Sábado, 18 Maio 2019 17:48

Mais um JP

Escrito por

Neste final de semana e até a segunda-feira, estará nas bancas mais uma edição do Jornal Pessoal. Na capa, a seguinte matéria:

CRIMES

A omissão geral

Dois graves crimes envolveram pessoas notórias na sociedade: o ex-deputado Luiz Sefer, por estupro, e os irmãos Rodrigues, donos do grupo Líder, num caso apresentado pelo Ministério Público como homicídio de encomenda por overdose. O silêncio geral impediu a repercussão devida.

Segunda, 13 Maio 2019 19:27

Horizonte ruim

Escrito por

A Braskem informou, hoje, que não conseguirá entregar no prazo os dados requeridos pelo agente regulador de valores imobiliários dos Estados Unidos, Por isso, a negociação dos seus papéis na Bolsa de Valores de Nova York foram suspensas. Eles devem sair da listagem de negociação.

Muito bom para os investidores americanos. E para os brasileiros? A Comissão de Valores Mobiliários está fazendo a mesma cobrança de informações da Braskem, o ramo da Odebrecht no setor petroquímico, das maiores empresas do Brasil e líder no seu setor até a Operação Lava-Jato?

Sinal de que surpresas desagradáveis estão a caminho?

Segunda, 13 Maio 2019 17:01

O apito do trem

Escrito por

Três décadas depois de ter entrado em operação, Carajás continua produzindo apenas – e cada vez mais – minério de ferro bruto. A usina de placas de aço que disputou com o Maranhão se foi para o Ceará. Agora se anuncia que a Vale, principal controladora do empreendimento, com seus sócios da Coréia do Sul, vai expandir a siderúrgica de Pecém com investimento de um bilhão de dólares.

No ano passado, a fábrica cearense atingiu a sua produção máxima, de três milhões de toneladas. Nós continuamos a ouvir o apito do trem que leva para fora do Brasil o melhor minério de ferro do planeta. É um caminho sem volta, já que minério não dá duas safras.

Se é que ainda ouvimos e vemos alguma coisa que realmente importa.

Segunda, 13 Maio 2019 11:14

O paraense Lúcio Mauro

Escrito por

Cabe ao ator Lúcio Mauro a definição: ele foi o maior papel que desempenhou ao longo de sua longa vida, de 92 anos, encerrada na noite de sábado, no Rio de Janeiro. Deixou de morar no Pará quando tinha 17 anos, mas levou na alma seu Estado natal. Manteve-se até o fim dos seus dias como um dos mais típicos paraenses: no modo de falar, no sotaque, no jeito bonachão, alegre e camarada de viver, na forma escrachada de fazer humor, se expressando por gestos e expressões, insinuando tanto quanto dizendo, da esperteza de malando belenense (tão tipológico quanto o carioca), ao som de um merengue caboclo-caribenho em festa de subúrbio (de preferência, no Guamá ou no Jurunas). Nunca abandonou a sua cultura de origem. Nem por modismo, espírito colonial ou covardia. Simples e popular, essas marcas escondiam o grande artista que ele foi, a companhia agradável e prazerosa que proporcionou a todos que ele se aproximaram.

Merecia um obituário muito melhor do que o que a imprensa paraense lhe dedicou, falha lamentável que diz muito sobre a qualidade da imprensa grande local (que já foi grande imprensa). Inacreditável, na matéria do Diário do Pará de hoje, a omissão ao fato de que Lúcio era irmão de Laércio Barbalho, pai de Jader Barbalho e tio-avô de Helder Barbalho. Os dois fizeram pálida referência ao tio em seus Faces. O jornal simplesmente ignorou um aspecto importante da biografia de Lúcio Mauro. Um dos seus personagens, o Da Júlia, foi a maior das muitas referências que fez à dona Júlia, sua mãe, que o acompanhou até a morte, como o Pará que amou, não este em que vivemos, cada vez mais aguado e sem fibra.

