Economia

Economia (102)

Segunda, 13 Maio 2019 19:27

Horizonte ruim

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A Braskem informou, hoje, que não conseguirá entregar no prazo os dados requeridos pelo agente regulador de valores imobiliários dos Estados Unidos, Por isso, a negociação dos seus papéis na Bolsa de Valores de Nova York foram suspensas. Eles devem sair da listagem de negociação.

Muito bom para os investidores americanos. E para os brasileiros? A Comissão de Valores Mobiliários está fazendo a mesma cobrança de informações da Braskem, o ramo da Odebrecht no setor petroquímico, das maiores empresas do Brasil e líder no seu setor até a Operação Lava-Jato?

Sinal de que surpresas desagradáveis estão a caminho?

Segunda, 13 Maio 2019 17:01

O apito do trem

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Três décadas depois de ter entrado em operação, Carajás continua produzindo apenas – e cada vez mais – minério de ferro bruto. A usina de placas de aço que disputou com o Maranhão se foi para o Ceará. Agora se anuncia que a Vale, principal controladora do empreendimento, com seus sócios da Coréia do Sul, vai expandir a siderúrgica de Pecém com investimento de um bilhão de dólares.

No ano passado, a fábrica cearense atingiu a sua produção máxima, de três milhões de toneladas. Nós continuamos a ouvir o apito do trem que leva para fora do Brasil o melhor minério de ferro do planeta. É um caminho sem volta, já que minério não dá duas safras.

Se é que ainda ouvimos e vemos alguma coisa que realmente importa.

Domingo, 28 Abril 2019 18:58

O caminho perdido

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Ao escrever o seu primeiro artigo para a Folha de S. Paulo, publicado hoje, o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, se baseou em uma matéria sobre a evolução da participação do PIB do Brasil no PIB mundial desde 1980, que caiu de 4,4% para 2,5%. “Se tivéssemos acompanhado a média do crescimento global, teríamos um PIB 76% maior. Imaginem só como seria”, observa Armínio, que, como muitos intelectuais, melhora de novo na análise dos acontecimentos quando se distancia do poder exercido. 

Reproduzo o artigo, para debates.

Com frequência se diz que o Brasil é a oitava economia do mundo. Tudo bem, não é de se jogar fora. Mas o que importa mesmo é a renda per capita, e aí caímos para a 75ª posição. Somos um país de renda média e também um dos mais desiguais, atrasado portanto. Refiro-me a dados do FMI e do Banco Mundial.

Estamos como na estorinha irlandesa: um viajante perdido no campo verde para na estrada e pergunta a um velho pastor como se chega a Dublin. Ele responde: "Não sei, mas não começaria aqui...".

Como não temos essa opção, nos resta por ora evitar problemas maiores e avançar onde der. Mas as pessoas estão descrentes de tudo e todos, e sentem que se exige mais sacrifício dos que menos podem, não sem razão. Quero discutir neste espaço como criar genuínas oportunidades para os que menos podem e como exigir dos que mais podem uma contribuição relevante. 

Um país atrasado em tese deveria ser capaz de acelerar seu crescimento investindo mais do que os avançados, especialmente em gente, e absorvendo melhores tecnologias e práticas. Não foi o que aconteceu aqui. Isso fica claro quando se compara a evolução da nossa renda per capita com a dos Estados Unidos. A comparação é deprimente: estamos em torno de 20% desde 1960.

Perdura uma certa nostalgia quanto ao período do pós-guerra, quando atingimos 29% da renda americana, mas se ignora que a estratégia adotada (economia fechada e estatizada) foi incapaz de nos levar até os padrões de vida dos avançados, por falhas fatais de desenho (fragilidade macroeconômica, descaso com educação e desigualdade). A economia acabou se espatifando na década perdida de 1981-1993, quando se devolveu boa parte dos ganhos auferidos desde 1960.

