Sábado, 16 Fevereiro 2019 12:40

Quem deve ser preso?

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Desde meados do ano passado, os responsáveis pela gestão da barragem de Brumadinho sabiam que ela não oferecia a segurança atestada pelos laudos técnicos. Não só foram informados do risco iminente de rompimento como da inexistência de um plano de emergência viável para evacuar a área que poderia ser inundada.

Na véspera do acidente, os testemunhos fornecidos aos funcionários da Vale configuravam um cenário extremamente grave. As medidas adotadas só teriam efeito a médio e longo prazo. Antes disso, porém, o pior – já então prenunciado – poderia acontecer.

Um dos autores de advertências foi o funcionário mais antigo da Vale em Brumadinho, Olavo Henrique Coelho. Seu alerta foi desconsiderado. Ele estava trabalhando na área quando, no dia 25 de janeiro, os 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e lama desabaram, a partir de uma altura de mais de 80 metros (equivalente a um prédio de 30 andares). Em menos de dois minutos, o tsunami criado pelo homem atingiu os locais onde estavam quase 500 pessoas. Olavo foi um dos mortos.

Essas informações fundamentaram a ordem de prisão dada pelo juiz Rodrigo Heleno Chaves e foram divulgadas pelo jornal Estado de Minas. A decisão pode ser aceitável, mesmo havendo dúvidas quanto à sua base legal, ao menos do ponto de vista formal. Não foi provado que, em liberdade, os oito funcionários da Vale pudessem impedir ou prejudicar as investigações ou fugir antes de serem punidos, quando fossem demonstradas suas culpas no devido processo legal, com amplo direito assegurado às suas defesas.

O que incomoda é que a cadeia de comando se encerra no último cargo de chefia na estrutura operacional da barragem no próprio local, ocupado por Cristina Heloísa da Silva Malheiros, uma das detidas. A apuração não foi além nas conexões? Nenhum diretor executivo da mineradora foi informado? O presidente da companhia ignorava os problemas?

Da mesma maneira como cederam informações sobre a necessidade e o amparo legal das prisões ordenadas nesta semana, os investigadores deveriam informar sobre a cadeia de comando dessa que é a maior empresa privada do Brasil e a segunda maior mineradora do mundo.

Se há, em relação à cúpula da empresa, algum indício de cumplicidade ou negligência na sucessão de decisões erradas em relação a Brumadinho, por que eles também não foram presos? Não oferecem mais risco à instrução processual do que os seus subordinados? Não podem fugir para o exterior, imitando outros executivos em casos semelhantes ou análogos?

Caso sejam inocentes, todos já não deveriam ter sido ouvidos pela polícia, o ministério público ou a justiça? Não deveriam ser alvo de mandados de busca e apreensão? Ou o chicote que atinge Chico não chega a Francisco?

No outro desastre provocado pela Samarco, empresa controlada pela Vale (em sociedade com a australiana BHP), o de Mariana, foram indiciadas quatro empresas e 22 pessoas, mas ninguém foi preso. Agora, o total de prisões já chega a 14, mas seis dos detidos já foram liberados, por decisão da justiça em 2º grau. O mais provável é que os demais tenham a mesma sorte. Ainda assim, a ordem de detenção poderia mostrar que, desta vez, não haverá a impunidade que causou indignação no caso da barragem do Fundão. Num e noutro caso, contudo, nenhum executivo foi preso ou indiciado. Mudanças houve, mas nem tanto.

Reproduzo a seguir a matéria do jornal mineiro, para que a opinião pública continua a acompanhar com atenção o que foi um dos acidentes com maior número de vítimas humanas da história mundial da mineração.

 

O responsável pelo mais contundente alerta sobre o risco de rompimento da Barragem 1, em Brumadinho, foi vítima da tragédia que ele mesmo previu. As investigações mostram que Olavo Henrique Coelho, considerado o mais antigo funcionário da mina, disse há cerca de sete meses à chefia, a um técnico e a um gerente que todo o pessoal deveria ser retirado do Córrego do Feijão, porque a barragem não tinha conserto.