Sábado, 11 Maio 2019 10:22

E agora, "seu" zé?

Escrito por

Quando postei o texto 5.000 deste blog, o leitor Thirson Rodrigues de Medina fez o seguinte comentário:

Lúcio, sua resiliência é impressionante.

Reescreve a história do jornalismo, principalmente o amazônida.

Em um futuro, aonde seus registros jornalísticos, constituírem o cerne de velhos cronicões, serás comparado a um Atlante, que sustentou sozinho e nu financeiramente o jornalismo “raiz” se comparado a times de jornalistas contemporâneos que realizam verdadeira força-tarefa,sem o que, não conseguiriam empreender o que você sozinho, jornalista pré-cambriano, produz, com esforço sobre-humano e desaviando ambas as naturezas: a reação humana e o “verão e inverno amazônico”.

Primeiramente, saúde. Em segundo, que consiga a gleba amazônica tão sonhada. E, em terceiro, força, diante dos pataços das hordas de súcias.

Felizmente, com esta colocação, o generoso Thirson me poupou do constrangimento de escrever o que ele escreveu, com maior propriedade e legitimidade. É uma tradução - concisa e precisa - do desafio que enfrento há muitos anos, desde a primeira adolescência, quando comecei a escrever em busca de um leitor externo (até então, eu supunha que meus cometimentos eram poesias, contos e crônicas, para consumo exclusivamente interno). Na forma de jornalismo profissional, essa busca completou 53 anos no último dia 6, quase cinco meses antes que eu completasse 17 anos, estudante do saudoso Colégio Estadual Paes de Carvalho, que as desastrosas gestões posteriores reduziram a escombros, incapazes de compreender o significado da melhor educação.

Quando meu artigo sobre o fim da Segunda Guerra Mundial foi publicado, na primeira página de A Província do Pará (ao lado dele, saiu o aviso fúnebre dos quatro anos de morte do grande jornalista e intelectual Frederico Barata), eu estava pronto para entrar numa redação e escrever sobre a Amazônia. Aquela Amazônia do Tapajós, onde eu nascera, a mil quilômetros da costa brasileira, mas com um modo de vida litorâneo, e de Belém, aonde passaria a viver a partir dos cinco anos. A Amazônia extrativista, de civilização ribeirinha, que só ia mais fundo, na direção da terra firme, até onde a força muscular do seu habitante lhe permitia ir, pela mata cada vez mais densa, e voltar ao ponto de partida, no rio.

A Amazônia pela qual trilhei acompanhando meu pai, nas suas excursões políticas, ou seguindo mentalmente os autores que eu encontrava na sua biblioteca, como o navegador (e puxa-saco do coronel José Júlio de Andrade, o despótico e carismático dono do rio Jari, coronel de barranco como Porfírio de Miranda no Xingu) Raymundo de Moraes, de tantas histórias maravilhosas. Ou o exilado Vianna Moog, que me levou às terras altas da margem esquerda do rio Amazonas, com a altanaria narcisista dos bandeirantes e expedicionários. Ou o sereno imigrante português Ferreira de Castro e sua selva de homens e seringais. E por muitos outros livros impressionistas, de viagens e testemunhos, que pouca gente ainda lê e raros editores se dispõem a republicar. Talvez porque essa Amazônia, que já foi também minha, acabou ou esteja acabando.

De certa forma, eu me acabo com ela. Tenho procurado me manter na linha de frente da sua defesa e de combate aos colonialistas de todos os matizes. Já me defrontei pessoalmente com vários deles, personagens de grande poder (até mesmo admiráveis), desde que tive um tête-à-tête com o engenheiro e empresário Eduardo Celestino Ribeiro, autêntico - em versão atualizada - bandeirante paulista, passando pelo tycoon americano Daniel K. Ludwig, até os espécimes políticos de uma elite bem ruim, como a paraense. E sobrevivi.

