Quinta, 14 Março 2019 11:24

Jornalismo ruim

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A cobertura jornalística do massacre de Suzano revela o despreparo da imprensa como instituição e dos repórteres como personagens para bem informar a opinião pública sob a urgência e a emergência de acontecimentos como esse. A deficiência se manifesta ainda mais clamorosa nos canais pagos, como os dedicados à informação, em particular o de maior relevância, a Globonews.

Com maior estrutura de suporte, o canal deixou à mostra sua fragilidade informativa. Ao optar por tantos comentaristas de estúdio, mais valorizados do que os repórteres de rua, a Globonews repetia análises frágeis, por falta de maior riqueza de dados. Mesmo os repórteres, na maioria das ocasiões se limitam a repetir o que dizem as suas fontes, permanecendo estáticos na maior parte do tempo, sem realizar a verdadeira apuração de informações, que exige iniciativa pessoal e disposição para ir atrás dos fatos brutos.

Parece que os repórteres tentam ser mais protagonistas do que observadores, exceto quando se tornam agressivos e até mal educados em entrevistas coletivas, como ontem. Sucessivamente, uma pergunta era feita às autoridades ouvidas: se elas tinham filhos.

Provavelmente, dependendo da resposta, poderiam fazer alguma crítica a eventual insensibilidade da autoridade, usando a técnica da entrevista como fonte de um indevido editorial pessoal. O prefeito de Suzano, por exemplo, ficou constrangido ao admitir que não tinha filhos, mas tinha uma esposa zelosa e parentes.

Espremendo horas de noticiário, sobram mais perguntas ao telespectador atento do que repostas, informações incompletas e mesmo omissão de dados. Sem considerar o abuso de cacoetes verbais, de clichês e lugares comuns. É o uso inadequado ou inapropriado de expressões como aí, ali, aqui, tipo, enfim, na verdade, foco, narrativa, por conta de – e por aí em frente, num jornalismo de sapato alto e visão míope.

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