Quinta, 01 Fevereiro 2018 13:52

O carnaval surreal

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

A Aldeia Cabana  Davi Miguel completa agora 20 anos. Foi construída para ser a versão belenense do Sambódromo do Rio de Janeiro, que é um sucesso desde a origem.

Na data natalícia, recebe um golpe mortal: o carnaval da capital paraense foi transferido para a avenida Marechal Hermes, no curto trecho de um quarteirão em que ela se chama Ruy Barata, o poeta. Para tristeza da Pedreira do samba e do amor, e alegria dos que não são carnavalescos, o local ficará abandonado. De vez? Melhor ser implodido?

Belém se excede em surrealismo e absurdo. Até o arquiteto (quando prefeito) Edmilson Rodrigues mandar construir um espaço específico para a maior festa popular do país, o desfile acontecia em avenidas da cidade: Presidente Vargas, Doca e novamente Presidente Vargas. Seus moradores, atormentados pelo barulho ensurdecedor, conseguiram forçar a prefeitura a encontrar um lugar específico para confinar a folia de rua.

Claro que o barulho não terminou, só mudou de bairro. Escolheu-se a Pedreira por sua tradição festeira. Muitos aplaudiram a iniciativa. Outros a detestaram. Os imóveis se desvalorizaram. Um dos que mais sofreu recentemente foi um prédio residencial pretensamente sofisticado que Romulo Maiorana Júnior construiu na vizinhança da Aldeia Cabana.

Vários compradores devolveram seus imóveis. Não foi possível saber se esse fato teve alguma influência na decisão do prefeito Zenaldo Coutinho, do PSDB, partido que mantém – ou mantinha – completa aliança com o grupo Liberal, ao menos quando era comandado por “Rominho”.

Só pode dizer que não haverá barulho além  dos limites da área da Marechal Hermes, entre o Beira-Rio (também obra de Edmilson) e a Doca, quem não ouviu a barulheira do primeiro ensaio geral. O ruído se propaga por quadras e quadras, como acontecia na Aldeia Cabana. Logo, surgirão as queixas, como nos capítulos anteriores dessa novela mexicana (ao tucupi).

Quanto à segurança, se a prefeitura e o governo podem agora controlar a entrada e saída dos que quiserem ver o carnaval ou dele participar, dizem que renascido das cinzas pelo retorno da verba de subsídio municipal e estadual (claro: é ano de eleição), podiam também agir da mesma maneira na Aldeia. Bastava querer.

Justificativas à parte, razões e irracionalidades de lado, uma coisa é certa: deslocado para uma área improvisada, o carnaval deste ano será mais caro para uns e mais rentável para outros, uns o exaltando e outros o criticando, sem que a festa continue no seu caminho de incertezas, decadência e absurdos – como quase tudo que é oficial ou político na Belém surrealista.

Ler 22 vezes

Comments fornecido por CComment