Mas sinto que parte considerável de mim se foi nessa guerrilha sem trégua. É a percepção que se impõe em momentos de cessar-fogo, como este, que me proporciona a inexplicável incompetência de uma provedora de meios de comunicação, que o PT de Lula pretendia transformar em multinacional brasileira, graças a favores e subsídios estatais. A conta de chegada me é apresentada às vésperas dos 70 anos, pesada, questionadora, desafiadora e desgastante.Exaurindo as energias e tornando cada vez mais improvável o retorno ao front.

Adoecido, excluído da aposentadoria por tempo de contribuição (por culpa própria e de empregadores que, ao longo de sete anos, descontaram a previdência do meu contracheque sem recolher o dinheiro ao cofre da viúva estatal, cheia de caprichos para com seus privilegiados barnabés e extensões clientelistas e de compadrio), tendo que batalhar por cada tostão obtido no selvagem mercado da exclusão, vejo meu jornal em papel se inviabilizar sem que seja substituído pela crença pessoal nesta tecnologia, maravilhosa quando usufruída a voo de pássaro, sem incomodar o pensamento e qa consciência, esta droga (no sentido estupefaciente) digital.

O que fazer? Para onde ir? Como seguir sem a companhia do leitor comprometido com o mesmo objetivo? Como acreditar no que virá se a cada novo ano o que veio só fez abrir mais um pouco o buraco sem fim da sujeição colonial, tingida de colorido, perfumada por mensagens publicitárias, vendida como néctar dos deuses?

Se, em tais encruzilhadas, é caminhando que se encontra o caminho, então caminhemos - se caminhar ainda for possível. O dia de amanhã, com mais silêncio ou um novo eco de resistência, responderá.

Sexta, 10 Maio 2019 12:37

Na educação

Escrito por

O governador Helder Barbalho sancionou a lei que institui, a partir deste ano, o Programa Estadual do Transporte Escolar. Seu objetivo é garantir esse transporte aos alunos de ensino fundamental e médio, e educação de jovens e adultos da rede pública estadual, por meio de assistência financeira aos municípios.

Poderão, também, ser transferidos recursos do programa aos municípios que comprovarem a realização do transporte dos alunos residentes em área rural de seu território para escola da rede pública estadual localizada em outro município. O termo de adesão terá vigência de um ano e será prorrogado automaticamente.

O governo quer atender todos os 144 municípios do Estado. Vários fatores influirão na fixação do valor para cada um deles. Como exemplo é dado o de Marituba\: o município com menor área no Pará, de 103 quilômetros quadrados, receberá 190 mil reais. O maior é Altamira, com 160 mil quilômetros quadrados. Mas não foi informado o valor que lhe caberá.

Quando publica um decreto de tal envergadura, o governo deveria também divulgar o estudo que o fundamentou. Só assim a sociedade poderá avaliar melhor o significado da iniciativa, antes que ela se torne um fato pronto e acabado.

O mesmo raciocínio se aplica ao Programa Estadual de Alimentação Escolar, sancionado pelo governador para oferecer alimentação escolar aos alunos da rede pública de ensino, também publicado na edição de hoje do Diário Oficial.

Domingo, 05 Maio 2019 19:15

A morte e a "morte" de João de Deus

Escrito por

Uma extensa, intrincada e grave história transcorreu e continua a ter curso paralelamente à morte de João de Deus Pinto Rodrigues, um dos herdeiros do grupo Líder, que possui a maior rede de supermercados do Pará e do norte do país, ocorrida em fevereiro de 2015.

No dia 26 de abril, o 2º tribunal do júri absolveu Jefferson Michel de Miranda Sampaio do crime de homicídio qualificado, mas o condenou por tráfico de drogas, alegando que ele forneceu entorpecente que causou a morte de João. O juiz Moisés Flexa aplicou-lhe a pena máxima, de 15 anos de prisão e 1.500 dias-multa, no valor de quase meio milhão de reais.

