Sábado, 14 Abril 2018 18:28

No centro de Belém

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Costumo de vez em quando ir ao centro velho de Belém não de passagem, mas para passear mesmo. Trabalhei ali durante décadas, com interrupções que me levaram a trabalhar em outros centros urbanos: os do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tenho uma relação afetiva com eles, que reavivo em verdadeiros passeios: pausados, atentos, com o propósito de curtir visualizações, contatos e rememorações.

Circulando pelo caos, algumas vezes extravasando para o inferno visual, de barulho e desrespeito geral, fiz duas paradas.

A primeira para me surpreender agradavelmente com o resultado da obra de restauração do lindo prédio do Arquivo Público, que está completando 117 anos. Depois de três anos e investimento de três milhões de reais, o Arquivo foi reinaugurado em outubro. Só agora fui vê-lo, de improviso.

Guiado pelo jovem diretor, Leonardo Torii, que estava no batente com os funcionários, em fim de expediente, com o salão de consulta quase deserto, pude constatar a qualidade do serviço executado e as boas condições técnicas para o trabalho da instituição.

O potencial é o mesmo de qualquer outro bom arquivo existente no Brasil. Mas ainda falta pessoal especializado para proporcionar resultados a essas condições. E área para a expansão do armazenamento de documentos. Espero que a Secretaria de Cultura dê continuidade ao que já foi realizado.

Circulei também pela primeira loja de Y. Yamada, transformada em sede central com a expansão do grupo. Dupla tristeza: pela ausência de clientes e pela extrema pobreza de mercadorias em oferta. É um contraste com as instalações. Só há alguma vida no primeiro andar. O acesso aos demais está fechado.

O cenário é de ocaso na direção do fim. A tentativa de reconstituir o antigo império é impossível. Quase impossível é o recomeço, mesmo que em escala minúscula. Concorrentes surgiram e o “atacarejo” está saindo da periferia metropolitana para o centro da capital. O mercado mudou, enquanto a Yamada encolheu. A equação é inexorável.

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