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Sábado, 18 Maio 2019 17:48

Mais um JP

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Neste final de semana e até a segunda-feira, estará nas bancas mais uma edição do Jornal Pessoal. Na capa, a seguinte matéria:

CRIMES

A omissão geral

Dois graves crimes envolveram pessoas notórias na sociedade: o ex-deputado Luiz Sefer, por estupro, e os irmãos Rodrigues, donos do grupo Líder, num caso apresentado pelo Ministério Público como homicídio de encomenda por overdose. O silêncio geral impediu a repercussão devida.

Sábado, 11 Maio 2019 10:22

E agora, "seu" zé?

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Quando postei o texto 5.000 deste blog, o leitor Thirson Rodrigues de Medina fez o seguinte comentário:

Lúcio, sua resiliência é impressionante.

Reescreve a história do jornalismo, principalmente o amazônida.

Em um futuro, aonde seus registros jornalísticos, constituírem o cerne de velhos cronicões, serás comparado a um Atlante, que sustentou sozinho e nu financeiramente o jornalismo “raiz” se comparado a times de jornalistas contemporâneos que realizam verdadeira força-tarefa,sem o que, não conseguiriam empreender o que você sozinho, jornalista pré-cambriano, produz, com esforço sobre-humano e desaviando ambas as naturezas: a reação humana e o “verão e inverno amazônico”.

Primeiramente, saúde. Em segundo, que consiga a gleba amazônica tão sonhada. E, em terceiro, força, diante dos pataços das hordas de súcias.

Felizmente, com esta colocação, o generoso Thirson me poupou do constrangimento de escrever o que ele escreveu, com maior propriedade e legitimidade. É uma tradução - concisa e precisa - do desafio que enfrento há muitos anos, desde a primeira adolescência, quando comecei a escrever em busca de um leitor externo (até então, eu supunha que meus cometimentos eram poesias, contos e crônicas, para consumo exclusivamente interno). Na forma de jornalismo profissional, essa busca completou 53 anos no último dia 6, quase cinco meses antes que eu completasse 17 anos, estudante do saudoso Colégio Estadual Paes de Carvalho, que as desastrosas gestões posteriores reduziram a escombros, incapazes de compreender o significado da melhor educação.

Quando meu artigo sobre o fim da Segunda Guerra Mundial foi publicado, na primeira página de A Província do Pará (ao lado dele, saiu o aviso fúnebre dos quatro anos de morte do grande jornalista e intelectual Frederico Barata), eu estava pronto para entrar numa redação e escrever sobre a Amazônia. Aquela Amazônia do Tapajós, onde eu nascera, a mil quilômetros da costa brasileira, mas com um modo de vida litorâneo, e de Belém, aonde passaria a viver a partir dos cinco anos. A Amazônia extrativista, de civilização ribeirinha, que só ia mais fundo, na direção da terra firme, até onde a força muscular do seu habitante lhe permitia ir, pela mata cada vez mais densa, e voltar ao ponto de partida, no rio.

A Amazônia pela qual trilhei acompanhando meu pai, nas suas excursões políticas, ou seguindo mentalmente os autores que eu encontrava na sua biblioteca, como o navegador (e puxa-saco do coronel José Júlio de Andrade, o despótico e carismático dono do rio Jari, coronel de barranco como Porfírio de Miranda no Xingu) Raymundo de Moraes, de tantas histórias maravilhosas. Ou o exilado Vianna Moog, que me levou às terras altas da margem esquerda do rio Amazonas, com a altanaria narcisista dos bandeirantes e expedicionários. Ou o sereno imigrante português Ferreira de Castro e sua selva de homens e seringais. E por muitos outros livros impressionistas, de viagens e testemunhos, que pouca gente ainda lê e raros editores se dispõem a republicar. Talvez porque essa Amazônia, que já foi também minha, acabou ou esteja acabando.

