Terça, 14 Maio 2019 10:22

Naufrágio da grandeza

Escrito por
Avalie este item
(0 votos)

É impossível não presumir que o destino do Brasil é ser grande. Ele o é de fato, sendo o 5º maior em população e em extensão do planeta. Tem rara diversidade física, humana e cultural. Ainda assim, é real a sua unidade básica, a sua identidade. Chega-se a essa conclusão depois de percorrer o país ou simplesmente fazendo uma caminhada mais longa por qualquer das grandes cidades, antes de escolher um lugar remoto para repetir a experiência. De um ponto a outro o país tem riquezas naturais a oferecer para quem quer trabalhar, produzir, crescer.

A dúvida, porém, começa com uma leitura mais atenta da história nacional. Ao final, chegando aos tempos atuais, fica-se com o gosto travo de que o Brasil desperdiçou todas as oportunidades que a história lhe ofereceu de ser grande. Estivemos à beira do topo do mundo. Faltou sempre um passo, o derradeiro passo para ombrear com as grandes nações. A falta de força para esse movimento tem origem no desprezo pela qualificação das pessoas, pelo componente de civilização e civilidade nos nossos projetos de crescimento, de atenção à nossa própria história e à dos povos que venceram. Daí a piada masoquista: Deus nos reservou um dos melhores lugares da Terra, mas nela colocou uma gente chinfrim - nós mesmos, que repetimos a história cruel, ainda que verdadeira, sem aprender a lição e sem mudar.

Depois do grande erro de Fernando Henrique Cardoso, de subestimar a avassaladora crise internacional (erro assemelhado ao do prussiano general Geisel, o mais qualificado dos presidentes do ciclo militar da ditadura, que não viu a explosão do petróleo e dos juros), que transformou seu pretenso castelo fiscal, monetário, cambial e econômico num monte de cartas de baralho, a reversão da maré das commodities fez Lula surfar na onda do "superciclo". 

Olhando só para frente e confiando nos seus instintos políticos, Lula imaginou que desta vez o Estado empresário e fonte da legitimidade patrimonialista levaria o Brasil para as culminâncias internacionais e ele seria candidato invencível a qualquer prêmio Nobel, o maior líder popular de todos os tempos. Sua cria desvalida pensou a mesma coisa - e deu no que deu, a ruína do Estado arrastando sua bela obra efêmera, chuva de verão, brilho de fogo-fátuo, fantasia para fanático tomar por realidade. 

Na reversão do castigo, surgiu o Messias - desarvorado, imprevisível, incontido, caótico, sem rumo, sem preparo. Um Behemoth combinado com Leviatã, que está conseguindo a façanha de tornar seus militares em emblema de racionalidade e democracia, no qual parcelas crescentes da população depõe suas esperanças de que o Brasil, ao invés de grande potência, não mergulhe de vez no surrealismo, sem garantia de retorno à superfície da racionalidade.

Ler 56 vezes
Mais nesta categoria: « O Dilmês Corruptos na mira »

Comments fornecido por CComment