Verdade que desde então avançamos bastante com a estabilização e a mudança de foco do Estado a partir de 1995, mas aos poucos um bom caminho foi sendo abandonado. A partir de 2011, o intervencionismo e a radical perda de disciplina fiscal levaram a um novo colapso. Foi uma volta a erros do passado, amplamente apoiada pelo andar de cima. A queda na renda per capita repetiu os 10% da década perdida, desta vez em um terço do tempo. Voltamos aos 20% da renda americana de 1960.

Não fora suficiente a atual depressão econômica, metade das pessoas empregadas não tem carteira assinada e se aposenta mais tarde. A educação continua deficiente e metade das moradias não tem esgoto adequado. Não há solução para melhorar a vida de quem mora nas favelas e tampouco para a violência. E por aí vai.

E agora? Como construir um caminho para um desenvolvimento mais inclusivo, acelerado e sustentável? Estamos diante de múltiplas crises, que se reforçam, desafiam as instituições e ameaçam a qualidade da democracia. Difícil imaginar um caminho completo, coerente e viável a partir daqui. 

No momento a prioridade é a reforma da Previdência, passo crucial para sanar a crise fiscal e redutora ela própria de desigualdade. Urge também uma reforma do Estado, que precisa fazer mais com menos. Em ambos os casos as resistências já estão se armando. Como parte da resposta, urge também a eliminação dos subsídios e vantagens tributárias aos de renda mais alta, que envenenam o tecido social. Só assim as pessoas apoiarão as transformações necessárias.

Segunda, 22 Abril 2019 16:29

Campeões de dívida

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A Cerpasa, fabricante de cerveja, é a maior devedora de ICMS ao Estado. Seu passivo, lançado na dívida ativa, é de quase 2,5 bilhões de reais. A segunda colocada é a mineradora Vale, com R$ 1,2 bilhão. Seguem-se: Frigorífico e Marchanteria Arrudão, R$ 639 milhões; Ambev, que, em três lançamentos, chega a R$ 778 milhões; Petrobrás, somando suas duas razões sociais, R$ 658 milhões; Fratelli Vita Bebidas, R$ 335 milhões; Cadam (fabricante de caulim), R$ 284 milhões; New Facetr (Indústria e Comércio de Cigarros, Importação e Exportação), R$ 192 milhões; Pará Pigmentos (caulim), R$ 154 milhões; Cia. de Bebidas Brasil Kirin R$ 150 milhões; Distribuidora Big Benn. R$ 146 milhões; Souza & Freires, R$ 118 milhões; Cabanos Comércio e Serviços; R$ 113 milhões); Marcos Marcelino, R$ 100 milhões.

Há 17 empresas com dívida de imposto acima de R$ 100 milhões, que somam R$ 7,3 bilhões. A Vale é a campeã em autuações pela fazenda estadual: 630. Da Cerpasa são 214 e de Marcos Marcelino, 179.

Domingo, 14 Abril 2019 18:18

Juruti e Alcoa

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Juruti completa neste mês 201 anos de existência. Sua maior empresa está no município há 10 anos. Em 2006, quando a Alcoa, a maior produtora de alumínio do mundo, começou a se instalar no município, o Produto Interno Bruto local era de 70 milhões de reais. Chegou a R$ 905 milhões em 2014. No mesmo ano, a renda por pessoa ultrapassou R$ 17 mil. Em 2000, era de apenas R$ 1.137,00.

Num press release que distribuiu para comemorar a data, a Alcoa diz que uma das frentes que utiliza no campo social é o Ijus (Instituto Juruti Sustentável), criada com o aporte financeiro da mineradora americana para financiar projetos na área de sustentabilidade. Ao longo de 10 anos, mais de 3.500 pessoas foram beneficiadas diretamente, com a aplicação em torno de um milhão de reais em investimentos a fundo perdido.

Líder mundial em produtos de bauxita, alumina e alumínio, no Brasil, a Alcoa possui três unidades produtivas, em Poços de Caldas (MG), São Luís (MA) e Juruti, escritórios em São Paulo (SP), Poços de Caldas (MG) e Brasília (DF), além de participação acionária na Mineração Rio do Norte, em Oriximiná, e em quatro usinas hidrelétricas: Machadinho, Barra Grande, Serra do Facão e Estreito.