De certa forma, eu me acabo com ela. Tenho procurado me manter na linha de frente da sua defesa e de combate aos colonialistas de todos os matizes. Já me defrontei pessoalmente com vários deles, personagens de grande poder (até mesmo admiráveis), desde que tive um tête-à-tête com o engenheiro e empresário Eduardo Celestino Ribeiro, autêntico - em versão atualizada - bandeirante paulista, passando pelo tycoon americano Daniel K. Ludwig, até os espécimes políticos de uma elite bem ruim, como a paraense. E sobrevivi.

Mas sinto que parte considerável de mim se foi nessa guerrilha sem trégua. É a percepção que se impõe em momentos de cessar-fogo, como este, que me proporciona a inexplicável incompetência de uma provedora de meios de comunicação, que o PT de Lula pretendia transformar em multinacional brasileira, graças a favores e subsídios estatais. A conta de chegada me é apresentada às vésperas dos 70 anos, pesada, questionadora, desafiadora e desgastante.Exaurindo as energias e tornando cada vez mais improvável o retorno ao front.

Adoecido, excluído da aposentadoria por tempo de contribuição (por culpa própria e de empregadores que, ao longo de sete anos, descontaram a previdência do meu contracheque sem recolher o dinheiro ao cofre da viúva estatal, cheia de caprichos para com seus privilegiados barnabés e extensões clientelistas e de compadrio), tendo que batalhar por cada tostão obtido no selvagem mercado da exclusão, vejo meu jornal em papel se inviabilizar sem que seja substituído pela crença pessoal nesta tecnologia, maravilhosa quando usufruída a voo de pássaro, sem incomodar o pensamento e qa consciência, esta droga (no sentido estupefaciente) digital.

O que fazer? Para onde ir? Como seguir sem a companhia do leitor comprometido com o mesmo objetivo? Como acreditar no que virá se a cada novo ano o que veio só fez abrir mais um pouco o buraco sem fim da sujeição colonial, tingida de colorido, perfumada por mensagens publicitárias, vendida como néctar dos deuses?

Se, em tais encruzilhadas, é caminhando que se encontra o caminho, então caminhemos - se caminhar ainda for possível. O dia de amanhã, com mais silêncio ou um novo eco de resistência, responderá.

Domingo, 28 Abril 2019 18:44

Novo ombudsman

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A figura do ombudsman na imprensa brasileira completará 30 anos em setembro deste ano. O primeiro cargo de ouvidor foi criado pela Folha de S. Paulo em 1989. Flavia Lima, 44, apresentada hoje, assumirá no próximo dia dia 6, substituindo Paula Cesarino Costa, de 54 anos, que ficou três anos na função.

Negra, é o 13º ombudsman e a 6ª mulher na sucessão. Acompanha o perfil dos leitores, que, segundo ela, “está mudando muito rapidamente, ampliando sua diversidade e seu nível de exigência”.

Flávia é formada em direito pelo Mackenzie e ciências sociais pela USP, mas ingressou no jornalismo logo que deixou a faculdade, sua profissão desde então, especializada na cobertura de economia.

O ombudsman da Folha tem mandato de um ano, que pode ser renovado. Ele não pode ser demitido. Ensina o jornal que ombudsman é uma palavra sueca que pode ser traduzida como "representante do cidadão" e começou a ser usada para designar representantes dos leitores dentro de jornais americanos na década de 1960.

Antes de Flavia e Paula Cesarino, atuaram como representantes dos leitores Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzenberg, Marcelo Beraba, Mário Magalhães, Carlos Eduardo Lins da Silva, Suzana Singer e Vera Guimarães.

Tomara que a nova ombudsman retome a qualidade dos primeiros antecessores.

Sábado, 27 Abril 2019 17:50

JP nos EUA

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Até o mês passado, a coleção do Jornal Pessoal na biblioteca da Universidade da Flórida, em Gainesville, uma das melhores e maiores em assuntos latino-americanos dos Estados Unidos, teve 205.873 visualizações. A informação me foi dada por Will Canova, coordenador dos projetos de jornais e periódicos da instituição. Na mensagem, ele destacou:

“Como sempre, temos a honra de incluir o Jornal Pessoal nas Coleções Digitais da Universidade da Flórida e ele continua sendo um componente maravilhoso e importante em nossa biblioteca”.

