Quinta, 12 Abril 2018 18:07

Gilmar continua atacando

Escrito por Lúcio Flávio Pinto
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O ministro Gilmar Mendes, como ontem ficou claro, deixou de lado o julgamento de recursos submetidos ao Supremo Tribunal Federal para usar sua bancada como tribuna política, a partir da qual vale tudo. Nada mais o detém na execução de um propósito que nada tem a ver com o desempenho do seu ofício judicante.

Para espanto geral, Gilmar afirmou que o advogado de Antônio Palocci, Roberto Batochio,  o procurou para lhe comunicar que estava deixando a representação do ex-ministro da Fazenda no habeas corpus que estava sob exame do plenário.

Batochio, ex-presidente da OAB nacional, era uma exigência da força-tarefa da Operação Lava-Jato para haver negociação de uma colaboração premiada. Ao questionar a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, Gilmar lhe indagou se o propósito é criar um Estado policial, “empoderar essa gente que está totalmente empoderada?”.

Prosseguindo, Gilmar Mendes citou o caso do  advogado do marqueteiro João Santana, Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, integrante da Lava Jato. Segundo o ministro, o advogado exigiu que vários processos passassem pelo seu escritório . Depois que o caso se tornou público, a atuação do advogado passou a ser clandestina. “A corrupção já entrou na Lava Jato, na Procuradoria. Alguém tem dúvida?” gritou Mendes, .

Ele também relembrou a reviravolta na delação da JBS após a descoberta de um jogo duplo do ex-procurador Marcelo Miller nas negociações da delação da J&F. Novas gravações, entregues depois da celebração do acordo, indicaram que Miller teria orientado Joesley e seu grupo nas tratativas com a Procuradoria Geral da República sobre o acordo de colaboração.

Joesley diz que pretendia usar Miller como intermediário para chegar ao procurador-geral da República. Após sair da PGR, Miller foi trabalhar como advogado no escritório Trench, Rossi e Watanabe, o mesmo que representava o grupo J&F na negociação do acordo de leniência, participando das articulações iniciais.

Para Gilmar  a “dupla carioca” estava operando articulada dentro da procuradoria era formada por Miller e a advogada Fernanda Tórtima, que atuou para a JBS. “É um caso de corrupção que tem que ser investigado e tem que ser dito. Vamos fechando o sistema e empoderando esse nicho”, continuou.

O ministro Sr declarou impressionado por Miller ter recebido indenização pelo “trampo no escritório”, lembrando que o ministro Edson Fachin negou pedido de prisão preventiva dele, sem haver recurso da PGR.

Para Gilmar, a prisão do banqueiro André Esteves, do BTG-Pactual, delatado pelo ex-senador Delcídio do Amaral, foi um “vexame” para o Supremo. “Era mentira e ficou preso em Bangu”, condoeu-se. Esteves nunca mais foi importunado, como não foi Eike Batista.

A partir daí, o ministro passou a atacar ainda juízes de primeira instância. Citou o pagamento de auxílio-moradia ao juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio de Janeiro, pelo recebimento de auxílio moradia, porque sua esposa também é magistrada.

Apoplético, alertou seus pares para que evitassem as idas e vindas dos habeas corpus e a decretação de novas prisões com praticamente os mesmo fatos, só para evitar a denegação da ordem. Acusou as prisões preventivas decretas pelo juiz Sergio Moro, de estarem se transformando em definitivas. “Além do direito penal de Curitiba, que se crie a constituição de Curitiba. É isso que estamos fazendo”, ironizou, feroz.

Gilmar Mendes perdeu a seriedade, a compostura, o pudor e a preocupação de preservar pelo menos as aparências. Ao tumultuar as sessões do Supremo e partir para agressões e acusações, quer acabar com a Lava-Jato e a prisão dos ladrões de colarinho branco. Ainda assim, tudo que disse precisa ser imediatamente apurado e os resultados da investigação comunicados à sociedade. Para que Gilmar Mendes seja desmascarado. Ou restaure-se a moral ou todos nos locupletemos, como dizia vovó Zulmira, criação imortal de Stanislaw Ponte Preta, que tanta falta nos faz

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