Terça, 26 Fevereiro 2019 15:19

Um crime anunciado

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Depois de amanhã, a morte de João de Deus Pinto Rodrigues, um dos herdeiros do grupo Líder, a maior rede de supermercados do Pará, completa quatro anos. Foi marcado para 25 de abril o julgamento de Jeferson Michel Miranda Sampaio, de 32 anos, apontado como o responsável pela morte do empresário, que tinha então 27 anos. Preso desde 2015, Jeferson tem o perfil de bode expiatório para um enredo que se afastou do roteiro mais consistente para atingir um alvo secundário.

Inicialmente, a morte foi atribuída a uma overdose de diversas drogas. João era viciado. Ele teria abusado do consumo durante a festa de aniversário de um amigo, que ele patrocinava, na boate Element, em Belém, no dia 28 de fevereiro de 2015. Morrera acidentalmente.

No curso da investigação, a polícia apresentou uma nova versão: o empresário sofreu forte convulsão depois de tomar uma dose letal da droga GHB, conhecida por “Gota”, que Michel lhe teria dado. Michel foi apontado como fornecedor de drogas para o grupo de amigos que acompanhava João.

Posteriormente, a promotora Rosana Cordovil Correia dos Santos que era então a titular da vara do Tribunal do Júri (hoje aposentada), sustentou uma nova versão: de que Michel fora contratado para matar o empresário com uma overdose, num inédito crime por encomenda.

A promotora não revelou o nome do mandante nem explicou a motivação do suposto traficante de liquidar aquele que seria o seu maior cliente. O tio de “Joãozinho”, Oscar Rodrigues, o principal executivo do grupo Líder, sustentou publicamente que o sobrinho morrera mesmo acidentalmente por overdose, porque era viciado, como bem sabiam todos os que o conheciam.

Oscar acrescentou ainda que a tese do assassinato era obsessão do seu irmão, João, que usara dinheiro da empresa para contratar advogados e tentar convencer a justiça do que considera ser “uma loucura”.

João reagiu atacando Oscar, ameaçando revelar segredos da empresa e acusando o irmão de tirar benefício pessoal de retirada de dinheiro praticada pelo filho.

Pelo facebook, Oscar Rodrigues publicou, na época, a seguinte mensagem:

Meu nome é Oscar Rodrigues, estou usando o telefone de outra pessoa porque não sou amigo deste elemento. João Rodrigues está louco, Cai na real cara, e não envolve o nome do LÍDER, nestas tuas loucuras, ninguém matou teu filho, teu filho morreu de Overdose, porque era viciado, e foi dês de muito jovem, começou com maconha, e terminou como terminou, no segundo ou terceiro ataque de Overdose, toda a nossa família sabe disso, e vc ao invés de gastar milhões como estás fazendo, saqueando a empresa pra pagar Advogados pra convencer a justiça desta tua loucura, devias era vir trabalhar, o que não fazes a muitos anos, aí irias saber quanto custa pra manter uma empresa desta, com todos seus compromissos, e onde só apareces pra vir buscar dinheiro, cada vez em maior quantidade, é assim que se acabam as empresas, mas aqui vai ser difícil porque eu estou atento, defendendo ela e o emprego de mais de 13.000 funcionários, o culpado pela morte do seu filho foi vc mesmo que não soube impor limites, deu dinheiro de mais, e dinheiro não resolve tudo, o que resolve é disciplina e trabalho, coisa que seu filho nunca gostou de fazer, porque vc não o ensinou, ensinou a irresponsabilidade, que a prova aí está, nos filhos que que ele foi deixando por onde ia passando, e vc está criando e que nem sabia que existiam, estou lhe processando por todas as calúnias que vc fala sobre eu e meus filhos, e vc fugindo da justiça como é seu feitio, mas a condenação vai chegar, a justiça tarda mas um dia chega, já lhe afastei uma vez da empresa e vou afastar de novo, porque vc não vai com suas loucuras acabar com ela, enquanto eu tiver vida pra trabalhar e lutar, coisa que a anos vc não faz eu estarei a postos, nossa cunhada mulher de nosso irmão que faleceu a poucos meses, passou a noite passada toda no hospital, se recuperando dos ataques que vc lhe desferiu, porque uma de suas netas resolveu publicar, que seu filho morreu de overdose numa festa regada a drogas, e vc sabia de tudo e nada fez pra impedir, como a justiça pode acreditar numa asneira destas??? Que loucura, não vales nada João Rodrigues.

Seu irmão e sócio, João Rodrigues, pai de Joãozinho, respondeu:

Meu filho amado viveu muito pouco tempo no plano terrestre.

Partiu por maldade de terceiros,

Não deixou nem um caso desonesto.

Enquanto OSCAR RODRIGUES teu filho João Augusto lobato Rodrigues nos roubou milhões de reais no cartão Liderzan constatado por auditoria da PGR (processos e gerenciamento de risco).

Passou os bens para teu nome, até hoje não nos ressarciste o prejuízo que sofremos!!
Essa ação encontrasse na justiça aguardando desfecho!!

Na próxima postagem encaminharei tais denúncias.

Não tenho medo de ti!!

Tu és capaz de tudo, te conheço bastante, não me provocas tenho mais denúncias a fazer vc sabe muito bem. minhas mãos são limpas!

Nem Oscar nem João foram convocados para prestar à polícia ou em juízo informações sobre as graves informações e revelações que fizeram em torno da hipótese sustentada: de morte acidental por overdose. O juiz Raimundo Moisés Alves Flexa, que preside a 2ª vara do júri de Belém, manteve a sua convicção de autoria de crime de homicídio e decidiu pronunciar o réu Jefferson Michel e submetê-lo a júri popular.

Michel, que era estudante do curso de Direito de uma faculdade particular, negou as acusações de ter administrado ou forçado João de Deus a ingerir a droga letal. Em interrogatório em juízo, disse que era comum consumirem nas festas bebidas alcoólicas, e que a vítima costumava fumar skank, droga conhecida como supermaconha.  

Na sentença de pronúncia, o juiz considerou depoimentos de testemunhas e laudos periciais que comprovariam haver indícios de autoria de um fato criminosos, além prova da materialidade. Foram ouvidas 18 pessoas entre testemunhas e informantes, que confirmaram o fornecimento de drogas.

Entre as testemunhas que sustentaram essa versão está Arthur Wanzeller Pereira Kawage. No sábado passado, 22, ele foi preso em flagrante pela polícia por tentativa de homicídio, ao agredir violentamente, na véspera, um delegado de polícia, e como traficante de drogas. Ele estava com comprimidos de droga sintética e uma porção de cocaína. Kahwage, um dos amigos de João que estava na festa de aniversário, é lutador de artes marciais e já esteve envolvido em outros episódios de uso de drogas e agressões em reuniões e festas noturnas.

Seu depoimento foi um dos indícios reunidos para incriminar Jeferson Michel, juntamente com os testemunhos dos demais participantes da festa. Serão mesmo provas acusatórias válidas?

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