Domingo, 21 Abril 2019 11:40

Apenas jornalista

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Comecei a dar palestras na segunda metade dos anos 1960, Nas primeiras, havia certa tensão na hora da minha apresentação. Eu me declarava jornalista, provocando certa frustração no encarregado da tarefa. Percebi o fenômeno e acrescentei o título, quando o conquistei, no início dos anos 1970: eu era também sociólogo. Alívio visível, especialmente quando o ambiente era acadêmico. Jornalismo não pode servir de referência para trabalhos científicos. É empirismo e impressionismo. Citado, desvaloriza dissertações e teses. Ameaça o sacramento da aprovação das bancas examinadoras.

Há muito de preconceito nessa reação, como têm provado jornalistas que escreveram obras de verdadeiro conteúdo científico. O mais recente desses trabalhos (em linguagem de gente viva) que li foi a biografia de Tiradentes por Lucas Figueiredo, a primeira reconstituição sistemática e completa sobre o líder da inconfidência mineira, enquadrada em todas as normas regulamentares, como a remissão do que diz o autor a fontes de referência, na melhor e mais bem organizada bibliografia sobre o movimento de 1789, o que permite conferir suas afirmativas em fontes primárias e secundárias.

Nem sempre, mas com regularidade cada vez maior, jornalistas procuram ter formação universitária, com menos frequência nos cursos de comunicação social e jornalismo, principalmente depois do fim do monopólio do curso de comunicação para o exercício profissional. Essa excrescência, única no mundo civilizado, foi criada em maio de 1969, no período mais negro da ditadura militar, pela junta dos ministros das forças armadas. Ela usurpou o cargo do vice-presidente Pedro Aleixo, quando o titular, o general Costa e Silva, sofreu uma trombose, ficou impossibilitado de exercer a presidência da república e acabou morrendo.

Quando fiz o vestibular, em 1967, ignorei o jornalismo. Podia fazer isso: a absurda exigência ainda não existia. Fui para a sociologia - e fiz certo, numa época em que os jornalistas iam para a boemia, a literatura e a rua (hoje imaginária nas telas de um computador). Esse coquetel cultural produziu grandes repórteres e escritores, mas colocou a forma acima do conteúdo. O estilo atraía mais do que a veracidade do que era dito, principalmente com o esmero e a criatividade em falta no mercado atual. Costumava ganhar quem era mais brilhante, inteligente e rápido no raciocínio, não quem dizia a verdade.

A sociologia foi preciosa para mim, principalmente pela circunstância de ter feito o meu curso em São Paulo, numa faculdade que reunia o que sobreviveu à perseguição oficial à sociologia, condenada como geneticamente comunista. O que mais estudei nesse período foi método de pensar e metodologia de pesquisa, com a contribuição fecunda da etnologia e da antropologia, disciplina da qual fui monitor do professor Otávio da Costa Eduardo. Ele era um medalhão, que se distanciou da matéria para ganhar dinheiro num eficiente escritório de pesquisa, mas também uma pessoa formidável Fez-me conviver com um dos maiores antropólogos do Brasil, alemão de origem, Herbert Baldus, um sábio cheio de vitalidade até o fim da sua longa vida.

Graças a essa formação, eu partia para minhas expedições jornalísticas, intensas entre 1960 e 1990, armado com um método de abordagem e um conhecimento prévio do que ia tratar. Em 1977, o sociólogo José de Souza Martins observou com perspicácia esse tipo de jornalismo, que ele classificou de contextual. Gostou tanto que apadrinhou meu segundo livro, em 1980, pela editora paulista Hucitec, dedicado às questões agrárias e fundiárias da Amazônia. Disse que minha produção era referência inevitável para quem estudasse a região. Pena que, três décadas depois, em suas extensas memórias, tenha esquecido o que disse e limado meu nome. Nem nas partes dedicadas à Amazônia eu apareço, apesar de ter oferecido o tema da primeira pesquisa realizada por Martins na região e tenha sido citado em livros anteriores.

