Quarta, 08 Agosto 2018 11:45

A fantasia do futebol

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Há muitos anos, sempre que Remo ou Paissandu interrompem seus insucessos com uma vitória, mesmo que magra, o torcedor volta a acreditar que desta vez a mudança é para valer. A boa vontade e o desejo um tanto inconsciente de por fim ao rosário de amarguras e frustrações tornam absurdamente crédulo o torcedor dos dois times. Mas a história não muda. O futebol do Pará, que já foi digno e bom , se tornou um dos piores do Brasil. E o que é mais grave, sem deixar de impressionar: o público não desaparece de vez. Aliás, continua a ir mais ao estádio do que na maioria dos Estados brasileiros.

O torcedor remista está em paz. O time escapou do rebaixamento. Significa que na próxima temporada vai disputar a ascensão á série B. O torcedor do Paissandu, que começava a se sentir em estado de graça, tomou um banho de cascata de água gelada com os 4 a 0 de ontem. A qualidade do jogo do time da casa não deixaria dúvida em quem conseguisse ver a realidade; por debaixo das penas de pavão está um urubu. Com o devido respeito pelo distinto – o urubu, é claro.

Se, por efeito do baixo nível geral das duas competições, Paissandu e Remo se destacarem, antes de mais uma vez embarcar nesse bonde sem trilho, o torcedor deveria forçar as direções dos dois clubes a informar quantos jogadores contrataram nos últimos 10 anos, de onde eles vieram, quantos treinadores trouxeram, quantos atravessaram a avenida Almirante Barroso de um lado para o outro (e por quantas vezes), quanto pagaram por esses jogadores, quanto foi o valor das comissões (e a quem elas foram pagas), a quanto chegou o montante das indenizações e respectivos beneficiários.

Talvez, pelo choque que essas informações poderiam provocar, o torcedor caísse na real. E talvez conseguisse se levantar para buscar um novo caminho para o maltratado futebol paraense.

Ler 128 vezes Última modificação em Segunda, 07 Janeiro 2019 18:05

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