Domingo, 19 Maio 2019 15:23

O pesadelo

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Jair Bolsonaro era o homem errado na hora certa no lugar certo.

A maioria do povo brasileiro queria um anti-Lula. Buscava uma alternativa à direita do que a esquerda vinha fazendo no poder. Era uma aspiração legítima e bem fundamentada. A parte amplamente majoritária da sociedade experimentara a consumação do desastre na primeira metade do segundo mandato de Dilma Rousseff. Evidentemente, ela não caiu por irregularidades formais de gestão da administração pública, que tantos outros antes dela praticaram também, Caiu porque deixá-la no poder significaria sujeitar o Brasil aos riscos do pior governo de toda história republicana.

Dilma não foi deposta por um golpe militar, mas por inviabilidade econômica utilizada pela maioria política no parlamento. As instituições continuaram a funcionar regularmente, na precariedade de sempre. Quem assumiu foi o vice-presidente. Azar do país que o jurista Michel Temer integrasse uma organização criminosa aboletada em parte da estrutura estatal. Não fora assim, ele teria feito a correção de rumos e a reforma à direita de que a nação carecia naquele momento.

Por mediocridade e pusilanimidade, Temer recebeu, em noite soturna, nos porões da residência oficial, Joesley Batista, um dos frutos do BNDES lulista e dilmista. Assinou ali sua sentença de morte. Ou melhor: a prova da sua culpa, que está sendo utilizada contra ele no devido processo legal, sem romper a ordem democrática vigente no Brasil.

Menos de cinco meses depois de eleito, Jair Bolsonaro se revela como uma versão direitista de Dilma Rousseff, ampliada e agravada, o que parecia impossível. Ele foi eleito por ser de direita. Não é isso o que importa. O que importa é que ele mão sabe o que diz, muito menos o que faz. O que importa é que ele não exerce o comando legal do Brasil.

Age através de um comando digital no exterior, destituído de coerência ou compromisso com a realidade, numa pantomima que contrasta com a gravidade da conjuntura nacional num momento extremamente delicado da história mundial. Delega competência de porta-vozes clandestinos aos filhos, que integram organizações informais e extra-legais de profundidade ainda insondável. Numa sucessão de organizações criminosas, o Brasil tinha que chegar a uma família criminosa.

Embaraçado nessa teia de urdiduras criadas por sua própria incompetência, com doses de insanidade e truculência, Bolsonaro & família ameaçam romper todos os elos da normalidade, sob a alegação de serem vítimas de uma conspiração corporativa e política armada contra sua ação salvadora e salvífica. Febril e irreal, a tese transforma num universo de reações amplo e diverso, que inclui empresários, atores políticos e personagens como a TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo numa milícia de esquerda.

Trama que já inclui bolsonaristas arrependidos e direitistas conscientes. Brasileiros que não querem voltar ao passado nem atos de voluntarismo malsão, como o impositivo Lula Livre, à margem da mesma apuração que atinge Lula e não inclui a desastrosa Dilma, certamente por não ter provas de que ela agiu pessoalmente como seu padrinho. O mal que ela fez é muito maior, sem ser da mesma natureza do antecessor.

Tomara que o Brasil sobreviva a esse pesadelo. Que a luz solar que cobre esta imensa nação prevaleça sobre as trevas projetadas pelo homem errado na hora certa no lugar certo.

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