Esses episódios se têm amiudado, multiplicando-se a partir do momento em que critiquei mais intensamente as igrejinhas clientelistas ou ideológicas da universidade e suas práticas politicamente corretas. Tornei-me uma bête noire em vários campi, daqui, de outras partes do Brasil, e até do exterior, por onde eu circulava com total liberdade (e de onde ainda recebo as maiores atenções, como da direção da biblioteca da Universidade da Flórida, em Gainesville, onde fui professor visitante e tive meu nirvana intelectual; nela, está o Jornal Pessoal, digitalizado e acessível facilmente, gratuitamente, e, talvez, com sua sobrevivência garantida).

A morte em vida dói, mas a dor passa. Algumas das restrições acadêmicas são corretas e fundamentadas. O melhor do meu jornalismo foi produzido na linha de frente, ao som da explosão - não de canhões, que a guerra é não declarada - de revólveres e outras armas de fogo, ou da velocidade espantosa de frentes de ocupação, com sua tecnologia de ganhar tempo para ganhar mais dinheiro, ou complexa e sofisticada para enfrentar a jungle e seus estupefatos (e estropiados) nativos.

Nessas condições, de enviado especial das redações, no jargão profissional, o repórter tem que ser um lépido mensageiro, abandonando as convenções formais, cabíveis na retaguarda de um escaninho acadêmico. Tem que escrever logo o que testemunhou. Ele trabalha com dead-line, prazos curtos, que não servem de desculpa para erros e carências, mas lhe impõem a pressa. Às vezes, o texto produzido é a única referência por escrito a determinados fatos importantes e únicos nessa corrida - sob o ritmo das motosserras - aos mais longínquos ermos amazônicos, a selva virando sertão, à espera de épicos como os de Euclides da Cunha e Glauber Rocha.

Pois é justamente esses marcos que estão sendo omitidos. Outro dia, abri vários dos livros que se agrupam numa prateleira especializada da Fox, todos falando da Amazônia. Mesmo quando abordam assuntos sobre os quais escrevi intensamente, como a história do "gatilheiro" (neologismo que oculta o pistoleiro em que se travestiu o posseiro caboclo Quintino Lira, para se amoldar perfeitamente ao "tipo ideal" do Robin Hood das selvas tropicais), as hidrelétricas (sobretudo Tucuruí), os conflitos de terra, os grandes projetos, os índios, etc.

Já me acostumei a não ser citado, mesmo por aqueles que tanto ajudei a escrever ou documentar sobre a Amazônia. Não me importo mais com essa falta de escrúpulos. Nem com a hostilidade recente dos que antes me elogiavam e agora me criticam, por vezes asperamente, só porque não integro o coro dos enquadrados e pratico meu solilóquio, sem medo de chegar a eremita, já que tudo que escrevo está abertamente exposto e sujeito a divergências, como neste blog, que não tem a moderação do blogueiro.

Velhos companheiros de viagem e pessoas próximas jamais fizeram comentários neste espaço. Nem manifestaram solidariedade ou lamentaram pela suspensão do Jornal Pessoa, por elas tão elogiado verbalmente - da boca para fora, a julgar pelo silêncio público que adotaram; quando não, pela crítica escondida, a maledicência, a  fofoca.

Registro tudo, mas apenas guardo para mim - e para raros amigos íntimos - essa consciência. O que interessa não é a minha pessoa, mas o que produzi. Essa situação só tem caráter de coisa pública se a omissão serve para adulterar a história. No início, o que prevalecia era o uso das minhas informações e análises sem o crédito de autoria. Nos últimos tempos, porém, o que passou a ser dominante foi a supressão das informações e análises, que serviriam de referência, mesmo que sem o reconhecimento da sua origem, para a fidelidade à história vivida, frequentemente distinta da história contada, recontada ou inventada.

