Quarta, 30 Janeiro 2019 18:55

Lula e seus irmãos

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Nada de condenável se pode encontrar na decisão de Lula, quando presidente da república, em 2004/2005, de não comparecer ao velório de dois meios-irmãos. Sua relação com os 15, 17, 22 ou 25 filhos (de acordo com as contagens feitas em família) apenas por parte do pai eram distantes e ocasionais, como é comum no Brasil.

Era justo e de direito o seu desejo de ir ao velório de Genival Inácio da Silva, seu irmão de pai e mãe, que morreu ontem, de câncer, aos 79 anos. A juíza federal singular com competência sobre o caso dele em Curitiba e o Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, rejeitaram o pedido de soltura do ex-presidente por razões humanitárias. As duas decisões foram bem fundamentadas, mas obtusas.

Melhor se saiu o presidente do Supremo Tribunal Federal, o polêmico ministro Dias Toffoli. Ele levou em consideração as alegações da Polícia Federal, receosa dos desdobramentos políticos e de ameaça à segurança pública da soltura temporária de Lula. O PT estava convocando a militância e os simpatizantes para dar dimensão política ao velório e ao sepultamento de “Vavá”.

A mobilização se manteve até o momento em que a decisão de Toffoli foi anunciada, três minutos antes da hora marcada para o sepultamento. O mais racional e humanitário seria suspender o ato e preparar o corpo de “Vavá” para resistir ao tempo até a chegada do irmão para a realização dos dois rituais, debaixo das condições mantidas pelo presidente do STF a partir das recomendações da PF: velório num quartel militar, com a participação apenas do círculo mais próximo da família, para evitar tumultos pró ou contra Lula.

Ao invés dessa iniciativa, o sepultamento aconteceu com pontualidade britânica. Lula não poderia participar da despedida final ao irmão, mas poderia se reunir com seus parentes para chorar a perda. No entanto, ele preferiu permanecer na cela adaptada na sede da superintendência da PF, em Curitiba, onde se encontra há quase nove meses, cumprindo pena de 12 anos e um mês pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Qualquer que fosse o desdobramento do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Lula, prosseguiria a subscrição de um abaixo-assinado para indicá-lo ao prêmio Nobel, da paz neste ano. A lista já tem 500 mil assinaturas, segundo a PF.

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