Enquanto o processo contra Michel transcorria, a polícia, o ministério público e o judiciário foram acionados pelos irmãos João e Oscar Rodrigues para investigar a denúncia do pai de João filho: de que ele fora morto por overdose num crime de encomenda e não acidentalmente, por excesso de consumo. A tese não foi comprovada e o inquérito foi arquivado, depois de consumir tempo e dinheiro na busca por um mandante, que poderia ser o tio de “Joãozinho”, segundo seu próprio irmão, João. Nem as escutas telefônicas autorizadas pela justiça levaram a esse autor intelectual, que teria encomendado o assassinato a Michel.

Para abrir ao público essa história paralela e subterrânea, decidi reproduzir documentos oficiais, como o que se segue, de setembro do ano passado, no qual o delegado de polícia civil José Guilherme A. C. de Macedo Neto, lotado na Divisão de Homicídio, solicitou (e obteve) quebra de sigilo dos investigados ao juiz Heyder Tavares da Silva Ferreira, titular da 1ª Vara de Inquéritos Policiais e Medidas Cautelares do fórum de Belém.

Mantive ao máximo o original do texto, apenas corrigindo erros, ajustando referências e dando maior fluência a narrativa.

____________________

 

O delegado de polícia civil José Guilherme A. C. de Macedo Neto, informou ao juiz Heyder Tavares que a Divisão de Homicídios, na qual estava lotado, conduzia Inquérito Policial instaurado em 18 de maio de 2018, com a participação dos policiais Rubiene Cristine Caldas Paes, Nilson Pantoja de Vasconcelos Júnior, Frank Walberto Lima Matos, Marcelo Costa Pontes e Maurício Ramos Cardoso.

A requisição foi do Ministério Público do Estado, para que a políciainvestigasse se o homicídio ocorrido em 2015, que teve como vítima João de Deus Pinto Rodrigues, teve alguma pessoa como mandante, em virtude de que a pessoa apontada como autor do crime, Jefferson Michel Miranda Sampaio, que se fora denunciado pelo Ministério Público como autor do crime, nega o crime e consequentemente nega que possa ter havido algum mandante do crime.

Após a solicitação feita pelo Ministério Público, foi determinado que o delegado presidisse o inquérito policial para se chegar ao possível mandante ou mandantes do crime. Inicialmente, os investigadores verificaram, através de depoimentos colhidos que estava havendo desde o ano de 2009 uma série de conflitos econômicos e pessoais entre alguns dos sócios do Grupo Líder por fraude descoberta no cartão Liderzan, tendo a partir daí gerado uma série de conflitos entre alguns de seus membros.

Na informação ao juiz, o delegado diz que colheu através de depoimentos, principalmente do pai da vítima, o nome e numerais de pessoas que supostamente teriam interesse na morte da vítima ou de alguma forma foram omissas ou partícipes do crime, tendo as mesmas sido citadas em depoimento e os seus terminais telefônicos informados, com exceção de Elizabeth [mãe de Jefferson Michel] que colhemos do próprio depoimento da mesma e de Jefferson Michel Miranda Sampaio que obtivemos junto ao Infopen e junto ao Sisp Web, não sendo necessária a interceptação telefônica referidos numerais, apenas a quebra dos dados telefônicos para sabermos com quem o acusado de matar a vítima manteve contato no dia do crime e verificar se alguns dos suspeitos indiciados em depoimento possa ter conversado com o mesmo.

O delegado sustenta que nunca chegará ao mandante do crime, sendo necessária a autorização para a quebra de dados cadastrais do mesmo e interceptação dos demais que supostamente teriam interesse na morte da vítima. O que temos até o momento é que a vítima estava na boate conhecida à época como Element. A vítima era usuário de entorpecente (maconha) e não do entorpecente que foi encontrado como overdose através de um laudo que foi feito na França, em virtude do laudo do IML de Belém ter dado a causa da morte como inconclusiva.

