Domingo, 14 Abril 2019 11:51

Zé Hamilton

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Sempre que posso, vejo o Globo Rural, um dos melhores programas da televisão aberta. Sua  rara longevidade não prejudicou a sua qualidade. Acabo de ver a edição de hoje. Além de sanar minha frustração, de homem rural à distância, que nunca conseguiu atravessar a ponte urbana para se fixar também no interior (meu Nirvana seria um pedaço de terra no Maicuru), ele me devolve a convivência com José Hamilton Ribeiro, o mais constante e simbólico repórter do programa.

É reconfortador e estimulante ver o Zé Hamilton "peleando" pelo vasto Brasil do campo, curioso e atento, do alto dos seus 83 anos. Talvez seja um dos mais antigos jornalistas em todo mundo ainda na atividade de linha de frente. Meio século atrás, ele perdeu uma das pernas ao pisar numa mina terrestre, quando fazia reportagem no Vietnam, no auge da guerra (acho que Antônio Callado era o outro jornalista brasileiro que foi até lá). Eu já era jornalista e o tinha como um dos meus modelos e metas.

Na distante Belém do Pará, senti o impacto do acidente. Achei que a carreira de Zé Hamilton (como todos o tratavam) chegara ao fim, tomando-me como referência. Mas ele escreveu uma daquelas longas e ricas reportagens que só a revista mensal Realidade (onde nos encontraríamos, três anos depois) abrigava. Tão boa que sucumbiu ao AI-5 e à má visão dos Civita naquele momento No ano seguinte, veio o livro relatando a experiência, o primeiro. Parecia que o ferimento sarara de vez e a lacuna física fora preenchida sem qualquer sequela.

Vendo-o em mais uma reportagem televisiva, metendo a mão na terra para mostrar o fruto a que se referia, caminhando com vagar e determinação, sinto-me animado a tentar ser, um dia, como José Hamilton Ribeiro. Deus o mantenha por muitos anos mais. Para sempre termos um exemplo a nos orientar e inspirar.

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