O depoimento é do filho dele, também funcionário da empresa, Luciano Henrique Barbosa Coelho, e consta na decisão do juiz de Brumadinho, Rodrigo Heleno Chaves, que decretou a prisão de oito funcionários da Vale. “(...) Seu pai disse a eles que, se fosse água não teria jeito, quanto mais resíduos, afirmando que a barragem estava condenada e não tinha mais conserto, que os chefes, técnicos e gerentes presentes disseram que não poderiam tirar o pessoal de lá, porque é muita gente envolvida e empregos, dizendo que iriam contratar empresa especializada de urgência para consertar a Barragem 1”. Olavo, uma das 166 vítimas já identificadas da catástrofe, foi sepultado no cemitério de Brumadinho no último dia 4.
Segundo o processo, ele havia sido foi chamado por ter conhecimento de sobra sobre os mecanismos da barragem e por ser uma referência em infraestrutura, por sua experiência prática, embora não tivesse formação superior. Uma das pessoas que ouviram o alerta, segundo o depoimento prestado ao Ministério Público, foi Cristina Heloísa da Silva Malheiros, presa na operação de ontem.

E não foi só ele que alertou sobre o problema. E-mails de dois funcionários da consultoria Tüv Süd afirmavam que os estudos de liquefação da barragem estavam em fase final, mas que a estruturas não seria aprovada e que, a rigor, não poderiam assinar a Declaração de Condição de Estabilidade da barragem, que teria como consequência a paralisação imediata de todas as atividades da mina.
“O coordenador Felipe ligou na sexta-feira passada para saber como andavam os estudos, e sabendo da possibilidade de a Barragem 1 não passar, comentou que todos os esforços serão feitos para aumentar o fator de segurança, como o rebaixamento do lençol freático, a remineração do rejeito, etc.... Mas são todas soluções de longo prazo, que levarão de 2 a 3 anos para surtir o efeito desejado”, diz um dos trechos de mensagem eletrônica trocada entre funcionários da Tüv Süd.
Em outro trecho da decisão, o juiz destaca depoimento de outro funcionário, Washington Pireti, segundo o qual “em caso de risco de rompimento da barragem a ordem de evacuação deveria vir de Renzo Albieri, mas a ordem de evacuação deveria ser startada (deflagrada) por Cristina Malheiros”.

O juiz Rodrigo Heleno afirma que “os autos apontam que qualquer um dos oito funcionários da Vale ora representados, pela posição que ocupavam, sabedores da situação crítica da barragem desde meados de 2018, sem que alguma medida eficaz fosse tomada, e diante da leitura discrepante dos piezômetros em 10/01/19, situação que permaneceu sem solução até o dia anterior ao rompimento, deveriam obviamente ter agido de maneira preventiva e acionado o PAEBM (plano de emergência), o que evitaria que centenas de vidas fossem ceifadas.”
CONSULTORES LIVRES

Além dos oito funcionários da Vale presos na manhã de ontem, o MP havia solicitado a prisão de quatro funcionários da Tüv Süd, consultora alemã contratada pela mineradora para vistoriar as condições da Barragem 1. Mas o juiz Rodrigo Heleno Chaves considerou não haver ainda dados que permitam as prisões.
O MP alega que eles “participavam de um esquema patrocinado pela Vale no sentido de maquiar dados técnicos, externalizando, falsamente, a situação de normalidade da estrutura de barramento”. No entanto, o juiz entendeu que ainda são necessárias provas, “pois nenhum deles assinou a declaração de estabilidade da barragem e, como não eram funcionários da Vale, em tese não tinham a incumbência de acionar o Plano de Ações Emergenciais”.  A Tüv Süd não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

Defesa desmente que engenheiro teria sofrido pressão  

As pressões que um dos engenheiros da empresa de consultoria Tüv Süd Brasil afirma ter sofrido da Vale para atestar a estabilidade da barragem que se rompeu em 25 de janeiro não teriam ocorrido, de acordo com um dos advogados que defendem os três funcionários da mineradora presos no dia 29 e libertados por habeas corpus no dia 7.

