Segunda, 04 Junho 2018 14:17

O mosquito e o elefante

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Duas semanas depois que o movimento dos caminhoneiros começou, não há mais dúvidas: não foi uma greve de trabalhadores, mas uma paralisação do setor de transporte de cargas. Daí a sua duração, o seu significado e os danos que provocou, talvez os maiores causados por esse tipo de ação. O governo decidiu suspender a intervenção das forças armadas e considerar superado o episódio, mas se assim proceder vai permitir que ele se repita, com mais graves consequências ainda.

Não foi uma greve, mas um locaute. Se fosse uma greve, os manifestantes teriam apresentados reivindicações sobre melhorias de salários, de condições de trabalho e outros itens de uma pauta comum às greves. As reivindicações podem favorecer os caminhoneiros autônomos e ter identidade com eles. Mas os onos do seu próprio negócio representam menos de um terço do setor. Logo, a redução de custos de produção para eles teria que conviver com reivindicações de quem trabalha com carteira assinada por empresas de transporte de carga.

Quando os manifestantes bloquearam as rodovias e mantiveram a interdição, a despeito dos acordos firmados com o governo e a presença de força armada, o componente político começou a se revelar e a prevalecer. Na sua continuidade, surgiram as faixas pedindo golpe militar e a saída do presidente da república. Ambas as posições caracterizam crime à luz da constituição. A manutenção da paralisação com essas palavras de ordem e atos de violência contra quem quis sair datal greve já se tornaram atentados à segurança nacional, acarretando enorme prejuízo à economia nacional.

A apuração desses atentados está sendo feita de forma rotineira, sem a intensidade que a gravidade dos casos impõe ao poder público.  Para que a verdade seja esclarecida e os criminosos punidos exemplarmente, é preciso formar uma força-tarefa para investigar em profundidade e com a rapidez necessária. Ou o país vai engolir esse fato como um mosquito e degluti-lo como um elefante. Já se sabe o resultado dessa digestão, se houver uma.

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