Quarta, 13 Fevereiro 2019 17:25

Os contratos da Pró-Saúde

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A Polícia Federal investiga a Pró-Saúde, através de um dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, pela acusação de viabilizar o desvio dos cofres públicos de 74 milhões de reais na gestão do ex-governador  Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro.

Por que não também no Pará, onde a Pró-Saúde, na condição de Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar – sob contrato de gestão com a secretaria estadual de Saúde Pública – administra oito dos 11 hospitais da sua rede, alguns deles dos melhores do Estado, em nove municípios, três dos quais na região metropolitana de Belém?

A questão vem novamente a público depois da visita de inspeção que o governador Helder Barbalho fez, ontem, ao hospital Ophyr Loyola, na capital. Embora faça 3,5 mil atendimentos e 325 internamentos por mês, a condição operacional do hospital foi considerada precária. A última reforma feita pelo Estado foi em 1996, no primeiro mandato do médico Almir Gabriel.

A marca maior do seu sucessor, o economista Simão Jatene, foi construir bons ou mesmo excelentes hospitais, entregando-os – todos – à Pró-Saúde, um contraste com a situação do Ophir Loyola, de propriedade pública.

No final do ano passado, o deputado federal Edmilson Rodrigues (do PSOL) disse que iria requerer ao Ministério Público Federal para investigar os contratos firmados pelo governo com a Pró Saúde.

Ele lembrou que, quando deputado estadual, teve acesso a relatórios das investigações feitas pelo promotor de justiça Sávio Brabo, do Ministério Público do Estado, constatando “a falta de transparência e sinais de superfaturamento” nesses contratos.

O último deles, referente ao Hospital Regional Abelardo Santos, em Icoaraci, o maior de todos, foi assinado em 1º de agosto, a cinco meses do final do mandato de Jatene, com vigência até 2023. Mesmo sem estar concluído, sua inauguração foi antecipada, provavelmente para reforçar a contratação, no valor de R$ 661 milhões.  

A Pró Saúde é a organização que mais administra hospitais públicos no Pará, incluindo os hospitais Galileu e Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém; o Metropolitano de Urgência e Emergência em Ananindeua; Regional do Baixo Amazonas do Pará – Dr. Waldemar Penna, em Santarém; Regional Público da Transamazônica, em Altamira; Regional do Sudeste do Pará, em Marabá; Materno Infantil de Barcarena e Hospital Regional Dr. Abelardo Santos , em Icoaraci.

O interesse público exige uma análise pública desses contratos o mais rapidamente possível. O próprio Helder Barbalho poderia requerer as devidas providências ao MPE.

Ler 50 vezes Última modificação em Quarta, 13 Fevereiro 2019 19:23

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