Segunda, 05 Novembro 2018 12:54

Hemorragia de dinheiro roubado

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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(Publicado no blog em 14 de setembro de 2014)

Agora já existe um elo concreto para levar o escândalo da Petrobrás para a justiça americana, onde a investigação poderá ser mais rápida e eficaz do que no Brasil, conforme os casos de corrupção e desvio de dinheiro público têm demonstrado. A imprensa denuncia hoje que o banco americano Merrill Lynch ajudou o doleiro Alberto Youssef a trazer para o Brasil 3,5 milhões de dólares que ele tinha nos Estados Unidos.

A internação do dinheiro foi feita em 2008, através de uma operação simulada. Quem deu a informação foi o “laranja” do doleiro, Carlos Alberto Pereira da Costa.. Esse advogado foi preso junto com Youssef em março deste ano pela Operação Lava Jato da Polícia Federal, sob acusação de integrar uma quadrilha que teria atuado na lavagem da impressionante soma de 10 bilhões de reais.

A simulação foi necessária para disfarçar a falta de origem do dinheiro do doleiro. Youssef depositou US$ 3,5 milhões no Merrill Lynch em Nova York e o banco abriu uma linha de crédito para uma empresa controlada pelo doleiro, a GFD Investimentos, de acordo com o delator. O valor correspondia a R$ 7 milhões.

O banco americano, de acordo com matéria da Folha de S. Paulo, “não aceitava que o dinheiro simplesmente passasse por uma conta, o que caracterizaria uma operação suspeita e seria investigada por órgãos que atuam contra lavagem de dinheiro”. Ameaçado de quebrar em função da crise financeira nos Estados Unidos, o Merrill Lynch foi vendido ao Bank of America em setembro de 2008.

Outra denúncia grave do advogado foi que o fundo de pensão da Petrobras, o Petros, investiu R$ 13 milhões numa empresa controlada pelo deputado José Janene (do PP do Paraná), graças a propinas pagas a diretores da entidade, que controla um dos principais fundos de investimento do Brasil. Um dos subornados seria Humberto Pires. Janene era um dos principais personagens em vários enredos sujos entrelaçados, mas não foi punido porque morreu em 2010.

O esquema de propinas, de desvio de dinheiro e de aplicações viciadas funcionava segundo um modelo que também se aplica ao escândalo do mensalão, que tinha como agentes financeiros o Banco Rural e o BMG (beneficiado pelo empréstimo consignado no serviço público federal). Pereira Costa disse no seu depoimento que “vários deputados” passavam pelo escritório de Youssef para pegar dinheiro. “Entravam pessoas com dinheiro e saíam pessoas com dinheiro. Era um banco de lavagem de dinheiro”.

Se essas informações continuarem a jorrar, como acontece agora, talvez, finalmente, o Brasil consiga reconstituir a rota de entrada e saída ilegal do país, em torrentes de causar espanto a qualquer mafioso. Envolvendo na apuração os setores competentes americanos e europeus, talvez as teias das aranhas que tecem suas fortunas ilícitas à custa do tesouro nacional sejam reconstituídas. E destruídas

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