O engenheiro Makoto Namba afirmou à polícia que representantes da mineradora insistiam em saber quando o laudo de garantia de estabilidade seria emitido, e respondeu que a empresa deveria seguir as 17 recomendações que fez para que a operação continuasse. Makoto e o engenheiro André Jum Yassuda também foram presos e libertados nos mesmos dias que os funcionários da Vale.

De acordo com o advogado Henrique Viana Pereira, defensor dos responsáveis pela segurança da Barragem 1 da Mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH, o engenheiro interpretou incorretamente um pedido de expectativa de emissão do laudo, como se fosse algum tipo de ameaça que poderia resultar na perda do contrato de prestação de serviços.
“Isso foi uma impressão que o engenheiro pode ter tido, mas não houve nenhuma pressão de fato”, disse o advogado Henrique Viana Pereira. Os clientes do escritório de Pereira são o geólogo da Vale Cesar Augusto Paulino Grandchamp – um dos citados na decisão de ontem que levou à prisão de mais oito funcionários da Vale – o gerente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do complexo minerário de Córrego do Feijão, Ricardo de Oliveira e o gerente-executivo operacional Rodrigo Artur Gomes Melo.

“Eles estão à disposição da Justiça, como sempre estiveram”, afirmou, enquanto aguardava o julgamento no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) do habeas corpus definitivo, uma vez que o concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi uma decisão liminar.
Os advogados que defendem os engenheiros da consultoria Tüv Süd Brasil preferiram não comentar as declarações de pressão dadas no depoimento de seu cliente, e reforçadas na decisão de ontem. De acordo com o advogado Augusto de Arruda Botelho Neto, os dois profissionais defendidos por ele estão à disposição da Justiça em níveis federal e estadual.

“Nossos próximos passos se darão a partir do que a investigação policial decidir. Eles prestaram depoimentos falando tudo o que sabiam sobre o caso, mas não posso comentar o conteúdo dos depoimentos.”

Ouvida sobre esse processo específico, a Vale informou que vem colaborando “proativamente e da forma mais célere possível com todas as autoridades que investigam as causas do rompimento”. “Como maior interessada no esclarecimento das causas desse rompimento, além de materiais apreendidos, a Vale entregou voluntariamente documentos e e-mails, no segundo dia útil após o evento, para procuradores da República e delegado da Polícia Federal”. A companhia informou que se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações, de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades.

Sexta, 15 Fevereiro 2019 14:09

A história de Mahrla

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Às 17,37 de quarta-feira, 13, Mahrla Thayná Vilhena Pantoja, de 24 anos, solteira, com um filho, anotou no seu facebook: "Quanto mais eu conheço 'homens', menos interessada em fico".  Menos de 15 horas depois, seu corpo estava estendido na rua dos Timbiras, no bairro do Jurunas, com seis balas. Ela foi surpreendida por um casal, que se aproximou numa moto. Do carona, uma mulher descarregou o revólver em Mahrla. A morte foi imediata.

Hoje, quem visitar o espaço dela na internet, ainda com suas fotos em poses sensuais, encontrará no alto esta mensagem: 

Em memória de Mharla Thayna,- Esperamos que as pessoas que amam Mharla encontrem alento ao visitar seu perfil, para lembrar e celebrar sua vida.

No dia 4, Mahrla anotou: "Se Deus não agradou a todos e também foi traído".

E no dia 6: "Prefiro ficar com todos os defeitos que as pessoas dizem que tenho do que fingir ser alguém que não sou".

A história de Mahrla foi curta e injusta.

Sexta, 15 Fevereiro 2019 13:39

A mulher no crime

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Foi a primeira vez que uma mulher participou de uma execução como autora do homicídio, ontem de manhã, no bairro do Jurunas, em Belém? A mulher estava na carona de uma motocicleta, dirigida por um homem, e descarregou as seis balas do revólver em Mahrla Thayná Pantosa, de 24 anos, que voltava para sua casa, depois de deixar o filho na escola. A jovem morreu no local. Eram sete e meia da manhã num cruzamento de grande trânsito, na Timbiras, entre a Breves e a Bernardo Sayão. Várias pessoas testemunharam o crime. Depois dos disparos, a dupla fugiu em alta velocidade.