Por isso, vou iniciar a reprodução de textos que escrevi numa época ainda sem computadores e internet, que considero úteis para uma história mais próxima da realidade concreta nestes mais de 50 anos do meu jornalismo. A iniciativa está aberta às críticas e contestações. Espero que minha iniciativa seja útil. Mas é o leitor que vai decidir.

Ao bom combate, pois.

Sábado, 20 Abril 2019 16:55

A morte de jornal centenário

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O Alto Madeira, de Porto Velho, capital de Rondônia, teria completado, no último dia 15, uma idade rara na imprensa brasileira e mais rara ainda na Amazônia: 102 anos de fundação. O jornal circulou pela primeira vez em 15 de abril de 1917, editado pelo superintendente do município (cargo equivalente ao de prefeito), o médico Joaquim Augusto Tanajura. Na época, Rondônia fazia parte do Estado do Amazonas.

Na década de 1940, o Alto Madeira passou ao controle dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. No início dos anos 1970, os irmão Euro, Luiz e Neusa Tourinho assumiram o controle da empresa. A última edição da publicação circulou dia 1º de outubro de 2017.

É mais uma etapa no encolhimento da imprensa local, fenômeno tecnológico cada vez mais difícil de evitar. Infelizmente, também um empobrecimento da cobertura jornalística em detalhe numa vasta região como a Amazônia. O Alto Madeira desapareceu sem fazer barulho e sem a merecida marcha fúnebre. Tomara que sobreviva em algum arquivo.

Domingo, 14 Abril 2019 11:51

Zé Hamilton

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Sempre que posso, vejo o Globo Rural, um dos melhores programas da televisão aberta. Sua  rara longevidade não prejudicou a sua qualidade. Acabo de ver a edição de hoje. Além de sanar minha frustração, de homem rural à distância, que nunca conseguiu atravessar a ponte urbana para se fixar também no interior (meu Nirvana seria um pedaço de terra no Maicuru), ele me devolve a convivência com José Hamilton Ribeiro, o mais constante e simbólico repórter do programa.

É reconfortador e estimulante ver o Zé Hamilton "peleando" pelo vasto Brasil do campo, curioso e atento, do alto dos seus 83 anos. Talvez seja um dos mais antigos jornalistas em todo mundo ainda na atividade de linha de frente. Meio século atrás, ele perdeu uma das pernas ao pisar numa mina terrestre, quando fazia reportagem no Vietnam, no auge da guerra (acho que Antônio Callado era o outro jornalista brasileiro que foi até lá). Eu já era jornalista e o tinha como um dos meus modelos e metas.

Na distante Belém do Pará, senti o impacto do acidente. Achei que a carreira de Zé Hamilton (como todos o tratavam) chegara ao fim, tomando-me como referência. Mas ele escreveu uma daquelas longas e ricas reportagens que só a revista mensal Realidade (onde nos encontraríamos, três anos depois) abrigava. Tão boa que sucumbiu ao AI-5 e à má visão dos Civita naquele momento No ano seguinte, veio o livro relatando a experiência, o primeiro. Parecia que o ferimento sarara de vez e a lacuna física fora preenchida sem qualquer sequela.

Vendo-o em mais uma reportagem televisiva, metendo a mão na terra para mostrar o fruto a que se referia, caminhando com vagar e determinação, sinto-me animado a tentar ser, um dia, como José Hamilton Ribeiro. Deus o mantenha por muitos anos mais. Para sempre termos um exemplo a nos orientar e inspirar.

Terça, 02 Abril 2019 19:09

Verdade, pressão ou chantagem?

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Por sua oportunidade para o noticiário do dia, reproduzo o texto que publiquei neste blog em 30 de setembro de 2014. Ninguém o comentou – ontem como hoje.

A imprensa paraense, ao se partidarizar por completo nesta eleição, suprimiu das suas páginas o espaço da liberdade e da pluralidade, da tolerância e do diálogo, da controvérsia positiva e da contribuição fecunda. No mesmo ímpeto de eleger o seu candidato, reduziu a quase nada o espaço para seus jornalistas exercerem o seu ofício.

