Quarta, 14 Novembro 2018 15:28

Ai de ti, Belém

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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A filha de um amigo, que mora no Rio de Janeiro, depois de passar muitos anos em Belém, enviou-lhe de Portugal, onde mora, um texto produzido por aqui, escandalizada pelo que leu. Devemos nos escandalizar mais ainda. Parece que o choque causado por mais essa selvageria na nossa cidade repercute mais fora do que dentro. Certamente porque mais acentua a nossa barbaridade, que mais nos distancia da civilidade e da civilização. Vamos continuar imóveis e impotentes, regredindo na escala da história?

Uma tragédia anunciada. A história de duas das principais esculturas modernistas de Belém que acabaram, provavelmente, derretidas em algum ferro velho. O descaso do poder público e o vandalismo do cidadão que entristecem a cidade dos 400 anos.

Assim começava a postagem de Belém Antiga em 9.11.2016. Esta semana, a tragédia ficou completa. A terceira e última estatua do conjunto arquitetônico modernista mandado construir na Praça Floriano Peixoto, em frente ao centenário Mercado de São Brás, sumiu, foi roubada, como a memória desta terra.

Resgatando a história, o monumento foi de Magalhães Barata. Era a comemoração do centenário do Líder Político Lauro Sodré (1958).

A inauguração foi com toda pompa em 10 de junho de 1959. O conjunto de elementos monumentais é constituído de três grupos de escultura, espalhados pela praça. Projeto do arquiteto paraense Francisco de Paula Lemos Bolonha, com esculturas do artista paulista Bruno Giorgi, as únicas existentes fora do eixo Rio-São Paulo.

O primeiro traz a figura de um homem sentado, em meditação e está situada sob uma cobertura e sobre um espelho d’água, espécie de piscina, remetendo à figura e aos feitos do líder político homenageado, Lauro Sodré.

O segundo, um obelisco com 20 metros de altura que leva em seu topo a imagem da Vitória, figura em alumínio que possui 5,30 metros de altura. A terceira era um mural, sob o ponto de vista do observador, estavam três figuras em bronze, que representam o Trabalho, à esquerda, as Artes, à direita, e a República ao centro.

O mural está ligado a uma escada e situa-se entre o primeiro e o terceiro grupos escultóricos. Era porque as três estatuas foram roubadas e devem ter ter tido o mesmo destino. Derretidas em algum ferro velho, Menos mal se tivessem sido vendidas para algum colecionador e ainda pudessem, um dia, ser resgatadas.

Antes, já tinham roubado as representativas das Artes e o Trabalho. Agora foi a vez da República, ultrajada. Sinal de uma cidade que não soube proteger seu patrimônio e um cidadão, mais preocupado com os trocados do que com seus valores e sua memória.

Fontes: Associação dos Amigos do Patrimônio de Belém/ Fragmentos de Belém/ Nostalgia Belém/ Monumentos de Belém.ufpa com colaboração de Louis du Lac/ G1 Pará

Ler 146 vezes Última modificação em Domingo, 06 Janeiro 2019 11:47

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