Quinta, 15 Fevereiro 2018 18:41

Carnaval de quarta-feira de cinzas

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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No ano passado, Belém não teve desfile de escola de samba, o item oficial da pífia programação carnavalesca da cidade. Já o carnaval deste ano foi muito pior, beirando o horroroso. E a prefeitura, que se negara a abrir os cofres públicos para as escolas em 2017, agora gastou 3,2 milhões só de subsídio.

O lunático que organizou o desfile o levou do lugar criado especificamente para abrigar a exibição das escolas, na Aldeia Cabana, seja bom ou ruim, para outro ponto visivelmente desaconselhável para esse espetáculo, no toco de avenida entre o Ver-o-Rio e a Doca, um quarteirão que separa as desigualdades da cidade.

Pela primeira vez os brincantes foram isolados pela cheia, que atormenta as baixadas, pela improvisação e por tantos erros que a festa parece ter retrocedido à década de 1950, quando era feita à base da improvisação e precariedade.

Também houve um programa inusitado: blocos carnavalescos se apresentando num palco fixo no Centur e os assistentes atados às suas cadeiras, vendo passivamente o espetáculo. Kafka, Becket ou Ionesco apreciariam a cena.

Ela me fez relembrar a primeira cobertura de carnaval que fiz em São Paulo, em 1969. Na sede da Portuguesa dos Desportos, o som vinha de uma super “eletrola”. As pessoas arrastavam o pé pelo salão. O momento mais movimentado acontecia quando alguém batia com martelinho de plástico em outro alguém.

Vamos combinar? Ou se entrega o assunto a quem entende e se lhe fornecem os meios para executar o que for planejado, ou se aceita que Belém é o túmulo do samba e se passa direto para a quarta-feira de cinzas.

(Este artigo demorou a sair porque a internet foi  pular o carnaval em Miami.)

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