Atropelando os fatos e fazendo prevalecer o tom editorial e panfletário sobre a apuração técnica das informações, levou o seu leitor a incorporar o mesmo tom passional e faccioso – ou, desiludido, a abandonar a leitura dos jornais, o que é um erro e um prejuízo para a democracia.

Diário do Pará, de propriedade da família Barbalho, voltou, mais intensamente do que nunca, a ser um órgão de partido, o PMDB. Seu empenho pela candidatura de um dos seus donos, o ex-prefeito de Ananindeua, Helder Barbalho, prevalece sobre qualquer outro objetivo mais condizente com a natureza da sua atividade.

O Liberal podia se permitir uma posição mais isenta e profissional. Nenhum dos seus donos é candidato. Ao visar com extrema obsessão o alvo político, porém, foi além da partidarização do concorrente e da busca pela própria sobrevivência. Renunciou a todos os escrúpulos e princípios para atacar aqueles que aparecem em seu caminho ou que julga terem aderido ao inimigo.

É o caso – exemplar – da nota de abertura do Repórter 70, a principal coluna do jornal, de ontem:

“Dona Beta Mutran, que é dona de motel, construído irregularmente na orla de Belém, que empresta dinheiro a juros, que compra e vende joias e dólar, agora deu para financiar o advogado Márcio Vinagre, que passou a comprar mansões e castelo. Isso é um caso que enseja a investigação da polícia, que precisa descobrir para onde está indo toda essa dinheirama. Estamos de olho. A polícia também deve estar”.

Mesmo uma leitura rápida do texto leva a uma conclusão imediata: as atividades possivelmente ilícitas ou mesmo criminosas da personagem da nota não teriam interessado ao jornal dos Maiorana se ela não tivesse se permitido financiar o advogado Márcio Vinagre. Ao fazê-lo, ficou sujeita a investigação sobre a origem e o destino de tanto dinheiro que repassa, possivelmente ao “laranja”, para compras tão faustosas como mansões (no plural) e castelo (no singular).

Uma vez chegada a esse ponto, Délia Mutran foi alcançada pelo olho vivo (vivíssimo, aliás) dos Maiorana, que agora, retrospectivamente, elencam os pecados da cidadã, como sacerdotes da moral e dos bons costumes (ora, direis – escreveria o poeta).

Fica-se sabendo que ela comete o pecado de ser dona de motel. Puristas e moralistas, sempre sob a circunstância de serem falsos profetas, podem virar o nariz para a atividade, mas ela é legal, desde que cumpridas as exigências normativas. O problema está em que o motel foi “construído ilegalmente na orla de Belém”.

Eis a novidade: O Liberal faz campanha permanente contra o Premium, prédio levantado em condomínio na orla da cidade, porque ele estaria irregular. Fotos e fotos da localização foram publicadas no jornal, muitas delas abrangendo a área onde está o motel de “dona” Beta Mutran, conforme a linguagem folhetinesca do Repórter 70.

Todas as balas, entretanto, foram reservadas à torre de concreto, posta diante de outra torre que Romulo Maiorana Júnior tenta levantar na avenida Pedro Álvares Cabral, na mesma orla. O motel foi poupado até o redator anônimo (mas com o rabo de fora) da coluna descobrir: que a esposa do empresário Délio Mutran “agora deu para financiar” o advogado.

Se esse redator e o seu dono, que é o dono da voz, como alerta Chico Buarque de Holanda, fosse servidor público, ele já teria prevaricado. Sabe de fatos ilícitos, ilegais ou anômalos e não toma providência. Como o ente responsável pela notícia é privado, e se atribui a função de jornalista, o que lhe cabia era não dar a nota, ou dá-la, mas, em continuidade, apurar todos os fatos para separar joio de trigo, gato pardo de gato preto, ameaça de verdade, chantagem de realidade.