O fato atesta o crescimento - em quantidade e intensidade - das mulheres no mundo do crime, em particular nos homicídios violentos e em quadrilhas de tráfico de drogas. No mesmo dia, Vera Cristinah Cardoso, de 18 anos, comandou um assalto no interior de um ônibus, quando o veículo atravessava o túnel do Entroncamento, entre Belém e Ananindeua. Seus dois cúmplices conseguiram fugir, mas ela foi presa pelos passageiros, assustados pela sua agressividade.

Sexta, 15 Fevereiro 2019 11:05

Bode expiatório?

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Tudo indica que alguma falha (ou até ação de má fé) na operação da estrutura pode ter provocado – ou, pelo menos, contribuído – para o rompimento da barragem de Brumadinho. Mas o ministério público e a polícia voltaram a se precipitar, hoje, ao prenderem oito funcionários da Vale em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Alguns documentos foram divulgados que alertam sobre decisões em relação à barragem do córrego do Feijão, mas nada que justifique a prisão dos técnicos por 30 dias.

Um dos presos, Alexandre de Paula Campanha, teria pressionado Makoto Namba, engenheiro da Tüd Süd, empresa foi a responsável pelos relatórios que atestaram a estabilidade da barragem. Campanha teria interpelado Namba: se a Tüv Süd “vai assinar ou não a declaração de estabilidade?".

Namba, preso e interrogado pela Polícia Federal, entendeu que o sentido da frase foi "uma maneira de pressionar o declarante e a Tüv Süd a assinar a declaração de condição de estabilidade sob o risco de perderem o contrato”.

Já Helio Márcio Lopes de Cerqueira, da gerência de gestão de riscos geotécnicos, planejamento e desenvolvimento de ferrosos, também detido, um dia antes do rompimento da barragem alertara uma empresa de tecnologia contratada pela Vale de que as leituras de piezômetros estavam com falhas e que isso poderia acarretar em multas da Agência Nacional de Mineração.

O texto da mensagem que ele mandou, no entanto, por si só, não caracterizam um crime, já que sua preocupação era resolver imediatamente o problema causado pelas “leituras incoerentes” do monitoramento da represa. O alerta que fez sobre o risco “muitíssimo alto” de multa aplicada pela agência nacional de mineração (antigo DNPM) não prova que ele estivesse querendo esconder o problema.

Mesmo que as interpretações gravosas dos policiais sejam corretas, as provas podem ser obtidas e os responsáveis punidos sem a necessidade de serem presos. Não há registro de que os oito funcionários detidos agora, como os quatro anteriores, estejam destruindo provas ou pressionando testemunhas, nem que possam fugir do país.

Da mesma maneira como os técnicos anteriores foram soltos pela justiça, os novos punidos provavelmente conseguirão  a mesma proteção. Há um cheiro de bode expiatório no ar. Nenhum dos executivos da alta administração da Vale nem as autoridades do setor no governo foram perturbados. Talvez o impacto na economia e no “mercado” de um ato desses esteja influindo mais do que a punição exemplar dos responsáveis em última instância pelo desastre de Brumadinho.

Sexta, 15 Fevereiro 2019 09:48

A crise da imprensa

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Até a semana passada, as edições de sextas-feiras de O Liberal incluíam um caderno de classificados com quatro páginas de anúncios populares. Hoje, esses anúncios não foram suficientes para ocupar duas páginas. Enfraquecidos, os classificados deixaram de formar um caderno autônomo: foram encartados no caderno de esportes. É fato inédito na história recente do jornal. Reflete a crise do comércio, principal anunciante, e do poder de compra da população em geral.

Na década de 1970, sob o comando de Romulo Maiorana, O Liberal assumiu tanto a liderança de vendas no Pará como a maior fatia dos pequenos anúncios. Há uma relação causal entre as duas formas de comercialização. Porque vende mais exemplares, um jornal também passa a abrigar a maior quantidade anúncios, e vice-versa. Os anúncios de venda e aluguel de imóveis ou de carros crescem porque o pequeno anunciante tem retorno mais imediato à sua mensagem. E quanto mais há desses anunciantes, mais o jornal tem leitores.