Existe a suspeita por parte do pai da vítima de que a morte de seu filho João de Deus tenha relação com o fato de que no ano de 2009 o primo do mesmo de nome João Augusto Lobato Rodrigues estava fraudando valores do Cartão Liderzan, fato que foi descoberto pelo declarante [João Rodrigues] após auditoria interna no Cartão Liderzan.

Este fato gerou um conflito entre João Rodrigues (pai da vítima), Oscar Correa Rodrigues (tio da vítima) João Augusto Lobato Rodrigues (primo da vítima); Também é possível saber que outro fato que gerou atrito no Grupo Líder foi que no ano de 2014 foi convocada uma assembleia extraordinária no grupo que ia de encontro ao interesse pessoal de Oscar Rodrigues e este por isso, conseguiu uma liminar afastando João Rodrigues (pai da vítima) do grupo líder por cerca de dois meses; QUE, este fato gerou uma animosidade entre o João de Deus (vítima) e João Augusto Lobato Rodrigues (primo da vítima), ocorrendo várias acusações entre João Augusto Lobato Rodrigues e João de Deus Pinto Rodrigues.

Outro fato levantado é que desde o dia anterior a morte da vítima, o nacional Maurony Pereira Leal Filho esteve com João o dia inteiro, inclusive este foi visto na hora do almoço do almoço chegando com João de Deus e ao ver o pai da vítima Maurony se escondeu atrás do veículo para que não fosse visto e inclusive, segundo o pai da vítima, Maurony teria apagado conversas de Whatssapp do celular de João de Deus após a morte do mesmo e também que Maurony não foi ao velório de João de Deus e que após a morte de João de Deus Maurony conseguiu viajar para a Europa, trocou de carro e apartamento; QUE, após a morte de João o pai da vítima também estranhou a atitude de Juliana Xerfan, que era namorada da vítima e que estava na hora da morte de João e, segundo o pai da vítima, não ajudou no socorro e não apareceu nas audiências de instrução e julgamento do autor do homicídio pedindo dispensa de ser testemunha de acusação mesmo estando no local do crime e tendo presenciado o fato.

Segundo o pai da vítima outro fato estranho é que Oscar, seu irmão, ao saber que o autor do crime (Jefferson) tinha sido denunciado e preso, passou a fazer ofensas a João de Deus (vítima), onde comentava que não existia crime e que sim o fato tinha sido uma overdose de drogas, além do mesmo posteriormente ter sido arrolado como testemunha de defesa de Jefferson que esta denunciado como autor do homicídio.

Outro fato que chama atenção é que Oscar chamou a mãe de Jefferson (Elizabeth) no escritório do Grupo Líder, na rua Pariquis nº 1056, por três vezes, e ofereceu à mesma um advogado e pediu que ela não contasse que Oscar é que estaria efetuando o pagamento e também em uma das conversas entre Oscar e Elizabeth.

Mais um fato relevante é que Oscar, após a morte da vítima, retirou da sala de João de Deus o computador em que o mesmo trabalhava, tendo devolvido dois dias depois. Além do que já foi exposto o nacional de nome Luiz Magno Pires que na época (até 2015) era executivo do grupo líder na área de fomento mercantil, subordinado a João Augusto Lobato Rodrigues e que, por sua vez, é subordinado ao pai, Oscar, que cuida da parte financeira do grupo e que já foi indiciado (Luiz Magno) criminalmente por ter fraudado cerca de 1.500,00 [R$ 1.500.000] (um milhão e quinhentos mil reais) e posteriormente também indiciado juntamente com João Augusto Lobato Rodrigues por fraude no grupo Líder e indiciado pela DIOE por fraude equivalente a R$ 8.000,00 [R$ 8.000.000] (oito milhões de reais); QUE, em relação aos numerais das pessoas citadas na petição, com exceção dos numerais de Jefferson e Elizabeth, todos os outros foram fornecidos pelo pai da vítima em depoimento.

