Terça, 27 Fevereiro 2018 12:47

O prefeito na parede

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Se o prefeito Zenaldo Coutinho foi para a entrevista na 1ª edição do Jornal Liberal de hoje esperando a bola ser levantada para ele cortar, como geralmente acontece nessas ocasiões, deve ter se surpreendido. A entrevistadora Priscila Castro foi dura nas perguntas e a repórter de rua, Tainá, foi direta nas perguntas.

Ambas, falando em nome da população ou dando voz a algumas pessoas, cobraram a cota de responsabilidade da prefeitura no alagamento de Belém, que ameaça se repetir hoje e pelos próximos dias, até maio, na estação de chuvas prolongada e intensa.

É impossível evitar que a cidade fique debaixo d’água quando chuva forte coincidir com maré alta. O histórico desse fenômeno é imemorial. Agrava-se quando chove mais e por maior período. Atenua-se em fases de inverno menos molhado.

Mas também fica menos grave quando o administrador de Belém, consciente de se tratar de um fenômeno sazonal de todos os anos, se prepara para enfrentá-lo. Vira tragédia se o prefeito fica desatento e não se antecipa ao inevitável. É o caso da administração Zenaldo Coutinho, já no seu sexto ano, como a entrevistadora não se cansava de ressaltar.

O desespero da população atingida pelas águas é de não ver ao seu lado ou ao seu alcance um braço da prefeitura, uma extensão dos seus segmentos em tese competentes. Não interessa, no auge do sofrimento, perquirir sobre as causas de inundação maior. Esta é numa questão para tratar a seco.

De imediato, o que se deseja é uma equipe desobstruindo bocas de lobo ou agindo debaixo da chuva para impedir o bloqueio do cruzamento de ruas, que aumenta o congestionamento do trânsito. Dois agentes da Semob dispostos a se molhar organizariam o fluxo e tirariam as pessoas da condição de reféns.

Um serviço de botes infláveis transportaria pessoas ilhadas. Bombeiros e agentes da defesa civil teriam que ir aos pontos críticos tentar de alguma maneira ajudar os cidadãos, ao menos para se dar-lhe solidariedade e amparo.

O habitante da cidade teria que ver a presença da administração pública nesse momento de dificuldades extremas e não supor que mentalmente o prefeito e sua equipe estão pensando nos contribuintes.

O ponto mais alto de Belém não chega a 20 metros. A maior parte da cidade está ao nível ou abaixo do nível do mar. O prefeito disse que ontem caíram 80 milímetros – e não 14 – de água, quando havia maré de quase três metros. Talvez haja registros ainda maiores, iguais ou próximos desses valores.

Mais ou menos água, maior ou menor maré, o alagamento das partes baixas da cidade é inevitável. Mas, conforme estejam limpos e operando os diques e comportas, o efeito desse fator natural poderá ser atenuado. Poderá ser menor também se os canais estiverem desobstruídos, velhas drenagens que foram aterradas forem reabertas, o planejamento seja de longo prazo e contínuo e outras medidas – sempre prometidas, sempre transferidas.

Fica ao menos o consolo, da entrevista do prefeito, que para a TV Liberal acabou o namoro com o alcaide tucano. Ou foi temporariamente suspenso. Aproveitemos, enquanto ele não volta.

Ler 20 vezes

Comments fornecido por CComment