Terça, 25 Setembro 2018 10:18

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Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Pará é isso

 

(Jornal Pessoal 245, outubro de 2000)

Metade dos municípios do Pará, representando um terço de toda a população do Estado, encontram-se na faixa da pobreza. São 1,8 milhões de pessoas, distribuídas por 71 (dos 143) municípios paraenses, que representam 10% dos brasileiros mais pobres. Elas serão alcançadas pelo Projeto Alvorada, uma criação do governo federal para tentar reduzir as enormes desigualdades existente entre as regiões brasileiras, lançado na semana passada, em Belém. Até 2002 serão investidos 13,2 bilhões de reais em 14 programas, considerados estratégicos, de educação básica, saúde, saneamento, apoio à família e criação de oportunidades de emprego.

Segundo os dados da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil é o 74º país em desenvolvimento humano, índice medido pela combinação do nível de escolaridade, expectativa de vida e renda per capita. Está pior, nesse cenário mundial, do que esteve nas recentes olimpíadas da Austrália. Pois dentro do Brasil há Estados em situação ainda pior. Eles somam 14, aqueles que têm IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) inferior ao da média nacional.

São nove no Nordeste (incluindo a Bahia do celebrado senador Antônio Carlos Magalhães) e cinco na Amazônia Legal, que formam a parte mais pobre do país. São esses os clientes do Projeto Alvorada, concebido para beneficiar 18 milhões de brasileiros, pouco mais de 10% de toda população nacional. Já o Pará entrará exatamente com 10% da clientela do projeto.

O IDH do Brasil é de 0,747, um índice considerado médio na pauta da ONU, que vai de 0 a 1. O melhor IDH é o do Canadá, de 0,953. O índice 0,500 marca o limite da pobreza. O Pará está abaixo desse nível. A situação é ainda mais crítica em quatro municípios, todos da foz do Amazonas (Bagre, Gurupá, Melgaço e Portel), que se situam abaixo do índice 0,400. São áreas de ocupação mais antiga, ligadas ao extrativismo, que ficaram completamente deslocadas dos eixos de penetração econômica no Estado.

Esses números falam mais do que mil imagens da propaganda oficial. Constituem uma verdade difícil de aceitar. Mas só se pode modificar essa triste condição enfrentando-a, não escondendo-a atrás de um verniz de modernidade.

Ler 151 vezes Última modificação em Segunda, 07 Janeiro 2019 18:36

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