Quarta, 07 Fevereiro 2018 15:51

O que vai desabar em Belém?

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Quantas construções antigas desabarão durante o rigoroso inverno deste ano em Belém?

Tomara que nenhuma, mas algumas estão sob a lâmina da guilhotina dos maus tratos da sociedade e da incúria do poder público. O principal alvo das atenções é o palacete Faciola, uma linda construção neoclássica que tenta sobreviver na esquina da avenida Nazaré com a Doutor Morais.

Sua restauração deveria ter sido concluída em 2016, ao custo de 8,8 milhões de reais. Mas a construção foi apenas escorada e as fendas na sua parede grampeadas. A obra que começou pelos fundos do casarão parou.

O projeto não foi incluída no programa das cidades históricas do governo federal, que previa a aplicação de R$ 47 milhões em Belém. Por excesso de burocracia, incompetência ou mais bofes de quem podia ter acionado os processos, o dinheiro pode passar ao largo.

O Ministério Público do Estado se mexe na tentativa de forçar a Secretaria de Cultura do Estado, chefiada desde a origem do mundo por Paulo Chaves Fernandes, a cumprir o compromisso assumido. Mas se der boa safra, o trabalho só recomeçará em 2019. O prazo já foi combinado com os russos, que mandaram chover tanto neste ano?

De tanto circular em torno de outro palacete afim, o do largo de Nazaré, cujo último dono declarado foi o médico Dioclécio Correa, algumas vezes encontrei com sua herdeira, da mesma família, a de Antonio Faciola, dona do palacete próximo. Disse-lhe que vinha fazendo campanha pela compra, pelo poder público, do magnífico casarão, ainda bem conservado.

Ela me pediu para não fazer isso. “Já basta o que estão nos fazendo no outro imóvel”, disse ela, reclamando pelo pagamento da indenização.

Portano, arquitetos, engenheiros e demais amigos de Belém: organizem uma expedição para identificar os prédios de valor histórico e arquitetônico que podem ir abaixo com as chuvas desta temporada. Vamos fazer uma campanha pela sobrevivência desse patrimônio.

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