Sexta, 16 Fevereiro 2018 11:09

Para onde vamos?

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Um homem astuto, experiente e maquiavélico, que conhece os caminhos e descaminhos do poder como poucos, habita os palácios do executivo federal em Brasília. Mas estadista Michel Temer não é.

Político de mesquinhas proporções, de alcance limitado de visão, ele tomou uma decisão de extrema gravidade sem se ter preparado e ao seu governo, muito menos a opinião pública, para o tamanho da medida adotada em relação ao Rio de Janeiro.

Não é uma intervenção militar: é uma intervenção federal. Preciosismo de valor meramente formal. Na prática, não terá diferença, como se verá quando a medida começar a ser aplicada.

De que forma, com quais efetivos, até que limites – isto e muito mais quase ninguém sabe, inclusive os que inspiraram ou executaram a providência. Simplesmente porque ela será tomada pela primeira vez, depois de exatamente 30 anos sob a proteção da “constituição cidadã” do “doutor Ulysses”, de 1988.

Se os militares que participarem da intervenção matarem civis no choque com as milícias nos morros cariocas, ou mesmo bandidos, estarão sujeitas apenas ao código penal militar. Nesse caso, estarão desempenhando seu ofício mesmo que as vítimas de sua ação forem civis nacionais e não invasores estrangeiros ou o que seja numa guerra convencional.

Para ser operacional, as forças armadas saem dos quartéis com um pressuposto: do lado de lá estão os inimigos; do lado de cá, os aliados. É assim que são treinadas.No caso do Rio, elas já foram 13 vezes em 10 anos aos morros, ajustando-se ao teatro de operações. Qual o resultado?Pífio.

Uma estrutura pesada e cara mobilizada para subir os morros voltava com meia dúzia de pés-de-chinelo para exibir à imprensa. O saldo nunca foi positivo. A bandidagem continuou a crescer, se sofisticar e abusar da audácia a ponto de, finalmente, conseguir o reconhecimento da sua vitória no confronto com as forças da segurança pública.

Se a federalização da segurança estadual do Rio de Janeiro foi adotada tanto para combater as milícias de criminosos encasteladas nas favelas, de densidade populacional asiática (e quase reprodução atualizada e urbanizada do despotismo oriental), como para lancetar o tumor da corrupção nas forças da segurança pública, então preparem-se os cariocas para o que acontecerá: tudo ficará pior do que o inferno de hoje.

Em plena democracia, há uma reversão às bases do regime de exceção, no qual o mais coerente instrumento é a doutrina de segurança nacional.

Mas se tudo está sendo feito para impressionar a sociedade e desviar a sua atenção dos incidentes de corrupção – e da presença do próprio Temer nesses incidentes, de forma cada vez mais grave – então fica difícil encarar como drama o que seria, no fundo, uma comédia pastelão.

Ler 151 vezes

Comments fornecido por CComment