Sábado, 06 Janeiro 2018 13:46

A novela da passarela

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A Secretaria de Transporte do Estado garante que a melhor solução para manter de pé a passarela de pedestres no quilômetro 3 da BR-316, em frente à Unama, em Ananindeua,foi instalar um poderoso guindaste – de 100 toneladas – para sustentar a parte da estrutura de aço e concreto, de 16 toneladas, que está condenada desde 2016, pelo menos. Para dar ainda mais confiança ao público, a secretaria diz que a decisão foi partilhada pela defesa civil estadual. Ambas garantem não existir risco de acidente para os que continua a usar essa via, flagrantemente deteriorada.

O guindaste foi alugado, em caráter emergencial e urgente, à empresa Movimento, de Barcarena, a mil reais a diária. O contrato, de 45 dias, resultará em despesa de 45 mil reais. Lá pelo dia 23 de fevereiro, uma nova passarela, já em construção, será instalada no local. Os pedestres poderão voltar a andar tranquilamente por sobre a estrada e, lá embaixo, os condutores de veículos deixarão de se preocupar com a possibilidade de desabamento da estrutura.

Até hoje, porém, a secretaria não explicou o que a impediu de colocar em prática a primeira solução que anunciou: a colocação de faixa de pedestres e de semáforos na própria estrada. Algum tempo atrás, foi essa exatamente a opção adotada quando os carros não puderam mais usar o elevado do Coqueiro de acesso à Cidade Nova, que estava em obras. Um semáforo impediu o avanço dos veículos que trafegavam pela BR na direção de Belém, permitindo o retorno dos que precisavam de uma nova via de acesso à Cidade Nova.

A justificativa dada pela Setran, de que não há semáforos disponíveis na praça, não convence. Não que se duvide da informação. Mesmo que seja verdadeira, a secretaria poderia comprar o equipamento em outra praça, se não quisesse deslocar semáforos de uso menos intenso na região metropolitana da capital paraense. Afinal, esse trecho da BR-316 tem o maior fluxo de tráfego do Pará e, já em perímetro urbano, é um dos mais perigosos.

Alguém pode alegar que, mesmo que essa iniciativa fosse adotada, o uso do guindaste seria inevitável. Sem essa sustentação, a estrutura iria abaixo. No entanto, a Setran não deu essa informação, ao menos quando cogitou da faixa de pedestres e do semáforo.  Parecia que a simples interdição da passarela afastaria a ameaça da sua queda. Uma vez que o guindaste não seria necessário, o trânsito de veículos não ficaria atravancado como agora, com duas das quatro pistas bloqueadas pelo equipamento. Sua presença causa inquietação, inclusive por não ser essa uma cena normal.

Ainda que tudo que a secretaria informou seja correto, já que vai gastar R$ 45 mil com o guindaste, poderia adicionar mais uns poucos mil reais para reforçar a proteção do que mais interessa: a integridade das pessoas.

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