Quinta, 22 Março 2018 23:00

O fator amazônico

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

O blecaute de ontem foi um dos mais graves na já longa história de interrupção acidental no fornecimento de energia elétrica no Brasil. Um quarto de toda energia do país saiu da operação, atingindo integralmente 14 Estados do Norte e Nordeste, e prejudicando oito. O apagão durou de uma a quase seis horas, conforme a distância entre a unidade consumidora e o local de geração da energia.

A causa já foi identificada. Por alguma falha ainda não devidamente apurada, o sistema de proteção fez disparar o disjuntor quando a energia passava da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, para a estação da Belo Monte Transmissora. São dois sistemas distintos,. operados por duas empresas diferentes. O problema já fora detectado nas duas usinas do rio Madeira, em Rondônia, a Jirau e a Santo Antônio.

A empresa chinesa State Grid e a Eletrobrás, ambas estatais, responsáveis pela construção do linhão de Belo Monte, que vai do Pará a Minas Gerais, derivando para São Paulo (com mais de dois mil quilômetros, a mesma extensão das hidrelétricas do Madeira, também finalizando em São Paulo), adotaram uma nova tecnologia, a ultra alta tensão, trazida pelos chineses e inédita no Brasil. A inovação deve estar cobrando o seu peço.

Mas há uma questão ainda mais preocupante. Cada vez mais o Brasil depende de enormes hidrelétricas instaladas em rios amazônicos. Para chegar aos maiores consumidores nacionais, essa energia tem que seguir por extensas linhas de transmissão, das maiores do mundo. Elas são mesmo confiáveis? O investimento feito nelas é de qualidade? O monitoramento é eficaz?

Se a Amazônia sofre com a implantação dessas usinas paquidérmicas em rincões do interior da região, os consumidores, no sul do país, deverão experimentar os custos dessas imensas cargas de energia seguindo por grandes distâncias.

Ler 22 vezes

Comments fornecido por CComment