Terça, 11 Setembro 2018 20:20

O caso Hélio Gueiros Neto

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Simplesmente passo a palavra a Mônica Gueiros, mãe de Hélio Gueiros Neto, neto do ex-governador Hélio Gueiros e filho do vex-vice-governador Hélio Gueiros Júnior, reproduzindo na íntegrao texto que publicou no seu Facebook. Voltarei ao assunto.

Hoje, dia 10 de setembro, às 9:00 horas, retomam os trabalhos de audiência na Ação em que meu filho, Hélio Gueiros Neto, é acusado pelo nobre promotor Edson Cardoso de Souza de feminicídio. Essa audiência continuará até o dia 14 de setembro perante a 1ª Vara da Violência contra a Mulher no Fórum Criminal de Belém. Estarei presente, com a graça de Deus e a permissão do Excelentíssimo Desembargador, Ricardo Nunes, presidente do Egrégio Tribunal de Justiça, que me esclareceu o fato de que em prédio público eu e meus familiares não podemos ser impedidos de entrar, ficando a critério da titular da Vara a minha presença  na sala de audiências. Poderei, enfim, prestar solidariedade e conforto a meu filho nesse momento de angústia.

Peço novamente, aos queridos e às queridas, uma corrente de orações, apesar de saber que Deus está no comando de tudo, como bem diz o Salmo 140: “Livra-me, ó Senhor, do homem mau, guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. Aguçaram as línguas, com a serpente o veneno das víboras está debaixo de seus lábios. Guarda-me, ó Senhor, dos males dos ímpios, guarda-me do homem violento, os quais se propuseram a transformar os meus passos…”,

O sofrimento, que eu e minha família estamos passando, é atroz. Somos cristãos. Sempre levei meus filhos à Igreja para terem os ensinamentos de Jesus, por isso acredito no tempo de Deus e que tudo isso vai terminar, “porque guardei os caminhos do Senhor, e não me apartei impiamente do meu Deus (Salmo 18)”.

Como eu disse, hoje poderei acompanhar o meu filho, porque solicitei e fui atendida, queria poder compartilhar tudo do processo com vocês, mas, infelizmente, o segredo de justiça impede. Acredito ser inusitado um réu querer demonstrar tudo e não poder. Faço, mais uma vez, esse pedido à titular da Vara: Deixe que todos saibam o que ocorre na Ação. O meu filho não tem medo da verdade.

Espero, amigos, contar com o carinho de sempre.”

“EXCELENTÍSSIMO DOUTOR DESEMBARGADOR RICARDO NUNES, PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO PARÁ

MONICA ZOGHBI PINHEIRO GUEIROS, cidadã brasileira, casada, funcionária pública, residente e domiciliada à Av. Governador José Malcher, n° 1424, apartamento 501, Nazaré, Belém, Pará, vem, respeitosamente, SOLICITAR a Vossa Excelência que, na qualidade de presidente deste Egrégio Tribunal, GARANTA o meu ingresso, no dia 10 de setembro de 2018, nas dependências do Fórum Criminal de Belém – como é permitido a qualquer outro brasileiro – até à porta da sala de audiências do Juízo Criminal da 1ª Vara de Violência Doméstica para que possa acompanhar o meu filho HÉLIO GUEIROS NETO, que vem, apesar dos laudos do IML que atestam ter sido a morte de sua mulher, RENATA GUEIROS, natural, sendo processado por Feminicídio, pelos fatos a seguir expostos:

No dia 18 de abril passado, iniciou-se a audiência na Ação de FEMINICÍDIO, perante a 1ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que tem como titular a excelentíssima doutora RUBILENE SILVA ROSÁRIO, na qual meu filho foi denunciado pelo nobre promotor EDSON AUGUSTO CARDOZO DE SOUZA.

Duas ausências se fizeram sentir. O nobre promotor, sem motivo aparente, abandonou o processo, depois de prometer a uma televisão local que mandaria meu filho ao ominoso banco dos réus (quero acreditar que o nobre membro do Parquet encontra-se arrependido da injustiça que cometeu), tendo sido substituído por novo promotor. Ausente, também, a nobre titular, doutora RUBILENE SILVA ROSÁRIO, mais uma vez adoentada, que foi substituída pelo saudoso doutor ELDER LISBOA. Este, depois de ouvir a mãe da falecida, remarcou a continuação da audiência para o dia 10, 11, 12, 13 e 14 de setembro do corrente ano.

O processo, que deveria ser público, corre em segredo de justiça, não sendo permitido, portanto, que eu possa adentrar a sala de audiências. Não se consegue, contudo, entender, o que motivou o militar, chefe da segurança do prédio do Fórum Criminal, impedir apenas a mim, mãe do acusado, a sua avó, Therezinha Gueiros, ex-primeira dama do estado e ex-secretária de educação, além de alguns outros familiares, como uma tia, professora Ruth Moraes, ex-pró reitora da UFPA., todos, sem exceção, maduros e distintos membros da sociedade paraense, incapazes de qualquer ato violento ou escandaloso que pudesse justificar tamanha arbitrariedade. Por outro lado, constatei que todas as demais pessoas, sem qualquer exceção, inclusive familiares e empregados de quem acusa o meu filho, puderam entrar nas dependências do prédio, sem qualquer constrangimento.

Por ser conhecedora da vossa excepcional capacidade intelectual, do brilhantismo jurídico e da condução séria, rígida, mas humana, da administração deste Egrégio Tribunal, do vosso apreço pelos direitos fundamentais da pessoa humana, requeiro a Vossa Excelência que permita que eu e os meus familiares, que desejem ser solidários a meu filho neste momento de angústia pela tamanha injustiça que lhe é cometida, possam acompanhá-lo e confortá-lo, pelo menos até os corredores do Fórum Criminal, como é permitido a todas as demais famílias desse Brasil.

Senhor Presidente, não vede as portas do Fórum Criminal apenas à minha família. Isso não é justo. É um pedido de uma mãe que já sofreu demais.

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

Belém, 30 de agosto de 2018

MÕNICA ZOGHBI PINHEIRO GUEIROS”

Ler 110 vezes Última modificação em Segunda, 07 Janeiro 2019 20:49

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