Se “dona” Beta Mutran, figurinha fácil nas colunas sociais (em O Liberal até pouco tempo atrás), conforme dizem os colunistas, empresta dinheiro a juros e pratica a agiotagem, o jornal devia ter mostrado as provas. Se ela vende joias e dólar sem a autorização devida, o jornal tinha que relatar a atividade e não apenas insinuá-la.

A revolta de O Liberal se deve não a esses fatos, ignorados até então, mas à circunstância – nova – de que Beta Mutran apoia a candidatura de Helder Barbalho ao governo e Márcio Vinagre é seu advogado e intermediário.

Claro que, uma vez sugeridos todos esses fatos, a autoridade competente, na polícia ou no Ministério Público, deve imediatamente instaurar qualquer tipo de procedimento cabível, ou, desde logo, um inquérito, e apurar a verdade. Não pode fazer ouvido de mercador sem incorrer nas sanções à prevaricação. A nota venenosa do jornal dos Maiorana pode ser tomada por notícia crime, o bastante para formalizá-la na instância devida.

Mas é preciso não esquecer o ânimo e a motivação do denunciante, que podem ser caluniosos, valendo-se da influência sobre a opinião pública para constranger, intimidar e calar a personagem. Se esse tipo de intenção for comprovado, a ele dá-se um nome: chantagem. Também é crime. E toda essa história se tornou matéria de ordem pública. Quem recuar na sua elucidação será tão ou mais criminoso do que quem deu causa aos fatos.

Agora, às providências. Que não tardem, que não falhem.

Terça, 02 Abril 2019 10:53

A imprensa hoje

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O jornal inglês Financial Times anunciou, ontem, que atingiu a marca de um milhão de assinantes, divulgou a publicação britânica nesta segunda-feira (1º).  A maior parte deles, 650 mi, são pagantes de conteúdo digital A edição impressa é responsável por um quarto dos assinantes, mas se mantém lucrativa, informou a empresa.

O FT cobra por acesso de conteúdo digital desde 2002, sendo um dos pimeiros a aderir à nova tendência, suplantando o modelo de negócios da mídia impressa. O New York Times, que era (ou ainda é) o mais influente jornal do mundo, só adotou a cobrança em 2011> No final do ano passado as assinaturas digitais pagas somavam mais de 3 milhões pagantes e os assinantes da versão impressa eram um milhão.

Tanto o NYT quanto o FT mudaram de donos. A publicação londrina, controlada pela a japonesa Nikkei desde 2015, teve lucro operacional no ano passado de 25 milhões de libras (127 milhões de reais). Sua receita operacional foi de 383 milhões de libras (R$ 1,94 bilhão).

Os dirigentes do Financial garantem que a qualidade é a mesma. Como não o leio há tempos, não sei dizer. Vou pesquisar. Já a imprensa japonesa, era ruim. Também não posso dizer se continua com esse padrão ou se melhorou.

Segunda, 25 Março 2019 18:23

Liberal x Rabelo

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Para arrematar a série de recados com endereço certo e propósito obscuro, despachados pelos Maiorana na edição de ontem de O Liberal, mais duas notas do Repórter 70 que se valem do anonimato como mecanismo de acionamento para a continuidade ou interrupção da cobertura do assunto. Dizem as notas:

SONEGAÇÃO

Outro grande escândalo está relacionado à maior rede de postos da Grande Belém [da família Rabelo], que compra combustível para o Amapá e vende no Pará [assim sonegando imposto]. A sonegação monstruosa passa da casa dos bilhões [quantos mais ou menos?]. O proprietário [por que omite o nome?], para se ter ideia, é frequentador assíduo de Las Vegas, nos EUA.

FORTUNA

Cliente dos cassinos Win e Encor, o proprietário já perdeu mais de cem milhões de dólares nos últimos cinco anos, o equivalente a meio bilhão de reais. Desculpem, não foi ele que perdeu, mas, sim, os cidadãos paraenses. Jorge Sadala, investigado pela Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, por lavagem de dinheiro em cassinos, é o responsável por levar o empresário para jogar em Las Vegas.

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