Sábado, 02 Junho 2018 11:15

Ó Marajó!

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Escrevi sob forte emoção o texto sobre a pobreza no Marajó. Os fatos relatados são de tal pungência que deveriam fazer o governo reagir de imediato. É o típico caso de emergência social, que obrigaria o governo a mandar uma força-tarefa para agir a partir do rio Laguna.

Sua primeira tarefa seria distribuir alimentos e remédios aos moradores, mantendo o suprimento até que a situação de penúria se tivesse modificado. Ao mesmo tempo, um inquérito levantaria as condições de vida da população e do meio ambiente para o abastecimento de água potável e energia de fonte sustentável.

Por fim, o governo criaria um programa para identificar oportunidades de trabalho a partir dos recursos naturais existentes e da disponibilidade de mão de obra.

Seria um programa piloto para uma iniciativa ainda maior, atingindo todo arquipélago, e que não deveria resultar apenas em declarações de intenções nos atos oficiais e papel nas prateleiras dos órgãos oficiais.

Tudo, menos o silêncio, a omissão e o imobilismo. Para não deixar o tema esfriar, trago da seção de comentários as mensagens enviadas até agora, agradecendo a essas pessoas e sensibilidade, lucidez e espírito de solidariedade.

Aproveito para perguntar às autoridades: alguém pode explicar o que fazem os oito médicos lotados em Melgaço? Eles apresentaram algum relatório sobre os índices de cegueira e hanseníase denunciados pelos agentes da prelazia?

Seguem-se os comentários.

Hélio Franco – Caro Lúcio Flávio, não há como garantir saúde no Mar A Jó enquanto não se erradicar a miséria, pobreza. O setor saúde fica cuidando de consequências. Poucos municípios do estado têm oito médicos, como em Melgaço. Nem por isso, por incompetência da gestão, e absoluta falta de ética dos referidos esculápios, que ganham cerca de 10.000 reais do Programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde, (enquanto o salário médio de médico do estado está em torno de 3.000,00) Mesmo assim o setor saúde local não consegue evitar coisas absolutamente evitáveis . Como os casos de raiva. Os tais médicos em Melgaço só ficam na sede do município!!!! A Sra Marluce Silva nos informou que presenciou um dos esculápios dando uma de larápio e roubando comprimidos de Metronidazol. Lembrei a ela que este tipo de atividade que lá fizeram (com a melhor das intenções) de pouco adianta. E pegando o exemplo do Metronidazol que estava sendo surrupiado, a informei que tal medicamento é muito efetivo para eliminar Giárdias e Amebas e Tricomonas (Protozoários). Mas, após tomá-los, voltando a tomar a mesma água não tratada, voltará a mesma infestação!!! Não será só com medicalização que se garantirá saúde para a população de Melgaço ou de qualquer outro lugar. Um problema grave no MAR A JÒ é a monotonia alimentar, a insegurança alimentar. É do arquipélago que surgem a maioria das doenças congênitas do tubo neural (Hidrocefalia, meningocele, etc). Deficit de determinada vitaminas e outros óligoelementos levam, por exemplo, a problemas oftalmológicos graves. Há que se incentivar cultivos e uso de vegetais , que não só o açaí.

  1. Jorge – Lúcio, o abandono político do Marajó arrasta um corolário infindável de tragédias humanas. Para ficar só na área de saúde, além da desnutrição, verminoses, hanseníase, cegueira, raiva, etc, etc, etc, e mais a malária, que nesta região é um dos maiores focos do continente americano, senão o maior.

Marlyson – Que tragédia social, econômica, civilizatória e de saúde pública nosso sofrido Estado.. Obrigado por dar luz a essas necessárias histórias, Mestre.

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