Sábado, 28 Abril 2018 20:15

Primeira aula do “golpe”

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A Universidade de Brasília, berço da ideia, abrigou a primeira aula da disciplina (ou curso) intitulada “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, no dia 5 de março. O registro da atividade garantiu que não houve protestos nem tumulto, mas seus idealizadores adotaram medidas de precaução.

Segundo o noticiário então publicado pelo jornal O Globo, o professor Luis Felipe Miguel “orientou os alunos a não gravarem as aulas. O temor é que haja deturpações do que for falado em sala. Pessoas estranhas à disciplina, não matriculadas regularmente, como jornalistas, foram convidados a deixar a sala”.

Na UnB a atividade foi classificada mesmo como disciplina e não como curso livre, a opção dos idealizadores na Universidade Federal do Pará à adoção da disciplina no currículo, mesmo na forma eletiva.

— A Universidade de Brasília não contempla a possibilidade de aluno que não esteja regularmente matriculado. Não existe a categoria “ouvinte” — afirmou o professor no começo da aula.

— É uma aula normal. Há um alvoroço artificial. Vou dar minha aula como sempre fiz – disse o professor após o fim da primeira aula em breve declaração aos jornalistas que aguardavam do lado de fora.

Outra medida tomada para evitar problemas foi a troca de sala. O sistema da UnB ainda informa a sala onde inicialmente a disciplina seria ministrada. Mas, por e-mail, os alunos matriculados foram informados da mudança. As aulas vão até 2 de julho e ocorrerão toda segunda e quarta-feira pela manhã.

A aluna Aline Nóbrega, que faz História na UnB, aprovou a aula. Segundo ela, o clima na sala foi tranquilo. Nesta primeira aula, houve uma apresentação da disciplina e de alguns conceitos básicos. O professor também deixou os alunos livres para discordar dele e esclareceu que isso não vai prejudicar a avaliação.

— Foi muito bacana. Ele trouxe as regras. Orientou algumas medidas de segurança, como não gravar a aula —- disse Aline, acrescentando: — Ele nos deixou à vontade para oposição de pensamento.

A ementa da disciplina, que já era pública, diz: “A disciplina tem três objetivos complementares: (1) Entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff. (2) Analisar o governo presidido por Michel Temer e investigar o que sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sistema político no Brasil. (3) Perscrutar os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de reforço da resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil.”

Em nota, a UnB disse que “a proposta de criação de disciplinas, bem como suas respectivas ementas, é de responsabilidade das unidades acadêmicas, que têm autonomia para propor e aprovar conteúdos, em seus órgãos colegiados”.

Também destacou que a disciplina “é optativa, não integrando a grade obrigatória de nenhum curso”.

Por fim, ressaltou que “reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e opinião – valores fundamentais para as universidades, que são espaços, por excelência, para o debate de ideias em um Estado democrático”.

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