Apesar de ter perdido sua posição em circulação para o Diário do Pará, O Liberal ainda mantinha - e continua a manter - o maior volume de anúncios classificados. Mas a diferença tem diminuído, à exceção das edições dominicais. Em ambos os jornais, porém, os classificados emagrecem, o que ocasiona perda de leitores. Nenhum deles divulga mais as suas tiragens, mas esse fato pode ser comprovado pela redução da quantidade de páginas dos dois jornais.

É a crise.

Quinta, 14 Fevereiro 2019 16:41

Mineradora joia?

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O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, entende que a mineradora "não pode ser condenada" pelo desastre causado pelo rompimento da barragem da mina do córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, que já contabiliza oficialmente 166 mortos. Mas pode passar de 300.

"A Vale é joia brasileira, que não pode ser condenada por um acidente que aconteceu numa de suas barragens, por maior que tenha sido a sua tragédia", disse ele, hoje, durante reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados que apura a situação de barragens no Brasil. 

Ele sustenta sua interpretação do "acidente" nos laudos produzidos por consultores e funcionários da empresa, que não indicavam o perigo iminente de rompimento da barragem.  Por isso, ele disse que a Vale ainda desconhece a causa do rompimento, em 25 de janeiro. 

"Todas as informações que nós possuíamos e que eram enviadas aos técnicos da Vale demonstraram que não havia qualquer perigo iminente sobre aquela barragem. Consequentemente não havia nenhuma razão de alarme ou de preocupação por parte da gestão da companhia", declarou.

Para Schvartsman, a Vale atuou de acordo com a legislação e com base nos laudos de estabilidade dos técnicos, "especialistas nacionais e internacionais com grande qualificação no assunto representam a pedra fundamental de todo o sistema de mineração no Brasil, na Vale e no mundo". 

Já os documentos internos da própria Vale aos quais o Ministério Público de Minas Gerais teve acesso indicam que a represa de Brumadinho fazia parte de um grupo de 10 barragens com mais propensão a rompimento e que se encontravam em uma zona de atenção.

O documento registra ainda a estimativa sobre o número de mortos em caso de rompimento dessa barragem e os custos que a empresa teria se isso viesse a acontecer, que alcançariam 1,5 bilhão de dólares, o equivalente a 5,6 bilhões de reais.

As provas já reunidas ainda não são suficientes, ao que parece, para o MP de Minas propor uma ação criminal contra a Vale e os seus dirigentes. Mas já é suficiente para impedir a sua exclusão do crime coletivo em Brumadinho. A Vale é realmente uma jóia em matéria de lucratividade empresarial. Essa qualidade não se estende, porém, às dimensões sociais e ambientais da sua atuação.

Quinta, 14 Fevereiro 2019 15:39

Barata e Romulo

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Romulo Maiorana não é o fundador de O Liberal, ao contrário do que anuncia diariamente o cabeçalho do jornal. Quando ele o comprou, em 1966, O Liberal já tinha 20 anos. Seu fundador foi o caudilho Magalhães Barata, que o recebeu por doação de um grupo de amigos, em 1946, em seguida ao fim do Estado Novo, durante o qual Barata chegou a ser interventor federal no Pará.

O Liberal deveria ser o porta-voz do PSD, o Partido Social Democrático. Barata morreu em 1959, os "baratistas" foram derrotados eleitoralmente em 1965 pelos coroneis Jarbas Passarinho e Alacid Nunes, o PSD foi extinto e O Liberal estava para fechar quando Romulo deixou o comércio para se tornar dono de jornal. Manteve-se à frente do jornal por 20 anos, até morrer, em 1986. Sua mulher o suecedeu na presidência simbólica da empresa e no controle nominal das ações. Dea é sobrinha de Barata.

Para ser fiel à verdade, os herdeiros deveriam mudar o cabeçalho. Bastava colocar os nomes de Barata e de Romulo e, entre parenteses, o período em que foram os proprietários, como fazem os jornais que mantêm o valor da tradição em coerência com a história real.

Quinta, 14 Fevereiro 2019 14:57

Morre Zé Arara

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Ele foi o maior comprador de ouro do Brasil. Não com seu verdadeiro nome, José Cândido de Araújo, mas como Zé Arara, o personagem principal da era dourada de Itaituba, que abrigava a maior quantidade de pousos e decolagens de aviões pequenos do país, mesmo tendo aeroporto precário.