No seu despacho, disse o juiz:

No caso, após a solicitação feita pelo Ministério Público foi determinado que a autoridade policial presidisse o presente inquérito policial para se chegar ao possível mandante ou mandantes do crime de homicídio que vitimou o nacional João de Deus Rodrigues.

Ao longo da investigação foi verificado através de depoimentos colhidos e demais elementos de provas colacionados aos autos, que havia desde o ano de 2009 uma série de desavenças econômicas e pessoais entre alguns dos sócios do Grupo Líder, em razão de um esquema fraudulento descoberto na Gestão do Cartão Liderzan, tendo a partir daí gerado uma série de conflitos entre alguns de seus membros.

Os alvos pretendidos seriam os telefones informados pelo pai da vítima como sendo apontado como sendo aqueles apontados como mentores intelectuais do crime ou partícipes. De maneira individualizada a autoridade policial expõe:

Com relação aos nacionais Oscar Correa Rodrigues e João Augusto Lobato Rodrigues, o Delegado de Policia Civil aduz que antes da morte da vítima, estes estariam envolvidos em uma contenda familiar com o nacional João de Deus Rodrigues, assim como em outras empresas. Havendo a seu ver, fundados indícios de autoria que permitem a interceptação dos alvos pretendidos.

Do mesmo modo, é levantada a hipótese que o nacional Luiz Magno Pires poderia ter determinado tal crime, ter dado causa ou ao menos ter participado, ao passo que estaria envolvido diretamente em uma das fraudes em outras empresas da família (factoring).

Outro fato apontado pela autoridade policial como relevante expõe que desde o dia anterior a morte da vítima, o nacional Maurony Pereira Leal Filho esteve com João o dia inteiro. Sendo visto na hora do almoço chegando com João de Deus e ao ver o pai da vítima, teria se escondido atrás do veículo para não ser avistado. Soma-se a isso, a informação trazida pelo pai da vítima que Maurony teria apagado conversas de Whatssapp do celular de João de Deus após sua morte. Depois do ocorrido, estranhamente teria conseguido viajar para Europa, trocou de carro e apartamento.

Ainda segundo narra a autoridade policial, outro fato estranho é que Oscar Rodrigues, ao saber que o autor do crime (Jefferson) tinha sido denunciado e preso passou a fazer ofensas a João de Deus (vítima), asseverando a inexistência de crime, vez que se tratava de uma overdose de drogas. Além disso, foi posteriormente arrolado como testemunha de defesa no processo judicial que Jefferson foi denunciado como autor do homicídio.

Outro fato que chama atenção é que o nacional Oscar Rodrigues teria chamado a mãe de Jefferson (Elizabeth) no escritório do Grupo por três vezes para oferecer-lhe o patrocínio de um advogado para seu filho, desde que mantivesse em segredo quem seria o financiador deste.

Quanto ao segundo requisito, o crime que se investiga é punido com a pena de reclusão e constitui um dos mais graves delitos constantes em nosso ordenamento jurídico, qual seja, a perda de uma vida. Crimes desta natureza, causam significativo abalo social e merecem das autoridades policias atenção e mecanismos especiais de investigação.

Por fim, após esgotadas as diligencias plausíveis à investigação policial, a interceptação telefônica mostra-se como único meio de prova capaz de provocar o avanço nas averiguações.

Registra-se que a necessidade, pertinência e legalidade da medida cautelar foi referendada pelo Ministério Público, destinatário da prova e titular de eventual ação penal.

A jurisprudência dos Tribunais Superiores é uníssona em reconhecer a legalidade da medida, desde que presentes os elementos legitimadores da medida, quais sejam, crimes punidos com reclusão e a suspeita de participação do alvo em atividade criminosa.

A interceptação se apresenta como único meio possível para o aprofundamento das investigações, ao passo que o modus

operandi utilizado no cometimento do delito procura ocultar a autoria dos fatos, com o fito de escusar-se da aplicação da lei penal.

