Terça, 09 Abril 2019 17:02

Estrangeiros saem da Vale

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A Vale está sob pressão dos investidores para melhorar a segurança nas suas operações. O Financial Times anunciou que a Union Investment, a terceira maior administradora de investimentos da Alemanha, vendeu todas as ações e títulos que detinha na mineradora brasileira, depois do rompimento da barragem e Brumadinho, em janeiro,  que deixou mais de 220 mortos e mais de 70 pessoas desaparecidas.

A Union Investment administra 338 bilhões de dólares (1,3 trilhão de reais) em ativos, e controla 15% do mercado de investimentos alemão. A companhia era pequena acionista da Vale, e em março decidiu vender seus títulos e ações.

"A Vale foi excluída de todos os produtos que temos sob administração ativa", disse Henrik Pontzen, diretor de governança, questões ambientais e questões sociais na Union Investment.

Outra pessoa familiarizada com as discussões internas na Union Investment disse ao FT que a decisão foi tomada depois de discussões com a Vale que levaram à conclusão de que a mineradora tinha "falhas estruturais significativas" e que não havia implementado "medidas suficientes" para prevenir catástrofes semelhantes.

Já a Allianz Global Investors, segunda maior administradora de ativos da Alemanha, informou que reduziu sua exposição à Vale depois do desastre com a barragem de Mariana, também em Minas, em 2015, e que havia deixado de ser acionista da Vale muito antes de janeiro deste ano.

Susana Penarrubia, diretora de integração social e ambiental e de governança na DWS, a maior administradora de investimentos da Alemanha, disse à agência de notícias Reuters que o colapso da barragem "é uma nova confirmação de nossa posição muito cautelosa quanto ao setor de mineração, em termos ambientais, sociais e de governança", e acrescentou que a DWS já havia excluído a Vale de seus investimentos nessas áreas e revisaria as posições detidas na empresa em nome de clientes institucionais.

Relata o jornal londrino que a Igreja anglicana vendeu suas ações, no valor de menos de 10 milhões de libras ( 50,4 milhões de reais), nos dias que se seguiram ao desastre, enquanto o conselho de ética da Suécia - que assessora diversos fundos de pensão naquele país - instou seus clientes, no mês passado, a abandonar seus investimentos, por haver "perdido a confiança" na companhia.

Na sexta-feira da semana passada, a Igreja e o conselho conclamaram todas as companhias mineradoras de capital aberto a revelar "todas as instalações individuais de rejeitos que tenham sob seu controle".

A carta da Igreja solicitava que 683 companhias de mineração em todo o mundo revelassem suas instalações de rejeitos em prazo de 45 dias. "É essencial que os investidores tenham visão clara sobre que empresa controla que instalação de rejeitos, e sobre como essas instalações estão sendo administradas", disse Adam Matthews, diretor de ética e engajamento do Conselho de Pensões da Igreja anglicana. A carta recebeu apoio de 96 investidores, que têm US$ 10,3 trilhões (R$ 39,8 trilhões) em ativos sob administração.

O fundo de investimento petroleiro da Noruega, o maior fundo nacional de investimentos do planeta, que detém 1,1% da Vale, disse ao Financial Times que está dialogando com a empresa desde o desastre e que o conselho de ética da Noruega, que assessora o fundo petroleiro sobre vender ou não suas participações em determinadas empresas, estava investigando a Vale.

Relata o Financial Times que os investidores estrangeiros passaram anos rejeitando a Vale, uma situação que só mudou quando a companhia mudou sua estrutura acionária, pouco antes da chegada de Schvartsman, na metade de 2017. Isso resultou na dissolução de um pacto entre acionistas controladores que estava em vigor há duas décadas.

Dois dos quatro fundos de pensão brasileiros que formam o grupo chamado Litel - o maior acionista da Vale, com 21% - não responderam a pedidos de comentários. Os outros dois se recusaram a comentar, assim como a Vale.

O banco nacional de desenvolvimento brasileiro, o BNDES, que detém 6,3% da companhia, se recusou a comentar. O banco Bradesco disse ao jornal inglês que manteria sua participação de 5,7%.

No mês passado, a polícia e magistrados brasileiros se referiram, em documentos judiciais, a "provas" de que a Vale estava ciente de que a barragem que entrou em colapso apresentava forte risco de ruptura, e que a empresa exerceu "pressão" sobre os inspetores que a certificaram como segura.

Eles alertaram que a Vale poderia ficar sujeita a penalidades financeiras e também a "sanções mais drásticas, como a suspensão parcial ou proibição de suas atividades, ou mesmo a dissolução compulsória da companhia".

Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, admitiu que "a maior responsabilidade cabe à companhia, sem dúvida", acrescentando que a fiscalização de barragens deve ser melhorada, de modo geral.

A Vale anunciou esta semana que suspendera as operações em 10 de suas barragens em Minas Gerais. A decisão se segue à adoção pelas autoridades de critérios novos e mais rigorosos para avaliar o nível de ameaça.

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