na verdade, eram funcionários que Fernando Filho teria mandado matar para evitar que fossem à justiça do trabalho contra ele, que fizera a contratação irregular dos trabalhadores. O currículo do fazendeiro é extenso. Ele é acusado de envolvimento com tráfico de drogas, agiotagem, receptação, roubo a banco, homicídio, tentativa de homicídio e grilagem de terras.

Ele teria mandado matar Dilma, o esposo e conhecido para ocupar uma parte das terras onde eles viviam. A polícia apurou que o fazendeiro teve contato pessoal com os executores, antes, durante e após os assassinatos. Seriam quatro irmãos, dois dos quais já tinham sido presos. Um deles também está foragido do sistema penitenciário, onde cumpria pena por homicídio. Os quatro são apontados como criminosos selvagens;

Ao anunciar a primeira prisão, o governador, que é do MDB e filho do senador Jader barbalho, garantiu que esse tipo de crime não será tolerado, ocorra no meio urbano ou na zona rural. Os bons resultados obtidos no caso dos três assassinados de Baião deveria servir “como exemplo para que nós possamos virar a página dos crimes que ficam impunes no Estado do Pará”, prometeu Helder barbalho.

Na verdade, porém, viver ficou ainda mais perigoso no sertão amazônico de tantos crimes, por tantas motivações.

 

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