Sábado, 21 Abril 2018 19:15

Fim do bunker do BNDES?

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A Polícia Federal poderá colocar nas ruas, a qualquer momento, uma das suas maiores operações contra a corrupção em todos os tempos. Não será mais no âmbito da Lava-Jato. Talvez seja no curso de uma investigação que pode vir a ser maior: é o decisivo desdobramento da Operação Bullish, que investiga a maior das caixas pretas do Brasil. Ela remanesce depois da abertura dos segredos da Petrobrás na relação promíscua com as 13 maiores empreiteiras nacionais que lhe prestavam serviços.

Em maio do ano passado, a PF obteve provas que podem permitir entrar nos segredos mais graves e monumentais do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, um agente de investimentos públicos em setores da economia maior do que o próprio Banco Mundial pelo volume de dinheiro que aplica.

Durante os 16 anos de governo petista (Lula e Dilma), o banco investiu pesado para que surgissem as multinacionais brasileiras, capazes de concorrer no mercado internacional no topo do setor. Para se ter uma ideia do tamanho do programa, só do tesouro nacional saíram pelo menos 500 bilhões de reais nesse período, intensificado nos seis anos (abreviados) de Dilma Rousseff.

Nunca houve nada parecido em todo mundo, com o perfil dessas transações. Mais do que pedaladas fiscais, que levaram ao impeachment da presidente, grosseiras manobras contábeis permitiram a fantasiosa escrituração desse fluxo (ironizada pelos que acompanharam essas manobras em vários países), culminando na sangria desatada dos cofres públicos – e na desmoralização das suas contas. Só depois da queda de Dilma o BNDES começou a devolver o dinheiro. A tarefa é árdua e vai demandar ainda muito tempo até a completa quitação, se acontecer.

Talvez esse reduto supere – e muito – a corrupção praticada em torno da Petrobrás, que é a maior empresa do Brasil. Como é, então, que o escândalo ainda não explodiu de uma vez?

Parecia que o tumor seria lancetado por Maria Sílvia Marques Bastos, vitoriosa executiva (na iniciativa privada e no governo), indicada por Temer para a presidência do banco estatal. Mas ela nem conseguiu esquentar o lugar. Teve que pedir para sair. No seu lugar entrou Paulo Rabello de Castro, o primeiro presidente do BNDES que deixou o cargo para se tornar político, e logo como candidato a presidente da república, depois de esbanjar populismo e demagogia no banco.

Os principais assinantes de delação premiada evitaram tocar na chapa quente do BNDES. Principalmente o maior deles, Joesley Batista, tratado por “cowboy” pelas esquinas do banco. Só Marcelo Odebrecht, já numa operação suicida, que visava atingir mais a própria Odebrecht do que os visados explícitos por suas confissões, abriu um pouco o véu de acobertamento sobre uma imensa bomba pronta para explodir.

O detonador veio pela documentação a que a Polícia Federal teve acesso a partir da descoberta de mensagns por e-mails entre alguns dos principais executivos do banco. Desde maio a PF reúne material que pode estourar a proteção blindada, revelar aos incrédulos, com todas as provas que eles exigirem, a ais nefasta de todas as ações de Lula e Dilma na presidência da república e, quem sabe, levar à cadeia colarinhos brancos de alto coturno que pareciam protegidos em lugares inexpugnáveis.

Quem ler a longa reportagem (de 9 páginas) da última edição da revista Época vai perceber que a nova ação da Polícia Federal é iminente. O vazamento de documentos deve ter ido o propósito de impedir que a investida venha a ser barrada à última hora, mais uma vez impedindo que o país descubra o que realmente aconteceu no BNDES nos últimos anos.

Quem for podre que se quebre, para o bem do Brasil.

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