De lá saíam todos os anos centenas e centenas de quilos de minério, a maior parcela clandestinamente, sobretudo para São Paulo, transportadas por “mulas”, em voos comerciais ou em pequenos aviões.

Zé Arara chegou a ter uma frota de teco-teco, que usava para voos constantes entre Itaituba e o garimpo do Patrocínio, que comandava, ou para servir a amigos. O dinheiro fluía volumoso, permitindo aos donos de garimpos extravagâncias, como as de Zé Arara, que mandou construir uma banheira banhada em ouro.

Em sua história empresarial, ajudou muita gente a levantar um patrimônio considerável. Digamos que foi “pai de muitos”. Excêntrico, porém, com um grande coração.

Zé Arara morreu no último dia 11, em Florianópolis, Santa Catarina, já sem desfrutar da fama que chegou a ter nos anos de 1970/80.

Quinta, 14 Fevereiro 2019 10:28

Pró-Saúde responde

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A Pró-Saúde se manifestou, a propósito da matéria publicada ontem neste espaço. A entidade garante a qualidade dos serviços que presta ao público nos hospitais do Estado que administra sob contrato de gestão. Só não apresenta as informações referentes aos seus contratos porque elas foram consideradas sigilosas em investigações conduzidas pela Polícia Federal, com as quais tem colaborado.

Segue-se a nota, enviada da sede da entidade, em São Paulo.

Em atenção à matéria “Os contratos da Pró-Saúde”, publicada nesta quarta-feira (13), a Pró-Saúde ressalta que tem colaborado com as investigações da Polícia Federal. No entanto, em virtude do sigilo do processo, não se manifestará sobre os fatos.

A entidade filantrópica reafirma neste momento o seu compromisso com ações de fortalecimento de sua integridade institucional.

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica sem fins lucrativos que atua alicerçada na ética cristã e na vasta experiência católica de trabalho social, voltada aos mais diversos públicos, nas mais distintas realidades, primando pela valorização da vida e pela defesa das condições essenciais para o desenvolvimento das pessoas, com valores de humanização, solidariedade, sustentabilidade e integridade.

Dos 10 hospitais públicos de excelência no Brasil, dois estão localizados no Pará e são gerenciados pela Pró-Saúde: Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA) e Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), ambos com a certificação máxima de qualidade (ONA 3 - Acreditado com Excelência).

Os hospitais Público Estadual Galileu (HPEG) e Oncológico Infantil Octávio Lobo são certificados como Acreditado Pleno (ONA 2). Já o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) se tornou o primeiro hospital público de urgência e emergência em trauma e queimados do Norte do País a obter certificação ONA 1 – Acreditado.

Além disso, dois hospitais públicos do Pará sob gestão da entidade, o HRBA e o HPEG, possuem Certificação Internacional GRI (Global Reporting Initiative). Três hospitais sob gestão da entidade no Pará são signatários do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas): HRBA, HPEG e Oncológico Infantil – este último, inclusive, também é signatário do Pacto de Princípios de Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres).

Quarta, 13 Fevereiro 2019 19:57

Bibi, a dama

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Com dias de idade, fez figuração numa peça teatral no palco. Aos 95 anos ainda estava no palco, interpretando a própria vida e depois, na platéia, vê-la ser exibida. Ao longo dessa trajetória, trabalhando intensamente como cantora (cantando em várias línguas com exatidão), atriz, diretora, autora, compositora, personagem da cultura. Quem pode, em seu currículo, apresentar esses itens, como Bibi Ferreira, filha do maior ator da sua época, Procópio Ferreira.

Bibi atuou enquanto também estavam em cena Teresa Rachel, Cacilda Becker, Dulce Rocha, Maria Della Costa, Ítala Nandi, Fernanda Montenegro, e ainda assim foi a maior de todas, a grande dama do teatro brasileiro. Todos os que a viram trabalhar jamais a esquecerão. Junto-me a esses privilegiados com minha lágrima por Bibi.

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