Terça, 25 Setembro 2018 10:25

Prefeito: chame a Semob à ordem ou a extinga!

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
Avalie este item
(0 votos)

Sr. prefeito Zenaldo Coutinho

Coloque a Semob para trabalhar de verdade ou a extinga sem dó nem piedade.

É da competência desse malfadado órgão um dos maiores desafios da administração municipal. Mas a superintendência é de tal incompetência que a mobilidade urbana se tornou imobilidade em Belém, uma das mais graves do país.

Todos têm casos e mais casos para subsidiar acusações e críticas à imóvel e invisível Semob.

Dou-lhe mais um. de hoje à tarde.

Peguei um ônibus no centro da cidade com destino ao Entroncamento. Na frente do veículo, havia a informação que eu queria: ele passaria pela avenida Pedro Álvares Cabral. Mesmo assim, ao embarcar, perguntei ao motoristas se ele ia até o fim da avenida. Respondeu que não ia. Dobraria na Tavares Bastos.

Já um habitué dessas viagens, estranhei. Mas pedi desculpas e desci na parada seguinte.

O primeiro ônibus que passou não parou. Como é frequente, queimou a parada, indiferente a dois cidadãos que faziam sinal pedindo-lhe que parasse. Uma ignomínia que a Semob nada faz para combater, por isso a induz.

Embarquei no ônibus seguinte. Fiz a mesma pergunta ao motorista. Ele respondeu que seguiria pela Pedro Álvares até o Entroncamento.

Ao chegar ao terrível cruzamento(local de confusão, assaltos e mortes), entrou na Tavares Bastos na direção da Almirante Barroso.

Levantei-me e cobrei uma explicação. Primeiro do cobrador, mais próximo. Ele confirmou que o ônibus deveria continuar na Pedro Álvares Cabral, mas que, naquele horário, o motorista preferia ir pela Almirante.

Por quê?

Porque o viaduto ficava congestionado (não estava: o fluxo era completamente normal) e retardava a duração da viagem. O motorista precisava ir mais rápido para voltar a fazer o percurso.

Dirigi-me então ao motorista. Ele confirmou que não ia cumprir o itinerário.

Aí me aborreci e puxei o cinto das mil utilidades (ou inutilidades) jurídicas sobre a natureza da concessão municipal para o transporte coletivo, os direitos do passageiro, a importância do contribuinte e o mais que a minha memória forneceu para a minha vã eloquência.

Inútil. O motorista prosseguiu no desvio do seu dever funcional.

Ele aceitou dar o seu nome: Max. Mas que garantia podia dar de ser um nome verdadeiro? Nenhuma. Falou com deboche, cinismo e arrogância, dirigindo o ônibus 9069 da Viação Forte (minha indignação só me permitiu ver os números 5495 da placa), às quatro e meia da tarde.

Conclamei os passageiros a reagir a esses abusos. Uma moça me disse que ela mesma, frequentadora da linha, já reagiu, bateu na vidraça, gritou e não deu em nada. Viu outros fazerem o mesmo com idêntico resultado: zero. Todos se acomodaram.

Assim, os motoristas queimam paradas quando querem, saem do itinerário ao seu talante, correm loucamente pela cidade porque a obrigação com o número de viagens excede até mesmo o faturamento com os passageiros, que ficam pelo caminho, furam sinais, excedem a velocidade e tudo mais que a Semob sabe e admite, oculta, dá cumplicidade.

Com a sua devida vênia, sr. prefeito?

Somos conhecidos, quase amigos, de longa data, de convivência amena e positiva.

Não é por isso que lhe escrevo esta carta aberta. É como um maltratado, humilhado e impotente cidadão belenense (por título honorífico que me foi concedido e do qual me orgulho, pois fiz por merecê-lo). Como milhares de cidadãos nesta cidade pessimamente administrada em que vivemos.

Espero que o sr. não deixe no ar, no vácuo e no silêncio este protesto e este apelo público e candente.

Cumpra o seu dever, sr. prefeito, para merecer o nosso respeito.

Cordialmente,

Lúcio Flávio Pinto, pontual contribuinte do IPTU.

Ler 124 vezes Última modificação em Segunda, 07 Janeiro 2019 18:32

Comments fornecido por CComment