Segunda, 26 Fevereiro 2018 12:45

O pântano está vencendo

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Sou um privilegiado. Por baixo da rua onde moro, no bairro do Reduto, passa uma galeria de águas pluviais e uma rede de esgoto. Estou entre os 8% da população de Belém que dispõe dessa maravilha. Em cidades civilizadas ela atende a população inteira de uma cidade.

Pela galeria, iniciada no tempo dos ingleses da Biyngton,  pode passar um carro. No entanto, não houve ano – dos 40 vivendo na mesma casa – em que não sou presenteado por uma, duas ou mais enchentes, como a de hoje, que me reteve pelo dia inteiro. Eu e milhares de moradores do bairro, talvez o mais peculiar da capital paraense, por combinar tantas funções e tão variados personagens.

Não sei se as ligações das casas e da rua com a galeria estão obstruídas ou se a maré alta nos devolve volumes cada vez maiores de água, ou se tudo se deteriorou por falta de manutenção. O que sei é que estou sempre querendo saber da maré e da chuva para me precaver ou preparar o choro pelo leite derramado, os livros encharcados e outros eventos da rotina de uma cidade que tentou apagar o pântano da sua vista e agora, indo ao fundo, paga o preço por tanta insensatez e desatino.

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