Terça, 05 Junho 2018 14:35

Belém (1)

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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Atendendo a pedido de um leitor, reproduzo os artigos que reuni numa edição especial do Jornal Pessoal que pretendia contribuir para a eleição municipal de 2012. Primeiramente transcrevendo a introdução e, em seguida, os artigos.

DOSSIÊ JORNAL PESSOAL Nº 5

LÚCIO FLÁVIO PINTO

A BELÉM QUE EU QUERO

(QUAL É A SUA PARA ESTE 2012 DO VOTO?)

Para pensar o voto

Até algum tempo atrás, Belém era tida como uma cidade de muros baixos. As histórias, sobretudo na forma apimentada de fofocas, corriam soltas. Sabia-se de tudo, ou quase. Isso foi antes de se levantarem os muros. E, mais do que os muros residenciais, os arranha-céus. Quem permaneceu na horizontal tratou de se esconder atrás das suas muralhas de segurança, como no jardim dos Finzi-Contini, personagens de uma ficção bem realista que retratou a ascensão do nazismo e a ilusão de certa elite de se resguardar através do isolamento.

A elite de Belém tem essa mesma ilusão. Exerce cada vez menos a sua função salutar de elite: mensageira das novidades, porta-estandarte das causas coletivas, no comando das transformações. É cada um por si e os mais fortes por seu grupo, ou família. Da alienação ao nepotismo, da omissão à barbárie, a cidade deixou de ser uma corrente de interesses explícitos para se tornar um instrumento de negócios, dos mais variados. Por ironia, aqueles que se mantêm atrás dos muros mais altos ou das torres mais elevadas são os que mais sabem. Por efeito, os mais desinformados são os que permanecem no rés-o-chão, expostos a um cotidiano de violência e desrespeito.

A eles é dedicado este dossiê, que, obviamente, não ignora a elite. Pelo contrário: ela é a razão de ser desta publicação. Para mostrar-lhe suas faltas e para usá-la como instrumento de percussão do que aqui se diz. Na esperança, usualmente transformada em utopia em Santa Maria de Belém do Grão Pará, de que ecoe pela cidade às vésperas da eleição na qual os belenenses escolherão aquele que estará no comando da cidade quando ela completará quatro séculos de existência, em 2016.

Espero que os leitores realizem o propósito deste livro: transformá-lo numa ferramenta de trabalho para a eleição, um elemento a mais para a reflexão mais profunda antes de digitar as teclas da ainda insondável urna eletrônica. Aqui relembram-se fatos, apontam-se responsabilidades. Indicam-se autores e fazem-se sugestões. Tudo para proporcionar um pouco de matéria prima para o processo pensante do cidadão.

Não podemos continuar a comparecer às seções eleitorais como gado no matadouro. Precisamos conhecer os candidatos, cobrar o que dizem (sobretudo, o que prometem), pesquisar o que já fizeram (ou deixaram de fazer), suas vinculações, seus interesses, suas virtudes, seus vícios e o que podem significar para o município. É preciso interromper essa rotina de cinismo, de deboche, de desprezo pelo cidadão e a sociedade. É isso que explica tantas mentiras e manipulações utilizadas eleição após eleição e mandato após mandato.

Mas não é só os políticos, os tecnocratas e os servidores públicos os culpados: o cidadão também não cumpre os seus deveres. Mesmo que, por um milagre, surgisse um administrador à altura dos desafios que Belém lhe impõe, será preciso educar novas gerações para livrá-las dos maus hábitos e princípios que contaminaram boa parte dos belenenses.

Tal prefeito, que não se vislumbra, nem entre os atuais candidatos nem em políticos em perspectiva, teria que ser ao mesmo tempo gestor e educador, se não quisesse se tornar mais um na trajetória sempre descendente do exercício do poder público em Belém há várias décadas.

Espero que este trabalho motive o leitor/eleitor a refletir,m discutir e tomar alguma iniciativa para tirar sua cidade dessa camisa de força.

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