Quinta, 15 Março 2018 11:08

Mandarins?

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Os juízes federais têm direito a auxílio-moradia, que atualmente vale 4.4 mil reais, e a aumento nos seus salários, que estão defasados. É verdade. Mas os juízes federais não têm direito de grevar, como estão fazendo neste momento.

O salário bruto (sem descontos) de um juiz federal em início de carreira, é de R$ 27,5 mil. Os integrantes da carreira jurídica têm, graças ao bacharelismo que ainda impera no país, os melhores vencimentos do serviço público.

Logo, ao invés da paralisação, à qual aderiram os juízes trabalhistas e procuradores federais, podem suportar uma demanda judicial, que, se demorada, não deixa de funcionar como feitiço contra o feiticeiro. Têm gordura para queimar, ao contrário da imensa maioria dos cidadãos brasileiros, cujo corte orçamentário já atingiu-lhe os ossos.

Mesmo os magistrados que possuem imóvel próprio no local em que atuam recebem o auxílio. Alegam que, além de ser legal, sua moralidade se baseia na existência da defasagem, gerada por anos sem o devido reajuste dos salários.

A moralidade vai água abaixo e se sobrepõe à legalidade pelos salários da magistratura, suficientemente digno para lhe possibilitar o bom desempenho do seu ofício. Devem lutar por melhorias, mas não através de uma greve.

Se contar com a adesão que os promotores do ato esperam, a paralisação vai mostrar ao cidadão comum como é ocioso, supérfluo ou desnecessário o serviço jurídico. A outros, estimulará a apuração com rigor dos desvios e irregularidades que dão à magistratura a aparência de um mandarinato, inaceitável num país com  graves dificuldades, como está o Brasil.

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