Quinta, 08 Fevereiro 2018 16:25

Em má companhia

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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É piada de muito mau gosto, onerosa para o erário e desonrosa para o serviço público, a nomeação do filho do deputado federal Wladimir Costa para o cargo de delegado federal no Pará da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário.

Yorran Costa tem apenas 22 anos. Ainda é estudante de direito e gestão pública em uma instituição particular de ensino superior em Belém. Jamais teve qualquer relação com, as questões que passarão – ou passariam – para a sua jurisdição. Sua biografia é paupérrima de realizações. Vive à sombra do pai, presidindo no Estado o partido ao qual Wladé filiado.

Essas secretarias são cabides de emprego e moeda de troca em transações de interesse privado ou grupal. É assim já há algum tempo. Mas Michel Temer tem caprichado em escolher – ou admitir – gente ruim, como Yorran.

Mas é abusiva a interferência da justiça na competência exclusiva do presidente da república, que é a de nomear quem quiser para cargos de confiança. Ao serem escolhidas pelo chefe do poder executivo, no exercício de competência absolutamente legal, os nomeados provam que são de sua confiança pessoal. Mas podem ser de desconfiança coletiva.

É então que um cidadão pode – e deve – recorrer à justiça para despejar o intruso, despreparado e desqualificado para a função. Ao meu ver, não caberia à juíza substituta da 5ª vara federal do Pará, Mariana Garcia Cunha, determinar que Yorran apresente, no prazo de cinco dias, informações comprovando estar qualificado para o cargo.

A verificação prévia é de quem o indicou para o cargo. A contestação sobre a qualificação tem que ser pós-fato. Não só porque manda a lei como para que o cidadão conheça melhor quem é o responsável por esse desatino – ou todos os responsáveis. Aí o povo aplicará sua regra: diz-me com quem andas e te direi quem és.

Com quem anda Temer?

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