A medida cautelar requerida se encontra em conformidade com os ditames

Consigne-se que a autoridade policial eivou diversos esforços a fim de alcançar a autoria delitiva, sem lograr êxito até o momento, sendo a medida requerida adequada, razoável e proporcional ao caso concreto.

 

Sexta, 03 Maio 2019 19:16

Um mundo na Ásia

Escrito por

A população dos 193 países do mundo soma 7,7 bilhões de pessoas. Apenas 12 têm mais de 100 milhões de habitantes cada. Em conjunto, concentram 4,6 bilhões de almas, como se dizia antigamente. Dá uma média de 400 milhões de habitantes por país, mas só na China (1,4 bilhão) e Índia (1,33 bilhão) se acotovela a esmagadora maioria. Os restantes 3,1 bilhões de seres humanos se distribuem por 183 países, com a média de menos de 17 milhões de habitantes per capita.

Das 12 nações mais populosas, sete se localizam na Ásia, com 3,6 bilhões de habitantes (quase metade de todos os terráqueos), três nas Américas (660 milhões), uma na África e apenas uma na Europa (se assim se considera a Rússia). O Brasil, que tem o quinto maior território do planeta, é também o quinto em população, com 209 milhões de habitantes, seguido na cola pelo Paquistão, com 201 milhões.

Números de um almanaque, mas fazem pensar.

Sexta, 03 Maio 2019 16:20

O futuro da Alunorte

Escrito por

Depende agora apenas da justiça federal a retomada da plena produção da Alunorte, a maior fábrica de alumina do mundo, instalada em Barcarena. Com capacidade para 6,4 milhões de toneladas, a empresa produziu apenas 3,7 milhões de toneladas no ano passado. Em abril de 2018, a subsidiária da Hydro foi punida com a redução de 50% da sua produção, acusada de ter poluído as drenagens da região durante chuvas intensas em fevereiro.

Como efeito cascata, a redução foi a mesma na Albras, que produz alumínio, e na Mineração Paragominas, que extrai bauxita, integrantes de um dos maiores polos de alumínio do mundo, sob o controle da multinacional norueguesa.

No dia 12 do mês passado, a Alunorte e o Ministério Público Federal, acompanhados pela Procuradoria Geral do Estado, submeteram à justiça uma petição conjunta para a retirada dos embargos sobre a produção. A iniciativa se baseou em parecer da consultoria de engenharia independente Rambøll sobre a capacidade de a Alunorte retomar as operações com segurança.  

Segundo a Hydro, a Rambøll foi contratada em nome do Ministério Público para conduzir uma avaliação de dois relatórios independentes da secretaria estadual de meio ambiente, a Semas, e da Universidade Federal de Campina Grande. “Ambos relatórios concluíram que a Alunorte pode retomar com segurança as operações”, garante a empresa.

“Os embargos de produção e do uso da recém-desenvolvida área de depósito de resíduos sólidos de bauxita (DRS2) permanecem em vigor e o tempo de retomada das operações normais permanece incerto”, acrescenta.

A Alunorte declara que “está cumprindo devidamente” os compromissos firmados no Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, firmado com o Ministério Público (estadual e federal) e o governo do Estado, representado pela Semas.

“Estudos internos e externos, incluindo inspeções das autoridades, confirmaram que não houve transbordo ou vazamento dos Depósitos de Resíduos de Bauxita da Alunorte ou vazamentos durante as chuvas extremas de fevereiro de 2018”, sustenta ainda a empresa.

Sexta, 03 Maio 2019 11:33

O tamanho da Hydro

Escrito por

A Hydro faturou neste ano quase 8 bilhões de reais através das três empresas que controla no Pará - a Albras, que produz alumínio primário; a Alunorte, que é a maior produtora mundial de alumina, o insumo principal do metal; e a Mineração Paragominas, que lavra bauxita.  Em conjunto, a multinacional norueguesa conseguiu chegar a um lucro de R$ 30 milhões, embora tenha sido obrigada a reduzir a sua produção em 50%, como punição do governo pelo alegado acidente ambiental que teria provocado na sua operação em Barcarena, a 50 quilômetros de Belém.

