Quarta, 06 Junho 2018 14:33

Hábito de tucano

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Quando a cabo Maria de Fátima Cardoso dos Santos se tornou o 21º integrante da Polícia Militar assassinado neste ano, o governador Simão Jatene passava o fim de semana no Beach Park, em Fortaleza, no Ceará. O governador não podia ser criticado pela infeliz coincidência. Mas passou a ser merecedor de reparos por demorar dois dias para retornar a Belém, apesar do impacto causado na cidade pela execução da militar. O governador retornou, foi para uma reunião noturna com o esquema de segurança e se retirou antes mesmo da chegada da imprensa. Por isso, nem nas fotos que registraram o encontro ele apareceu.

O prefeito Zenaldo Coutinho também não tem culpa por sua viagem à Europa acontecer logo depois que a cidade foi inundada pela forte chuva de ontem.  A jornada foi oficializada com uma semana de antecedência da partida. Não é muito tempo para uma viagem dessas. Por isso, poderia ser cancelada, quando não fosse por outro motivo, em solidariedade aos cidadãos da capital paraense.

Evidentemente, só se for forçado a isso é que o prefeito dará meia volta volver. Provavelmente o encontro da Unesco, do qual participará, foi programado, não por mera coincidência, para permitir que, ao final, seus integrantes possam esticar para a Copa do Mundo da Rússia, antes mesmo do encerramento do encontro, como costuma acontecer quando há uma circunstância como essa.

Parece ser da natureza dos tucanos um comportamento político elitista, refratário a maior intimidade regular com o povo (a regra não vale para a campanha eleitoral, conforme deu exemplo Fernando Henrique Cardoso ao comer buchada de bode no Nordeste). Faz lembrar das convenções da UDN de São Paulo, realizadas no então sofisticado estádio municipal do Pacaembu, a portas fechadas, com ingresso pago e direito a chá e bolinhos.

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