Sexta, 20 Abril 2018 18:59

A greve e o povo

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A greve é um legítimo instrumento de luta dos trabalhadores. Ela está regulamentada por lei. Deve ser usada conforme os interesses de cada categoria profissional, ou mesmo na amplitude máxima de uma greve geral. Mas deve se ajustar às normas legais.

Os motoristas de ônibus urbanos têm uma longa tradição de greve em função das suas condições de trabalho adversas. A população apoia os seus movimentos quando eles defendem a melhoria do exercício profissional e da qualidade do serviço prestado aos usuários. Mas também repudia o que fazem quando há a desconfiança de uma ação orquestrada com os patrões para o reajuste de tarifa. Ou quando se excedem.

Greve em serviço tão essencial, que afeta a vida sobretudo dos mais pobres, sem alternativa à condução coletiva, tem que ser muito bem avaliada antes de ser desencadeada. A devida consideração pelos transtornos causados aos que precisam desse transporte para suas tarefas cotidianos costuma ser colocada em segundo plano, É o que se observa mais uma vez, desde ontem, pelo sofrimento de um milhão de cidadãos da terrível região metropolitana de Belém.

A correta determinação judicial foi para a manutenção em atividade de 80% da frota. A ordem virou piada de mau gosto: a paralisação é que foi além de 80%. Caracterizada a burla, a justiça deveria puni-la da forma mais gravosa que a lei prevê contra os organizadores da greve.

A responsabilidade pelo cumprimento da lei não é só da justiça. A ausência mais lamentável á a do poder executivo. Transporte coletivo é concessão pública. Diante da previsão de uma greve, o poder concedente deveria chamar os concessionários para uma conversa séria em torno das reivindicações dos trabalhadores. obrigando o atendimento onde ele se mostrar necessário.

Além de arbitrar as negociações para impedir a paralisação, o poder público tem que se preparar para a greve na medida da sua realidade. Deve colocar nas ruas o máximo do efetivo de que dispõe para impedir os piquetes e prender quem pratica violência contra os motoristas que querem trabalhar, garantindo a saída e a circulação de ônibus conforme a determinação judicial.

Pessoal do governo teria que girar pela cidade para atender a população desassistida e combater os exploradores de sempre, como os donos de vans e outros transportes alternativos. Tudo com o objetivo de minimizar a metafórica ostra, jogada de um lado para outro entre o mar e a rocha.

Ler 142 vezes Última modificação em Quarta, 09 Janeiro 2019 19:00

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