Domingo, 04 Fevereiro 2018 14:46

Carnaval, desengano

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Na semana em que o carnaval estará fervendo ainda mais nas principais capitais do Brasil, Belém já estará na quarta-feira de cinzas. Pelo menos o carnaval oficial ou de rua. Por que esse aparente absurdo? Efeito de pragmatismo combinado com realismo? O carnaval na capital paraense, que já foi dos mais animados intensos do país, morre aos poucos – e de morte matada. É a versão com purpurina da matança cometida no futebol pelos cartolas.

Sofre eventuais ressurreições à conta do dinheiro público, sobretudo em ano de eleição, como este de 2018. Para, logo em seguida, voltar à tumba. São Paulo, que anuncia reunir quatro milhões de brincantes nestes dois dias, tem o direito de proclamar que transferiu para Belém o título de túmulo do samba, com o aval de Caetano Veloso.

Todos se curvam à constatação de que esse simulacro de desfile de escolas de samba, que só tem valor pelo estoicismo e dedicação de alguns (e esperteza de outros), é um fiasco. Convém confiná-lo à semana anterior à do auge do reinado de Momo. Nesse período, os belenenses vão para todos os lugares, inclusive para o cada vez mais concorrido interior do Estado, que agradece e fatura, ainda que em versões bárbaras, selvagens.

Belém fica uma cidade ainda mais morta pela declaração de ponto facultativo, o que é uma insensatez no caso do município, já que o ato de “pernas pro ar que ninguém é de ferro” drena dinheiro dos munícipes para outros cantos (e até para o exterior). Era mais inteligente que todos sambassem no batente do trabalho, como fazia São Paulo, antes de se dar conta de que o carnaval pode ser um grande negócio, mensurável por bilhões de reais em função da grandeza da cidade e do poder magnetizante de um bom investimento na folia.

Até no carnaval, demonstramos nossa incompetência.

Evoé, Baco!

Ler 20 vezes

Comments fornecido por CComment