Quarta, 14 Março 2018 10:53

O impeachment (10)

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

O CIRCO SENATORIAL

(1/9/2016)

O Senado se transformou num circo a partir do momento em que o esdrúxulo pedido de destaque para a votação em duas etapas da punição prevista no processo de impeachment da então presidente afastada Dilma Rousseff foi acolhido pelo presidente da sessão e presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

O que até então era um procedimento que respeitava as duas principais garantias de direito – o devido processo legal e a ampla defesa do réu – ainda que sujeito a controvérsias extremadas e apaixonadas, virou uma farsa, um espetáculo mambembe de pantomima, um striptease jurídico, uma fraude política. Violada a Constituição, tudo passou a ser permitido, com espetáculos de hipocrisia explícita.

É a hora certa para a presença do humor. E, justiça se faça, ele veio solitariamente pela boca do senador Tasso Jereissatti, do PSDB do Ceará. Antes de falar sobre o impeachment, ele disse ao plenário que estava surpreso. Pensava que (Émile) Zola tivera nascido na França. Mas, momentos antes, constatara que ele era da Paraíba, criado no Rio de Janeiro.

Não sei se todos os seus colegas captaram a ironia. Ele se referia ao senador petista Lindbergh Farias, que fabricara um pastiche do famoso libelo do escritor e jornalista francês, em defesa do capitão Dreyfuss, o Eu acuso. Lindbergh, líder dos caras-pintadas no impeachment de Collor, duas décadas antes, se tornara uma reprodução tragicômica de si mesmo, conspurcando com seu libelo postiço a pungência do texto de Zola.

Ler 122 vezes

Comments fornecido por CComment