Segunda, 05 Novembro 2018 13:13

O Brasil endividado

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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(Publicado no blog em 1º de outubro de 2014)

De cada real acumulado da riqueza nacional até agosto, 60 centavos estavam corroídos pela dívida bruta. Ela já ultrapassou a inacreditável marca de 60% do PIB (Produto Interno Bruto). Alcançou a soma de três trilhões de reais, ou quase 1,5 trilhão de dólares.

No auge da campanha eleitoral, o anúncio desse número não mereceu a atenção devida dos candidatos nem dos eleitores. A preocupação é com o varejo, a partir da massacrante ofensiva do PT contra a débil Marina Silva, atingida em cheio graças ao uso da máquina federal e todas as armas do marketing, sobretudo os antiéticos, amorais e mentirosos.

É de causar arrepios a informação – oficial – de que o governo como um todo registrou déficit primário (sem incluir os juros da dívida) de 14,5 bilhões de reais em agosto, com R$ 12 bilhões na conta de Brasília, R$ 2,3 bilhões na dos governos regionais e R$173 milhões das empresas estatais.

A candidata à reeleição, que também é a presidente da república, pode destacar que, apesar disso, o superávit acumulado no ano foi de R$10,2 bilhões. No mesmo período de 2013, porém, o resultado foi de R$54 bilhões. Considerando 12 meses até agosto, o superávit primário foi de R$47,5 bilhões (menos de 1% do PIB). Só que até julho a conta fechava em a R$61,5 bilhões.

O país pagou de juros nominais em agosto R$17 bilhões. Em julho o valor foi de R$28 bilhões. Sinal de que a ação do governo se fez sentir? Só na propaganda, que transforma água em vinho, pedra em pau. Na verdade, houve menos dias úteis em agosto e, segundo os especialistas, “reversão, de desfavorável para favorável, no resultado das operações de swapcambial”, que é um jogo financeiro. Nada a ver com a política fiscal do governo.

Já no acumulado de oito meses de 2014, os juros nominais somaram R$165 bilhões, valor praticamente igual ao do mesmo período de 2013, R$163 bilhões. No acumulado de um ano, os juros nominais totalizaram R$251 bilhões (quase 5% do PIB).

A dívida mobiliária federal interna passou de R$2 trilhões (mais de 41% do PIB). Dessa soma, R$135 bilhões vencem ainda neste ano; R$41 bilhões (ou 20% do total), em 2015; e R$1,6 trilhão (74%) a partir de janeiro de 2016.

Isso mesmo: R$ 1,6 trilhão, que os credores cobrarão depois de 2015. Equivale ao valor de todas as jazidas de minério de ferro de Carajás, as mais ricas do planeta: o que já saiu e o que ainda vai ser mandado para a China e adjacências pelas próximas décadas.

A dívida líquida do setor público alcançou R$1,8 trilhão em agosto (36% do PIB). Já a dívida bruta do governo em geral (governo federal, INSS, governos estaduais e municipais) bateu em R$3 trilhões, ou 60,1% do PIB.

Os dados não foram citados nos programas eleitorais e não parecem interessar à maioria da população, propensa a conceder um segundo mandato a quem não fez por merecer nem o primeiro. O Brasil antes de Dilma Rousseff era melhor do que o país que ela vai repassar ao seu sucessor. Ou retomar por suas próprias mãos incompetentes, se vencer esta eleição.

O cidadão podia se consolar dizendo aos seus botões que ela vai receber, como herança do primeiro mandato, na forma tempestade fiscal, financeira e econômica, os ventos ruins que semeou durante os seus quatro anos de governo. Mas nem isso pode: sabe para quem a conta será apresentada depois do fogo fátuo eleitoral.

Ler 163 vezes Última modificação em Domingo, 06 Janeiro 2019 12:12

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