Na nota à imprensa, a Alcoa não tratou especificamente do seu investimento na mina de bauxita de Juruti, de onde extrai minério para a sua fábrica de alumina em São Luís do Maranhão. O aniversário de Juruti não foi a oportunidade para abrir o interesse por essa atividade, que assinalou uma nova etapa na história do município, no extremo oeste do Pará.

Terça, 09 Abril 2019 17:02

Estrangeiros saem da Vale

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A Vale está sob pressão dos investidores para melhorar a segurança nas suas operações. O Financial Times anunciou que a Union Investment, a terceira maior administradora de investimentos da Alemanha, vendeu todas as ações e títulos que detinha na mineradora brasileira, depois do rompimento da barragem e Brumadinho, em janeiro,  que deixou mais de 220 mortos e mais de 70 pessoas desaparecidas.

A Union Investment administra 338 bilhões de dólares (1,3 trilhão de reais) em ativos, e controla 15% do mercado de investimentos alemão. A companhia era pequena acionista da Vale, e em março decidiu vender seus títulos e ações.

"A Vale foi excluída de todos os produtos que temos sob administração ativa", disse Henrik Pontzen, diretor de governança, questões ambientais e questões sociais na Union Investment.

Outra pessoa familiarizada com as discussões internas na Union Investment disse ao FT que a decisão foi tomada depois de discussões com a Vale que levaram à conclusão de que a mineradora tinha "falhas estruturais significativas" e que não havia implementado "medidas suficientes" para prevenir catástrofes semelhantes.

Já a Allianz Global Investors, segunda maior administradora de ativos da Alemanha, informou que reduziu sua exposição à Vale depois do desastre com a barragem de Mariana, também em Minas, em 2015, e que havia deixado de ser acionista da Vale muito antes de janeiro deste ano.

Susana Penarrubia, diretora de integração social e ambiental e de governança na DWS, a maior administradora de investimentos da Alemanha, disse à agência de notícias Reuters que o colapso da barragem "é uma nova confirmação de nossa posição muito cautelosa quanto ao setor de mineração, em termos ambientais, sociais e de governança", e acrescentou que a DWS já havia excluído a Vale de seus investimentos nessas áreas e revisaria as posições detidas na empresa em nome de clientes institucionais.

Relata o jornal londrino que a Igreja anglicana vendeu suas ações, no valor de menos de 10 milhões de libras ( 50,4 milhões de reais), nos dias que se seguiram ao desastre, enquanto o conselho de ética da Suécia - que assessora diversos fundos de pensão naquele país - instou seus clientes, no mês passado, a abandonar seus investimentos, por haver "perdido a confiança" na companhia.

Na sexta-feira da semana passada, a Igreja e o conselho conclamaram todas as companhias mineradoras de capital aberto a revelar "todas as instalações individuais de rejeitos que tenham sob seu controle".

A carta da Igreja solicitava que 683 companhias de mineração em todo o mundo revelassem suas instalações de rejeitos em prazo de 45 dias. "É essencial que os investidores tenham visão clara sobre que empresa controla que instalação de rejeitos, e sobre como essas instalações estão sendo administradas", disse Adam Matthews, diretor de ética e engajamento do Conselho de Pensões da Igreja anglicana. A carta recebeu apoio de 96 investidores, que têm US$ 10,3 trilhões (R$ 39,8 trilhões) em ativos sob administração.

O fundo de investimento petroleiro da Noruega, o maior fundo nacional de investimentos do planeta, que detém 1,1% da Vale, disse ao Financial Times que está dialogando com a empresa desde o desastre e que o conselho de ética da Noruega, que assessora o fundo petroleiro sobre vender ou não suas participações em determinadas empresas, estava investigando a Vale.

Relata o Financial Times que os investidores estrangeiros passaram anos rejeitando a Vale, uma situação que só mudou quando a companhia mudou sua estrutura acionária, pouco antes da chegada de Schvartsman, na metade de 2017. Isso resultou na dissolução de um pacto entre acionistas controladores que estava em vigor há duas décadas.