Em 12 horas, entre os dias 16 e 17 de fevereiro do ano passado, a chuva atingiu mais de 231 milímetros em 12 horas. Moradores da região, constatando a súbita mudança na coloração da água dos rios e igarapés, que se tornaram avermelhadas, denunciaram o vazamento dos rejeitos da produção de alumina da Alunorte, na forma de lama vermelha, que tem componentes poluidores, principalmente soda cáustica.

No seu balanço, a empresa diz que mais de 90 vistorias, promovidas por 13 órgãos governamentais (federais, estaduais e municipais), entre fevereiro e maio de 2018, não detectaram "qualquer sinal de transbordamento" dos seus dois depósitos de rejeitos sólidos. Mas recebeu 13 autos de infração e 91 notificações, que a levaram a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, no valor de 250 milhões de reais. Com isso, foi autorizada a retomar a plena produção das suas unidades de produção, em janeiro deste ano.

Com a redução da produção, a Alunorte caiu de um lucro de R$ 633 milhões em 2017 para um prejuízo de R$ 164 milhões no ano passado, com queda de faturamento de R$ 5,5 bilhões para R$ 4,1 bilhões, graças ao melhor preço do produto. A valorização do alumínio, de 31%, fez com que a receita da Albras (de R$ 2,8 bilhões) fosse apenas 9% inferior à de 2017, preservando lucro de R$ 126 milhões. O lucro da Mineração Paragominas diminuiu de R$ 159 milhões para R$ 68 milhões no período, com decréscimo do faturamento de R$ 1,2 bilhão para pouco menos de R$ 890 milhões.

Desde 2010, quando sucedeu a ex-estatal Companhia Vale do Rio Doce, em 2010, a norueguesa Hydro passou a controlar um dos mais importantes polos integrados de alumínio do mundo.

ESCLARECIMENTO

A assessoria de imprensa da Hydro enviou a seguinte nota, a propósito de texto que publiquei hoje no blog:

Gostaríamos de comentar com você alguns pontos da matéria publicada hoje (03/05), sobretudo a respeito do retorno da produção da Alunorte. 

De início, a empresa continua com a produção embargada, aguardando decisão da Justiça para voltar a operar 100%. O status é de produção em 50% de sua capacidade. 

Para esclarecimento, os embargos de produção e do uso da recém-desenvolvida área de depósito de resíduos sólidos de bauxita (DRS2) permanecem em vigor e o tempo de retomada das operações normais permanece incerto.

Em abril, a Justiça Federal em Belém realizou uma audiência conciliatória entre o Ministério Público e a Alunorte para discutir o embargo, momento em que foi entregue ao Tribunal uma petição conjunta para a retirada dos embargos de produção. 

Mais informações constam no site da empresa, no link: https://www.hydro.com/pt-BR/imprensa/noticias/2019/ministerio-publico-e-alunorte-entram-com-peticao-conjunta-solicitando-ao-tribunal-federal-a-retirada-do-embargo-a-producao/.

Sobre o faturamento das empresas, as três tiveram quedas no ano passado, diferente dos valores de ativos, registrados nos balanços. Ou seja, o faturamento foi fraco. Caso você deseje mais detalhes, estamos à disposição.

______________________

A matéria registra as quedas nos faturamentos brutos. Mas mostra que a queda de receita não foi proporcional à redução da produção física, de 50%, porque os preços dos produtos se valorizaram, exercendo o fator compensatório. Foi perda absoluta, mas não relativa ao volume de produção.
Os balanços informam que o que faltava era liberar o DRS-2, ainda embargado pela justiça federal. Ou foi assim que li. Faço a correção neste aspecto: a liberação continua pendente na justiça.

Todas as informações que usei foram tiradas dos balanços das três empresas, submetidas à minha análise.

Página 1 de 88