Quarta, 18 Julho 2018 09:50

O autoritarismo camuflado

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A prisão de Lula foi motivo de debate na OAB de São Paulo. Parece ter havido acordo entre petistas e não (ou anti) petistas nela presentes de que o ex-presidente foi vítima do próprio veneno, “torturado por instrumentos autoritários” criados durante o seu governo e com o apoio do PT. A observação foi feita por Ricardo Penteado, especialista em direito eleitoral que atuou em campanhas do PSDB. Mas avalizadas por Eugênio Aragão.

Aragão, agora na grande e polêmica bancada que defende Lula, fez um mea culpa, já que foi ministro da justiça e advogado do PT e da pré-campanha petista.  Observou que desde o impeachment de Dilma Rousseff “tudo parece legal, normal”, mas que “nada é normal”. E admitiu: “foi, sim, no nosso governo que se permitiu que fosse criada a lei da ficha limpa”, para ele uma das armas autoritárias do punitivismo que os petistas então adotavam. “O chicote mudou de mão”, ironivou8 Penteado, mas, na essência, de acordo com a avaliação.

Ele tem razão. Quando parecia imaculado e o melhor porta bandeiras do progresso, da igualdade e da justiça social, o PT achava positiva a lei da ficha limpa. Por isso, “permitiu” que ela fosse criada, a partir de imensa subscrição popular, imposta ao Congresso pela sociedade. Poderia “não permitir”, se na época quisesse?

A lei representou uma enorme conquista do povo incorporada à legislação eleitoral brasileira. Autoritários foram os que a combateram ou “permitiram” que ela fosse criada, na presunção de que seria usada apenas contra seus adversários e inimigos. A verdadeira face desses personagens de teatro de marionetes se revelou quando a punição os alcançou. Mudaram eles, não a lei.

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