Dois dos quatro fundos de pensão brasileiros que formam o grupo chamado Litel - o maior acionista da Vale, com 21% - não responderam a pedidos de comentários. Os outros dois se recusaram a comentar, assim como a Vale.

O banco nacional de desenvolvimento brasileiro, o BNDES, que detém 6,3% da companhia, se recusou a comentar. O banco Bradesco disse ao jornal inglês que manteria sua participação de 5,7%.

No mês passado, a polícia e magistrados brasileiros se referiram, em documentos judiciais, a "provas" de que a Vale estava ciente de que a barragem que entrou em colapso apresentava forte risco de ruptura, e que a empresa exerceu "pressão" sobre os inspetores que a certificaram como segura.

Eles alertaram que a Vale poderia ficar sujeita a penalidades financeiras e também a "sanções mais drásticas, como a suspensão parcial ou proibição de suas atividades, ou mesmo a dissolução compulsória da companhia".

Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, admitiu que "a maior responsabilidade cabe à companhia, sem dúvida", acrescentando que a fiscalização de barragens deve ser melhorada, de modo geral.

A Vale anunciou esta semana que suspendera as operações em 10 de suas barragens em Minas Gerais. A decisão se segue à adoção pelas autoridades de critérios novos e mais rigorosos para avaliar o nível de ameaça.

Sábado, 06 Abril 2019 15:52

Minério causa queda

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Em março, as indústrias extrativas brasileiras sofreram uma queda de 14,8%, a maior de toda a série histórica, produzida pelo IBGE desde 2002. A causa principal foi o efeito do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, Minas Gerais, que reduziu a produção.

Como o minério de ferro é o segundo principal item da pauta de exportações do Brasil, o superávit em março da balança comercial, de 4,99 bilhões de dólares, foi 22,27% menor do que a do mesmo período do ano passado, quando o superávit chegou a US$ 6,42 bilhões. Também abaixo do resultado de março de 2017, caracteriza o pior desempenho do comércio exterior dos últimos três anos

No mês passado, as exportações somaram US$ 18,12 bilhões e as importações, US$ 13,13 bilhões. O superávit é obtido quando as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é o déficit.

Sábado, 06 Abril 2019 15:36

Suzano nega fim da Facepa

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A Suzano nega que pretenda fechar a fábrica da Facepa em Belém, que adquiriu há dois anos. Garante que, ao contrário, já definiu um plano de investimento para essa unidade até 2022. As medidas que adotou seriam para melhorar e otimizar a operação da fábrica, a mais antiga de todas, integrando-a às demais da corporação.

É o que diz a empresa, através de nota enviada ao blog, que reproduzo a seguir. Nada diz, porém, sobre as dispensas de funcionários, que está promovendo. É para reduzir o tamanho? Qual a extensão dessa lista de dispensas? A Suzano pode voltar ao assunto. Será bem recebida.

Diferentemente do que a matéria relatou, a companhia não irá fechar a unidade de Belém, que é estratégica para empresa e deve receber novos investimentos até 2022.

Os ajustes realizados têm o objetivo de melhorar e otimizar o atendimento a nossos clientes e consumidores das regiões Norte e Nordeste com produtos de alta qualidade e, fazem parte de um plano estratégico que está sendo implementado na Unidade de Bens de Consumo. 

Como resultado, desde o início de abril, está em andamento a integração do portfólio nas unidades de Belém (PA), Fortaleza (CE), Mucuri (BA) e Imperatriz (MA). Desta forma, as localidades passam a ter uma produção mais diversificada, assim como a distribuir todos os produtos para o cliente final. A integração do portfólio ocasionou ajustes pontuais de equipe nas operações da fábrica de Belém.

