Sábado, 21 Abril 2018 19:12

Gueiros critica processo

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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O ex-vice-governador do Estado, Hélio Gueiros Filho, voltou a denunciar, em texto publiado no Facebook, o que considera tratamento parcial e tendencioso dado ao filho no processo em que ele é apontado como autor de crime de feminicídio. Hélio Gueiros Neto responde em juizo pelo assassinato da esposa, Renata Cardim, em 2015. O pai reclama de cerceamento do direito de defesa.

Segue-se seu texto.

Ontem se realizou a audiência de instrução e julgamento na ação em que meu filho foi denunciado pelo nobre promotor Edson Cardoso de Souza de cometer o crime de feminicídio. Para minha surpresa, foram impedidas de adentrar ao Fórum Criminal, entre outras pessoas que foram prestar solidariedade ao Hélio, a minha mulher e mãe do Hélio, Mônica Gueiros; a minha mãe, a professora de Filosofia da UFPA aposentada, Therezinha Moraes Gueiros, ex-primeira dama do Estado e ex-secretária de Educação do Estado e da Prefeitura de Belém; e minha tia, professora universitária de História aposentada e ex-pró reitora da UFPA, Ruth Moraes. Uma mãe não poder ser solidária ao filho, a avó e a tia-avó, ambas já na casa de 8 décadas de vida, não poderem acompanhar o Neto, é lastimável e inacreditável. Não estou falando de entrar na sala de audiências, quero deixar claro que elas não puderam circular pelos corredores do Fórum Criminal.
Minha tia, que recentemente implantou um stent no coração, passou mal e tiveram a delicadeza, depois de deixá-las horas em pé, de ceder uma cadeira para acomodá-la na portaria do Fórum. Ao pedir a gentileza de arrumar mais uma cadeira para a SUA sogra, a Mônica foi informada que isso só aconteceria se minha mãe, também, passasse mal. Eu nunca ouvi falar da minha vida que impedissem a família de alguém de acompanhá-lo até a sala de audiências no Fórum Criminal, mas tudo acontece nessa ação contra o meu filho.

Em compensação, a mãe, a irmã, o irmão e – pasmem – até a babá da família da Renata, que não era testemunha, teve trânsito livre para ir até a sala de audiências, assim, como, evidentemente as repórteres surucucus do Grupo Liberal que, para o meu desassossego, não quiseram me entrevistar.

Ficou evidente que a intenção era isolar o meu filho, não permitir que ele tivesse apoio, mas, para o infortúnio de seus algozes, eu sou advogado e um tio meu, muito chegado, Samuel Moraes, é defensor público, por isso pudemos acompanhar o Hélio.

SURPRESA
Para a minha surpresa, não consegui enxergar o nobre promotor Edson Cardoso de Souza, que prometeu levar meu filho ao ominoso banco dos réus, mas pude reconhecer outro nobre promotor, o doutor José Maria, vizinho e companheiro de academia de ginástica da senhora Socorro Cardim. É impressionante como a senhora Socorro possui amigos importantes, que lhe são solidários em momentos difíceis. Ausente também, por motivos de saúde, a nobre titular da Vara, doutora Rubilene Silva Rosário. Eu espero que a nobre doutora Rubilene recupere-se logo dessa doença que tanto lhe impede de trabalhar. Meus sinceros votos de pronto restabelecimento.

MÁ SORTE
Meu filho, indubitavelmente, é um sujeito desprovido de sorte. Quando houve o inquérito, o delegado Rolo, mesmo tendo dois laudos do IML que diziam ter sido a morte natural, preferiu juntar, no último dia em que os autos estiveram em seu poder, o parecer no médico do Habib’s e, fundamentado nessa eloquente peça científica, pediu o seu indiciamento e a prisão do Hélio. Por descuido, o delegado Rolo enviou o inquérito a um juiz incompetente, mas como eu tive a oportunidade de escrever, nesse Facebook, que ele equivocou-se, prontamente o erro foi corrigido e meu filho, porque o juiz competente não entendeu ser necessária a prisão.

Vejam como a história quase se repete. Que falta de sorte! A data designada para ouvir o médico do Habib’s no Rio de Janeiro, embora o Rio de Janeiro não tenha nada a ver com a ação (o legista veio a Belém para fazer seu parecer), foi dia 17 de abril, então, como o meu filho não poderia lá estar presente, porque tinha uma audiência, da mesma ação, em Belém, ao invés de adiarem a audiência de Belém, sabiamente, adiaram a do Rio de Janeiro.

Existe uma ordem para a oitiva de testemunhas, assistentes e peritos. O último a depor, para que as controvérsias apresentadas pela acusação e defesa sejam dirimidas, é o perito do juízo, no caso os legistas do IML. Nessa ação contra o meu filho, mais uma vez, o médico do caso Habib’s, daria a última palavra. Meu filho é realmente muito azarado. Felizmente o acaso sorriu dessa vez, e não houve tempo hábil de se chegar aos médicos do IML. Eu espero que da próxima vez o perito assistente da acusação já tenha sido ouvido em Belém, onde ele realizou o serviço, já que o Rio de Janeiro não faz parte, em hipótese alguma, dessa ação.

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