Segunda, 23 Abril 2018 19:36

O lixão e a política

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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No início do mês passado, o senador Jader Barbalho tomou uma iniciativa inusitada. Através de mandado de segurança, requereu a suspensão de quatro processos que investigam a prática de crimes em torno do aterro sanitário de Marituba. Ele se apressou em se declarar relacionado aos processos, alegando que teria sido citado em uma das interceptações telefônicas feitas com autorização da justiça.

A promotora Marcela Christine Ferreira de Melo estranhou o procedimento do senador. Ele não é investigado porque seu nome sequer foi citado nas conversas grampeadas. A única menção era ao filho dele, Helder Barbalho.

O mandado de segurança foi concedido em caráter liminar, mas suspendendo apenas uma das ações, exatamente aquela em que o nome de Helder é citado. Por considerar que o ex-governador não possui legitimidade para pleitear a suspensão de processos, e, por esse motivo, não tem como demonstrar direito líquido e certo para obter a liminar, que exige esses pressupostos, a promotora pediu a revogação do mandado.

Agora, ela completou a iniciativa ao pedir à juíza da vara criminal de Marituba que os processos saiam da jurisdição do Tribunal de Justiça do Estado para o Supremo Tribunal Federal. A razão do pedido é justamente a citação do nome de Helder Barbalho nas investigações da operação Gamacho, que investiga o aterro, que serve a toda região metropolitana de Belém.

Alega o MPE que embora Helder tenha se demitido do cargo de ministro da Integração Nacional para poder se candidatar ao governo do Pará, no dia 7, o pedido do seu indiciamento foi protocolado antes, no dia 27 de março, quando ele ainda era titular da pasta.

O MP informa que o nome do ex-ministro é mencionado em conversa de um dos alvos da investigação, Cláudio Toscano, que exercia papel de direção dentro do aterro de Marituba, que pertence às empresas Solvi, Vega e Guamá Tratamento de Resíduos.

“Diante das evidências, entendemos que existem indícios suficientes para levar o processo para a corte superior e a necessidade de se iniciar uma investigação sobre a ligação entre o ministro e o empresário Cláudio Toscano”, que seria a ponte entre o ex-prefeito de Ananindeua e as empresas, conjugando interesses mútuos.

O portal G1 Pará, que já publicou a informação, recebeu uma nota na qual o ex-ministro classifica a denúncia como descabida. Lembra que a licença ambiental do lixão de Marituba foi concedida pelo atual governador, Simão Jatene, do PSDB. Ressalta ainda que “nenhuma Prefeitura que utiliza o aterro tem relações com o MDB”.

Argumenta o ex-ministro não ser sua prática “facilitar a vida de empresas, ao contrário: nossos adversários é que são lenientes e estão no centro do maior escândalo ambiental do Pará, o vazamento provocado em Barcarena pela multinacional norueguesa Hydro. Por tudo isso, considero esta especulação totalmente política, com o objetivo de atingir minha pré-candidatura ao governo do estado”.

A campanha eleitoral começa a esquentar mais rapidamente.

COMPLEMENTO

Recebi e reproduzo a nota completa de Helder Barbalho:

“Esta denúncia é descabida. A licença ambiental do Aterro de Marituba foi concedida pelo atual governador, Simão Jatene, do PSDB.

Nenhuma Prefeitura que utiliza o aterro tem relações com o MDB.

O grupo empresarial citado doou à campanha de Simão Jatene em 2014 quase R$ 1,3 milhão – e nenhum centavo para nossa campanha.

Não é minha prática facilitar a vida de empresas, ao contrário: nossos adversários é que são lenientes e estão no centro do maior escândalo ambiental do Pará, o vazamento provocado em Barcarena pela multinacional norueguesa Hydro.

Por tudo isso, considero esta especulação totalmente política, com o objetivo de atingir minha pré-candidatura ao governo do estado.”

Helder Barbalho

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