Sábado, 06 Abril 2019 10:14

O fim da Facepa

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Em 2018 a Fábrica de Papel e Celulose da Amazônia chegaria a uma idade rara entre as indústrias da Amazônia: 60 anos, sempre sob o controle de Antônio Farah, um empresário paraense. Essa história rara mudou exatamente na véspera de se completar. A Suzano comprou a Facepa. Em dezembro de 2017, a empresa - a segunda do país na produção de papel e celulose - pagou 310 milhões de reais pelas duas fábricas da Facepa, a matriz, em Belém, e a filial de Fortaleza, no Ceará.

Três meses antes a Suzano investiu R$ 540 milhões em uma fábrica em Mucuri, na Bahia, e em Imperatriz, no Maranhão. Completava sua estratégia de entrar no mercado de varejo de papéis sanitários (papel higiênico, toalhas, guardanapos, lenços e fraldas descartáveis) e avançar sobre a região Nordeste, ainda com baixo consumo desses produtos, no qual a Facepa detinha 15%.

A partir daí começou o que já era previsto: o desmonte de mais uma empresa paraense. No último dia 4, foram demitidos 130 funcionários, que se juntaram aos mais de 60 do ano passado. Até o final deste mês deverão ser mais 100, em processo rápido, conduzido por um escritório de relações humanas para realizar as homologações, conforme as normas da recente reforma trabalhista.

As fábricas na Bahia e no Maranhão ocuparão o vácuo que a desativação da Facepa criará. Ambas são novas, enquanto as máquinas operadas pela Facepa são antigas, com idades entre 28 e até 50 anos o município de Imperatriz. Em conjunto, elas produzem 120 mil toneladas contra as 40 mil da Facepa.  Para ser competitiva, a unidade paraense exigiria novos investimentos, mas o interesse da Suzano eram as marcas, com grande aceitação no mercado Norte/Nordeste.

A Suzano anuncia mais um investimento, para ampliar, em São Paulo, a sua produção de papel e celulose, consolidando a sua posição de segunda do ranking brasileiro. Por aqui, mais uma das poucas indústrias paraenses chega ao fim.

Quinta, 04 Abril 2019 16:34

Brasil mais pobre

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Há quase 44 milhões de brasileiros vivendo com menos de 5,5 dólares (ou menos de 20 reais) por dia. Por mês, seriam R$ 637. O valor representa a linha oficial da pobreza segundo o Banco Mundial, que divulgou o dado hoje, com base em estatísticas de 2017. Em 2014, esse universo de sub-pobres era integrado por 36,5 milhões de pessoas.

O incremento foi superior a 20%. Significa que a crise econômica no período, em metade dele no governo de Dilma Rousseff, do PT (e na última metade sob Michel Temer, do MDB), 7,4 milhões de brasileiros foram despejados na pobreza. Mais deterioração econômica, os levaria para a extrema pobreza, na qual o rendimento médio mensal é de R$ 220.

É nesse fundo do poço que, em 2017, se encontravam 10,1 milhões de nacionais (5% de toda população do país), 70% (ou 4,4 milhões) a mais do que os 5,6 milhões de 2014, ano no qual Dilma foi reeleita presidente da república.

O relatório do Banco Mundial revela que a fatia de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou de 17,9% para 21% do total da população. No mesmo período, a fatia de brasileiros vivendo abaixo da linha de extrema pobreza saltou de 2,8% para 4,8%.

O relatório mostra ainda que 54% da queda na pobreza entre 2003 e 2013 se deveram à grande valorização dos produtos brasileiros de exportação, principalmente suas commodities, como soja e minério de ferro, além de semielaborados. As políticas para a redistribuição de renda, como o Bolsa Família, tiveram impacto menor, de 33%, para a redução na parcela de pobres na população brasileira nos oito anos de Lula e no primeiro mandato de Dilma.

Como apenas 13% dessa diminuição da massa de pobres se deveu a mudanças estruturais na composição da renda per capita, era de se prever que o ciclo de afluência não duraria muito. Ela se encerraria com a recessão de 2014, infletindo novamente para a queda na renda per capita.  Assim, continuou difícil o acesso de muitos brasileiros a serviços básicos, como moradia, saneamento, educação e saúde.

 

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