Domingo, 25 Fevereiro 2018 12:32

O custo do futuro

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Depois do movimento de saída de Belém para os condomínios – fechados ou não – na área metropolitana da capital paraense, observa-se agora um refluxo: muitos desses moradores, que buscavam mais tranquilidade e segurança, agora voltam ao perímetro central da cidade, mesmo preocupados com a situação de violência.

Há um motivo secundário: a imposição dos adolescentes, que preferem estar mais próximos dos pontos de entretenimento e diversão, ainda concentrados na faixa mais urbanizada do espaço municipal. O principal fator, porém, é o caos do trânsito pelas artérias que ligam Belém às suas extensões metropolitanas.

Percursos que poderiam ser feitos em 20 ou 30 minutos podem demorar até duas horas. O ir e vir acontece por autênticas via crucis, com suas estações de padecimento (como as obsoletas e absurdas do BRT na avenida Almirante Barroso);

O pior é a incerteza sobre o tempo necessário para percorrer as distâncias nos trajetos de todos os dias para os que precisam recorrer à BR-316 ou à Augusto Montenegro, os dois principais eixos dessa região.

As obras em andamento para permitir mais mobilidade seguem com tanta lentidão que, depois de atormentar os seus usuários com sua precariedade, dificilmente beneficiarão aqueles que desistiram de se submeter à tortura cotidiana, agravada pela falta de qualquer racionalidade na situação.

Às vezes se formam congestionamentos por razões irracionais ou sem razão. Uma colisão de veículos, um atropelamento ou qualquer acidente é suficiente para provocar filas enormes. Quando chove, a situação se agrava em certos trechos, como na parada de ônibus à altura do supermercado Líder.

Ali se forma uma verdadeira lagoa, estreitando as vias de circulação e ilhando o passageiro que espera o ônibus. A origem do mal é o entupimento dos bueiros (quando bueiro há), que seria facilmente desobstruído se alguma instância do poder público se dispusesse a realizar esse elementar serviço.

Ou o grupo Líder tomasse a iniciativa de, esquecendo o governo, se conscientizasse da sua responsabilidade social, atendendo o cidadão que sofre à sua ilharga, para usar uma expressão adequada ao caso.

Ou o Ministério Público organizasse uma empreitada para obrigar quem de direito a minorar o padecimento do contribuinte, punido no presente por uma obra que – em futuro incerto e não sabido – vai beneficiá-lo, se ele sobreviver até lá.

Ler 17 vezes

Comments fornecido por CComment