Sábado, 29 Dezembro 2018 16:11

CEPC está morrendo?

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Se quiser, o governador eleito Helder Barbalho pode aproveitar o seu primeiro dia no cargo para autorizar o reinício das obras de recuperação do Colégio Estadual Paes de Carvalho, onde seu pai estudou e, com ele, boa parte da elite paraense, os bem nascidos e os que, sem essa origem favorecida, aproveitaram a fase de bom ensino da instituição para se qualificarem como profissionais e cidadãos. Demonstraram valor já ao serem aprovados no exame de seleção, quando o ingresso no CEPC era muito disputado;

Tudo indica que o atual governo pretendia fechar o colégio. Diz que não: que vem tratando com alunos e professores da melhor forma de conciliar o serviço, no valor de 2,5 milhões de reais (orçamento provavelmente já defasado), com o prosseguimento das aulas, ou transferir os alunos para outra unidade de ensino. Esta alternativa se complementa com a exclusão do CEPC da lista de pré-matrícula para 2019, sinal de que o colégio vai parar no próximo ano. E, parando, dificilmente renascerá.

Ontem, professores, alunos, ex-alunos e representantes do sindicato dos docentes deram um abraço no velho prédio, no centro antigo da cidade, para denunciar o destino não declarado, numa prova de que diálogo não é exatamente o que está acontecendo. Pragmaticamente, o Estado pode alegar que é oneroso manter o CEPC e que não há demanda para justificar o seu funcionamento.

De fato, reduz-se a busca pelo CEPC. Por um motivo claro: a queda contínua da qualidade da educação que proporciona, combinada com sua deterioração física. Sei disso porque até algum tempo atrás ia de vez em quando ao prédio da praça da Bandeira para deixar jornais e livros na biblioteca. Nas últimas vezes, a sala estava fechada com cadeado. Alguns alunos com os quais conversei jamais tinham entrado na biblioteca. Ou nem sabiam de se ela estava mesmo funcionando. Uma biblioteca fechada é a antessala do fim.

O novo governador não apenas pode despachar a ordem de serviço. Faria bem se decidisse devolver ao Colégio Estadual Paes de Carvalho sua honrosa e necessária condição de colégio de aplicação, de alto nível. Para ele voltariam candidatos a bons alunos e competentes profissionais de todos os cantos da cidade. O Pará ganharia se recuperasse essa forja de talentos.

Ler 83 vezes Última modificação em Segunda, 07 Janeiro 2019 21:21

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