Quarta, 24 Janeiro 2018 16:29

Monteiro Lobato na sessão

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Quando comecei a ler Monteiro Lobato? Sinceramente, não me lembro. Só sei que fui dominando a língua portuguesa pelos livros dele, junto com os primeiros ensinamentos da minha mãe, a maravilhosa dona Iraci. Criança que leu a obra de Monteiro Lobato na primeira infância tem o benefício da esperança.

Também devo confessar que, para mim, o momento mais emocionante das mais de nove horas da sessão de hoje no TRF aconteceu quando Renê Ariel Dotti fez a sustentação oral como patrono da vítima ensanguentada de toda a trama criminosa, a Petrobrás. Dotti é um homem culto, um humanista, do tipo de jurista cada vez mais raro no Brasil, pelo descaso dos cursos universitários para com a filosofia e a teoria do direito.

Desobrigado da tarefa acusatória dos réus, assumida pelo representante do Ministério Público Federal, Dotti se empenhou em alertar para a sangria da nossa maior empresa, criada e consolidada pelo empenho de tantos brasileiros de todas as camadas sociais.

Remontou a 1936, quando Lobato deixou de lado a ficção e a crítica para agir como cidadão, a fustigar as conspirações contra a prospecção petrolífera no Brasil. Por esse empenho, foi para a cadeia e por lá ficou por meses.

O advogado (Fernando Furtado? Esqueci) de Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula, que foi inocentado, falou em seguida. Tentou retrucar com ironia. Disse que o Monteiro Lobato que podia estar ali era o criador, o homem de imaginação, ficcionista, patrono dos acusadores de Lula.

Podia ter permanecido calado. Não deve ter lido o Lobato infantil. Nada sabe sobre o brigador Lobato, homem de ideias, de trabalho e de fé no Brasil. De um lado, o saber haurido na verdadeira cultura. Do outro, uma retórica de falsete informada em orelha de livro. E por essa contraposição se fez justiça na sessão de hoje do TRF de Porto Alegre.

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